Moradores de um condomínio no Cachambi, na Zona Norte do Rio de Janeiro, relatam uma infestação de aranhas que já chegaram a apartamentos do 3º andar e até ao motor de um carro.

Segundo os condôminos, o problema começou há cerca de 2 meses, depois que caiu o muro que separava o conjunto de edifícios de um terreno baldio.

Pelo menos 2 tipos de aranha foram identificados no Condomínio Machado de Assis, na Rua Miguel de Cervantes: a armadeira e a marrom. Fotos feitas pelos próprios moradores mostram os aracnídeos tanto nas áreas comuns quanto dentro das unidades.

“Há muitos relatos de aranha. A gente está com muito medo”, contou o técnico de informática José Roberto Ferreira Almeida, que afirma ter matado uma dentro de casa.

O radialista Samuel Felipe Rosa de Paiva também encontrou uma aranha na residência. Segundo ele, em outra ocasião, a mulher se deparou com uma quando saía para trabalhar. “A gente nunca sabe se pode acontecer de dia, de noite, dormindo, acordado”, disse.

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Moradores de condomínio na Zona Norte do Rio relatam infestação de aranhas

Impasse com terreno vizinho

A Prefeitura do Rio foi acionada mais de uma vez. Em 26 de outubro, um técnico do Centro de Controle de Zoonoses esteve no condomínio e orientou, em um documento, que os moradores fizessem a dedetização e instalassem telas nos ralos.

Uma empresa chegou a fazer um orçamento, mas, de acordo com os moradores, recusou o serviço por entender que uma dedetização apenas na área do prédio não resolveria o problema.

“O problema é que o foco não é aqui. O foco é o terreno ao lado”, afirmou Samuel.

Enquanto não há uma solução, moradores começaram a tapar bueiros, colocar telas nos ralos e guardar materiais de obra em sacos para tentar impedir o aparecimento das aranhas.

Moradores relatam ainda que, durante uma visita de técnicos da prefeitura, foi mencionada a possibilidade de criação de galinhas-d’angola, apontadas como predadoras naturais desses animais.

“Estamos diante desse impasse, as aranhas continuam aparecendo, e a gente não consegue achar uma solução que consiga eliminar esse problema”, afirmou a professora Danielle Kely Gomes.

Moradores de condomínio na Zona Norte do Rio relatam infestação de aranhas

Como são as aranhas

A aranha-armadeira, do gênero Phoneutria, é conhecida pelo comportamento defensivo: quando se sente ameaçada, levanta as patas dianteiras e pode dar saltos. Ela pode atingir até 15 centímetros de envergadura, incluindo as pernas, e costuma se esconder entre plantas, entulhos, móveis e calçados.

Sua picada provoca dor intensa e imediata, além de inchaço e suor no local. Em casos graves, principalmente em crianças, o veneno pode causar vômitos e alterações cardíacas.

Já a aranha-marrom, do gênero Loxosceles, é menor e tem hábitos mais discretos. Costuma se esconder em locais escuros e pouco movimentados, como atrás de móveis, em frestas, roupas e calçados.

Ao contrário da armadeira, não é considerada agressiva e geralmente pica quando é pressionada contra a pele. A picada pode passar despercebida inicialmente, mas, com o passar das horas, provocar lesões que podem evoluir para necrose, ou seja, a morte do tecido. Em situações mais graves, o veneno pode causar destruição de glóbulos vermelhos e comprometer o funcionamento dos rins.

Essas aranhas são consideradas de importância médica pelo Ministério da Saúde. Em caso de suspeita de picada, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. A identificação das espécies também exige cuidado, já que outras aranhas podem apresentar características semelhantes.

Moradores de condomínio na Zona Norte do Rio relatam infestação de aranhas

O que dizem as autoridades

A Prefeitura do Rio informou que vai enviar uma nova equipe do Centro de Controle de Zoonoses ao condomínio nesta semana.

Segundo o município, não está descartada uma limpeza compulsória do terreno vizinho caso seja comprovado risco à saúde dos moradores.