# Na Fazenda do Piauí, Fonteles reduziu dívida, mas teve déficit em metade dos anos

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/na-fazenda-do-piaui-fonteles-reduziu-divida-mas-teve-deficit-em-metade-dos-anos/)
- Publicado em: 2026-11-01T14:35:17.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1464056-na-fazenda-do-piaui-fonteles-reduziu-divida-mas-teve-deficit-em-metade-dos-anos

> Cotado para assumir o Ministério da Fazenda, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), já ocupou o cargo de secretário da Fazenda do Estado entre 2015 e 2022. No período, o Piauí ganhou o selo de &#8220;bom pagador&#8221; do…

Até 2018, o Piauí tinha a nota &#8220;C&#8221; no critério de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional. Em meio ao esforço de redução da dívida líquida, o Estado passou para a classificação &#8220;B&#8221; em 2019, posição que mantém desde então. O indicador funciona como um selo de bom pagador e facilita a contratação de empréstimos com garantia da União para Estados e Municípios avaliados com as notas &#8220;A&#8221; ou &#8220;B&#8221;.

Quando Fonteles assumiu a secretaria da Fazenda do Estado, em 2015, o Piauí encerrou o ano com uma dívida de cerca de 57% em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). A proporção foi caindo até chegar ao valor mais baixo em 2020 (37%).

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Ao analisar os resultados primários do Estado no período de Fonteles na Fazenda, ou seja, o total de receitas menos as despesas, o Piauí intercalou resultados positivos e negativos. Conforme dados da Sefaz, houve superávit primário em 2015, 2017, 2020 e 2021, mas déficits primários em 2016, 2018, 2019 e 2022.

Resultado Primário Piauí

Ano Resultado (R$, mi)

2015 &#8211; 87,329

2016 &#8211; 214,098

2017 &#8211; 114,424

2018 &#8211; 139,492

2019 &#8211; 993,664

2020 &#8211; 1.824,258

2021 &#8211; 114,056

2022 &#8211; 1.173,141

O Tesouro Nacional também compila essas informações e, nos dados a partir de 2018, calcula o tamanho do resultado primário em proporção à Receita Corrente Líquida. Nesse caso, as proporções foram as seguintes:

Resultado Primário em relação à RCL

Ano Primário/RCL (%)

2018 &#8211; 2%

2019 &#8211; 10%

2020 &#8211; 15%

2021 &#8211; 1%

2022 &#8211; 9%

Na avaliação do economista da XP Investimentos e especialistas na área fiscal, Tiago Sbardelotto, os resultados fiscais do Piauí no período de Fonteles na Fazenda &#8220;são mistos, no melhor dos casos&#8221;.

&#8220;Houve uma tendência generalizada de melhora dos resultados primários no pós-pandemia, especialmente entre 2021 e 2022, por conta das altas receitas de ICMS sobre combustíveis &#8211; naquela época, a tributação era sobre o valor na bomba. Depois disso houve uma piora generalizada. Mas, no geral, alguns Estados mantiveram posições mais sólidas, como Paraná, Mato Grosso e São Paulo&#8221;, lista ele.

Apesar dos resultados primários mistos, Fonteles sempre defendeu publicamente a necessidade de equilíbrio fiscal. Depois de deixar a secretaria em 2022, ele concorreu &#8211; e ganhou &#8211; a eleição para governador do Estado naquele ano e, em seu plano de governo, destacou a necessidade de cuidado com as contas públicas.

&#8220;O equilíbrio fiscal foi, definitivamente, uma das medidas mais eficazes para inserir o Piauí na rota do crescimento&#8221;, diz o documento protocolado à época no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já como governador, Fonteles criou, por exemplo, uma regra fiscal limitando os gastos das despesas primárias correntes a 70% da alta da receita corrente líquida, com exceção das áreas da saúde, educação e pagamento de precatórios. A gestão também aprovou uma reforma da previdência aos servidores estaduais.

Apesar disso, a gestão de Fonteles como governador registrou déficits primários em todos os anos entre 2023 e 2025. A dívida em relação à RCL também voltou a subir, e hoje está na casa de 63%. O atual secretário da Fazenda do Estado, Emílio Júnior, argumenta, porém, que os déficits já estavam previstos e refletem o aumento de investimentos em áreas como infraestrutura.

&#8220;Esses déficits já são programados. O governador tomou uma posição de fazer investimentos, a sua grande maioria no Estado, através de operação de crédito: a receita da operação não é registrada no primário, mas a despesa é, e isso acaba aparecendo no resultado&#8221;, avaliou à Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Ele reforça que a gestão tem conciliado controle fiscal a partir de queda nas despesas com pessoal e respeito aos limites de endividamento e de operações de crédito, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). &#8220;Todas essas travas são observadas na hora de uma liberação de crédito. Então isso é a garantia que a gente pega nessa operação e ela não vai prejudicar o caixa futuro&#8221;, diz.

A capacidade de investimentos do Estado também têm sido destacada por entidades suprapartidárias, como o Centro de Lideranças Públicas (CLP), que organiza o Ranking de Competitividade dos Estados. De acordo com a entidade, o Piauí ficou em primeiro lugar, entre todas as Unidades da Federação no ranking de taxa de investimentos em proporção à Receita Corrente Líquida em 2025. Também de acordo com a metodologia do CLP, o Piauí é bem avaliado em categorias como &#8220;Potencial de Mercado&#8221; (3º lugar do Brasil) e &#8220;Solidez Fiscal&#8221; (13º lugar).

Conforme o diretor-presidente do CLP, Tadeu Barros, apesar do Piauí ser apenas o 13º em solidez fiscal, o Estado tem melhorado o desempenho na área, com destaque justamente para a parcela expressiva do Orçamento que tem viabilizado investimentos. Ele destaca ainda que o Estado é o 6º melhor no indicador que mede a qualidade dos gastos com pessoal e o 7º no critério da Regra de Ouro, que ajuda a avaliar a relação entre endividamento e investimentos.

&#8220;Outro destaque é o planejamento orçamentário, no qual o Piauí ocupa a 5ª posição nacional e a 2ª do Nordeste&#8221;, avalia. &#8220;Os resultados de 2026 revelam uma evolução da posição do Piauí no levantamento, especialmente em aspectos relacionados à capacidade de investimento e à administração das contas públicas&#8221;, afirma Barros.

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