Segundo Fernão Prado, idealizador do projeto e proprietário da Fazenda Anacã Turismo, apesar da câmera estar configurada incorretamente, a gravação aconteceu entre os dias 7 e 14 de outubro. O registro inédito ocorreu durante a primeira semana de monitoramento do projeto Monitora Anacã – Vida Silvestre em Foco, iniciativa que utiliza câmeras automáticas para identificar e acompanhar as espécies que habitam as florestas da propriedade.
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Jaguatirica é flagrada por câmera de monitoramento na Fazenda Anacã, em Alta Floresta (MT), durante projeto de acompanhamento da fauna silvestre.
Atualmente, cinco armadilhas fotográficas estão instaladas na fazenda e funcionam continuamente, 24 horas por dia. De acordo com Fernão, os equipamentos possuem sensores de movimento que acionam automaticamente a gravação quando um animal passa diante da câmera.
“Nesse primeiro mês de monitoramento, estamos muito surpresos com a quantidade de registros de jaguatiricas. [...] Ainda estamos analisando os padrões de manchas da pelagem para identificar os indivíduos, mas já podemos confirmar a presença de pelo menos um macho e uma fêmea na propriedade", disse.
Coordenado pela bióloga Liliam Patricia Pinto, o trabalho tem duração inicial de 12 meses e também envolve a formação científica de estudantes e a divulgação de informações sobre a biodiversidade local. Chamadas de "armadilhas fotográficas", as câmeras servem como métodos de observação não invasivos, e possibilitam acompanhar a fauna sem a necessidade de capturar ou interferir diretamente nos animais.
“A proposta é produzir informações que contribuam para o conhecimento da biodiversidade [...] Ao mesmo tempo, o projeto busca despertar o interesse pela pesquisa científica e estimular o envolvimento das pessoas com o cuidado da natureza”, explicou.
As imagens também permitem observar a atividade dos animais em diferentes horários. Embora as jaguatiricas tenham hábitos predominantemente noturnos, dois registros foram feitos durante o início da manhã.
📹 Outros registros
Macacos-pregos se aproximam de uma câmera, observam o equipamento, correm para lá e para cá em Alta Floresta (MT).
A câmera responsável pelo flagrante da jaguatirica já havia chamado a atenção por outro registro. O local foi o mesmo responsável por registrar uma dupla de macacos-pregos que foram filmados brincando e interagindo com a câmera.
A nova captura mostra que os primatas não foram os únicos a demonstrar curiosidade pelo equipamento, que também registrou a passagem de outras 14 espécies de mamíferos, como anta com filhote, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, irara, cateto, quati, além das jaguatiricas.
🐆 Predadoras discretas
A jaguatirica é um felino de médio porte, que pode pesar cerca de 11 quilos. De hábitos solitários e predominantemente noturnos, alimenta-se principalmente de pequenos mamíferos, aves e répteis. Segundo Liliam, a espécie tem comportamento discreto e é difícil de observar diretamente na natureza.
“Apesar disso, as câmeras já flagraram dois momentos de atividade durante o início da manhã, mostrando que a espécie também pode circular pela floresta em outros períodos do dia”, relatou.
Assim como a onça-pintada, a pelagem da jaguatirica é marcada por manchas e rosetas escuras, que formam padrões únicos em cada animal. Essa característica permite identificar e diferenciar os indivíduos registrados pelas câmeras durante o período de monitoramento.
*Sob supervisão de Kessillen Lopes.
Jaguatirica se aproxima e interage com câmera de monitoramento instalada na Fazenda Anacã, em Alta Floresta (MT).

