Um grupo de trabalhadores de embarcações realizou uma manifestação neste domingo (1º) na Orla Pôr do Sol, na Zona de Expansão de Aracaju. O protesto foi contra a obrigatoriedade do uso do protetor de hélice nas embarcações.

O uso obrigatório do protetor de hélice é uma determinação da Justiça Federal, resultado de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe. A medida visa proteger o peixe-boi-marinho Astro.

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Segundo os trabalhadores, a exigência do equipamento tem provocado falhas operacionais na navegação, já que a proteção da hélice quebra com facilidade e gera prejuízos. Alessandro dos Santos, que participou do protesto, citou ainda que Astro não costuma aparecer na região em que as embarcações navegam na Orla Pôr do Sol.

Trabalhadores de embarcações reclamam de prejuízos com uso de protetor de hélice

Apesar de reconhecer a situação dos trabalhadores, a Cooperativa de Lanchas da Região Sul de Sergipe informou, por nota, que está cumprindo integralmente a determinação judicial por se tratar de uma medida de segurança, prevenção e proteção à vida aquática.

Proteção ao peixe-boi Astro

Símbolo da conservação da fauna marinha e reconhecido por lei como Patrimônio Cultural e Natural de Sergipe, o mamífero costuma transitar entre o Complexo Estuarino Piauí-Real-Fundo, na Praia do Saco, e o Estuário do Rio Vaza-Barris, na capital.

Para sua preservação, a Justiça Federal determinou, entre outras medidas:

Fiscalização náutica pela Capitania dos Portos;

Obrigatoriedade do uso de protetores de hélice nas embarcações, com fiscalização a partir de 1º de outubro;

Elaboração de um plano de educação ambiental e de governança interfederativa entre União, Sergipe, Bahia e municípios da região.

Em caso de descumprimento injustificado de qualquer uma das determinações, os entes públicos ou autoridades responsáveis estarão sujeitos ao pagamento de multa.

Peixe-boi Astro ganhou proteção inédita da Justiça após anos de acidentes

Colisões e tratamento

Segundo dados da Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), responsável pelo monitoramento do animal, Astro já sofreu 34 colisões com embarcações ao longo da vida.

O caso mais recente ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, na Praia do Saco. Na ocasião, as lâminas da hélice de um barco provocaram cinco cortes profundos no corpo do mamífero — com até 22 centímetros de extensão e seis centímetros de profundidade —, o que exigiu semanas de tratamento veterinário intensivo para evitar uma infecção generalizada.

Os peixes-bois-marinhos (Trichechus manatus) estão classificados como "em perigo" de extinção no Brasil. Segundo especialistas, a população nativa é estimada em 1.100 indivíduos, em uma pesquisa realizada de Alagoas ao Piauí, tornando cada exemplar fundamental para a sobrevivência da espécie.

Astro foi definido como Patrimônio Natural de Sergipe pela Lei Nº 9.732, de 26 de agosto de 2025, como símbolo da conservação da espécie no Brasil.