As vantagens, porém, permanecem apertadas na maior parte das disputas. A principal exceção é a Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper aparece com cerca de dez pontos percentuais de vantagem sobre o republicano Michael Whatley.

Iowa e Michigan no radar

Além desses estados, os democratas também enxergam oportunidades em Iowa e Michigan.

Em Iowa, a disputa opõe o democrata Josh Turek à republicana Ashley Hinson. Diante do risco de perder a cadeira, o Senate Leadership Fund, principal comitê de apoio aos republicanos no Senado, ampliou em US$ 20 milhões os gastos com publicidade no estado ao longo de outubro.

Já em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed mantém vantagem sobre o republicano Mike Rogers. Segundo a média da RealClearPolitics, ele lidera por 2,6 pontos percentuais. Uma vitória democrata no estado teria forte peso simbólico, já que a cadeira é ocupada por republicanos há 26 anos.

Disputa na Câmara

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, a perda da maioria republicana na Câmara dos Representantes é praticamente certa. No Senado, o cenário é mais equilibrado, mas os riscos para o governo também são significativos.

“As pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos indicam que Trump certamente vai perder a Câmara e, possivelmente, também o Senado. A situação dele pode ficar bastante complicada no Congresso”, afirmou o diplomata ao InfoMoney .

Na Câmara, a disputa é influenciada pelo redesenho dos distritos eleitorais realizado nos últimos anos. Após decisões da Suprema Corte que alteraram a aplicação da Lei de Direitos de Voto, estados controlados pelos republicanos passaram a redesenhar distritos de forma a aumentar sua competitividade eleitoral. Em alguns casos, porém, ocorreram movimentos na direção oposta, favorecendo os democratas.

Trump: guerra com Irã acabará em breve, de um jeito ou de outro

“Precisamos de uma garantia de que nunca haverá uma arma nuclear”, declarou Trump, ao defender que o Irã aceite um entendimento com os EUA

Aproximação com direita radical pode ter custado liderança a Flávio, diz analista

Cientista político avalia que estratégia adotada na reta final da campanha e saída do Brasil após a derrota abriram espaço para outras lideranças da oposição

Missouri, por exemplo, terá de utilizar o mesmo mapa eleitoral de 2024. Na Virgínia, por outro lado, a Suprema Corte anulou um desenho de distritos apoiado pelos democratas, que poderia ampliar a representação do partido na Câmara.

O redistritamento é um mecanismo utilizado para ajustar os limites dos distritos eleitorais com base nos dados do censo populacional. Como a responsabilidade pelo processo costuma caber às Assembleias Legislativas estaduais, o partido que controla o governo local frequentemente possui maior influência sobre sua definição.

Na prática, o modelo serve para que o partido vencedor possa concentrar a oposição em poucos lugares, fragmentando suas bases. Institucionalmente, não é raro que esses processos acabem sendo resolvidos na Justiça.

Na prática, esse processo pode alterar significativamente o equilíbrio político, concentrando eleitores da oposição em determinados distritos e ampliando as chances de vitória em outros. Não por acaso, disputas sobre os novos mapas frequentemente acabam nos tribunais.

O peso do voto latino

Se o discurso que levou Trump de volta à Casa Branca mostrou força há dois anos, o cenário político atual é mais desafiador para o presidente. Parte dessa mudança é atribuída ao enfraquecimento de indicadores econômicos e ao desgaste provocado pela política migratória da administração republicana.

Desde o ano passado, aumentaram os casos de detenções de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos, incluindo pessoas sem condenações criminais. O tema se transformou em uma das principais fontes de desgaste para o governo.

Para James Green, historiador e diretor do Washington Brazil Office (WBO), a questão migratória tem influenciado especialmente o voto latino.

“Boa parte das pessoas que estão sendo presas não cometeu nenhum crime, além de permanecer nos Estados Unidos após o vencimento de sua autorização. Hoje, uma parcela crescente do eleitorado se opõe à política migratória de Trump e tende a votar contra ele por esse motivo”, afirmou.

Rubens Barbosa compartilha avaliação semelhante. Para o ex-embaixador, a política migratória tornou-se “um fator muito negativo, sobretudo para grande parte da comunidade latino-americana nos Estados Unidos”.

Nesse contexto, Trump não apenas corre o risco de perder a maioria republicana no Congresso, como também enfrenta alguns dos piores índices de aprovação de seu segundo mandato, segundo levantamentos recentes .

The post Quais estados podem definir o controle do Congresso dos EUA nas “Midterms” appeared first on InfoMoney .