O caso envolvendo dois servidores da Prefeitura de Tacuru (MS), afastados após a divulgação de áudios com ameaças contra indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, na Aldeia Sassoró, após o segundo turno das eleições de 2026, levou o governo federal a mobilizar uma força-tarefa interministerial e enviar a Força Nacional para reforçar a segurança em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

As mensagens, que circularam em grupos de WhatsApp, mencionavam a possibilidade de envenenar a água consumida pelos moradores da aldeia. Diante das ameaças, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) instauraram investigações para apurar possíveis responsabilidades criminais.

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Veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o caso.

O que motivou a investigação sobre as ameaças contra indígenas em MS?

A investigação começou após a divulgação de áudios de WhatsApp nos quais um servidor de Tacuru sugeria colocar veneno na água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró.

As declarações, de conteúdo racista e discriminatório, circularam após o segundo turno das eleições de 2026. Diante da repercussão, lideranças indígenas e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

O que diz o áudio?

Conforme a denúncia apresentada ao Ministério dos Povos Indígenas, mensagens de áudio compartilhadas em grupos de WhatsApp mencionavam a intenção de envenenar a água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró.

Uma das falas atribuídas a um dos servidores cita a necessidade de "matar essas pragas na água", em referência aos indígenas da comunidade.

A água da Aldeia Sassoró chegou a ser envenenada?

Não há comprovação ou indício de que a água da Aldeia Sassoró tenha sido contaminada.

A comunidade é abastecida por poços artesianos e conta com água encanada na maior parte das residências. Apesar de não haver registro de que a ameaça tenha sido executada, as mensagens provocaram medo entre as famílias, alteraram a rotina dos moradores e levaram as autoridades a realizar vistorias preventivas.

Quem são os servidores envolvidos e quais medidas foram tomadas?

Dois servidores públicos municipais de Tacuru foram identificados e afastados preventivamente das funções. Um deles atua no setor de infraestrutura e o outro, na coleta de resíduos. Nenhum dos dois tem ligação com o fornecimento de água.

A prefeitura instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos funcionários.

O que alegaram os investigados e a Prefeitura de Tacuru?

Em depoimento à Polícia Federal, os servidores reconheceram a autoria das gravações, mas afirmaram que as declarações decorreram do consumo de álcool e de um momento de exaltação política, sem intenção real de executar um ataque.

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, publicou um vídeo em que pediu desculpas à comunidade indígena, colocou-se à disposição da Justiça e confirmou o afastamento dos funcionários.

Quais providências foram adotadas pelo governo federal?

Foi criada uma força-tarefa interministerial, com participação das pastas dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio da comitiva com três ministros para ouvir lideranças Guarani-Kaiowá nas aldeias Taquaperi e Sassoró.

A iniciativa tem como objetivo centralizar denúncias de violência política e articular medidas de segurança com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Ministros Eloy Terena, Janine Mello e Wellington César Lima e Silva estão em MS após ameaças a indígenas

Como a Força Nacional atua para proteger as comunidades indígenas?

A Força Nacional de Segurança Pública mobilizou 145 agentes para realizar patrulhamento ostensivo nas aldeias Sassoró, em Tacuru; Taquaperi, em Coronel Sapucaia; e Limão Verde, em Amambai.

De acordo com o Ministério da Justiça, os agentes permanecerão nas comunidades por tempo indeterminado. A atuação busca prevenir conflitos, conter ameaças e garantir o direito de ir e vir dos moradores.

Outras denúncias de assassinatos e ataques no estado foram confirmadas?

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou denúncias de violência na região.

No entanto, investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal descartaram relação entre as mortes apuradas em Naviraí e os povos indígenas, assim como motivação política para os casos.

Paralelamente, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) negou a ocorrência de genocídio no estado.

O que ainda falta esclarecer sobre o caso?

Apesar de os servidores terem admitido a autoria das gravações, as investigações da Polícia Federal e o procedimento administrativo da Prefeitura de Tacuru ainda precisam esclarecer se houve participação de outras pessoas ou algum planejamento para executar o ataque.

Também falta definir se as condutas configuram crimes de racismo e discriminação, além de determinar as eventuais sanções criminais e administrativas aplicáveis aos envolvidos.

Insegurança marca rotina de indígenas em aldeia de MS

Casa de Reza na Aldeia Sassoró, em Tacuru (MS).