# Dia dos Mortos no Cemitério da Saudade: mistérios e histórias de quem está enterrado no local

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: ACidadeON Campinas (https://www.acidadeon.com/campinas/cotidiano/dia-dos-mortos-no-cemiterio-da-saudade-misterios-e-historias-de-quem-esta-enterrado-no-local/)
- Publicado em: 2026-11-02T13:45:30.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1477418-dia-dos-mortos-no-cemiterio-da-saudade-misterios-e-historias-de-quem-esta

> No Dia de Finados , celebrado nesta segunda-feira (2), o Cemitério da Saudade , em Campinas, vai além das homenagens aos entes queridos e das visitas aos túmulos. Com cerca de dois milhões de pessoas sepultadas , o espaço reúne histórias…

Inaugurado em 7 de fevereiro de 1881, o cemitério completou 145 anos neste ano . Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) desde 2003, o local preserva obras de arte tumular, construções históricas e lembranças de diferentes períodos da formação do município.

Entre as histórias que chamam a atenção estão as de pessoas que, mesmo depois da morte, passaram a fazer parte do imaginário popular. Algumas sepulturas recebem velas, flores, placas de agradecimento e pedidos de graças. Outras guardam relatos de violência, mistério e tragédias familiares.

Cemitério da Saudade: A Moça da Estrada que virou devoção

Uma das histórias mais misteriosas do Cemitério da Saudade é a da chamada “Moça da Estrada”, também conhecida como “A Desconhecida”. O corpo de uma jovem foi encontrado em 1965, na estrada de Joaquim Egídio, em circunstâncias violentas. Ela estava nua e com o corpo queimado. Até hoje, sua identidade e as circunstâncias completas do crime permanecem envoltas em dúvidas.

“O corpo ficou por um período no Instituto Médico Legal (IML), sem ser reconhecido por familiares ou conhecidos. O caso teve grande repercussão na imprensa da época e mobilizou moradores, que chegaram a organizar romarias e grupos de oração no local onde a jovem foi encontrada”, afirmou Thiago de Souza pesquisador, escritor e idealizador do projeto O Que Te Assombra.

O sepultamento ocorreu em 1966, no Cemitério da Saudade, na quadra 39, próximo ao muro da necrópole. “Com o passar do tempo, a mulher passou a ser lembrada como milagreira. Seu túmulo recebe velas e manifestações de devoção ligadas a diferentes tradições religiosas, incluindo o catolicismo e a Umbanda”, disse.

Toninho, o escravizado associado à lenda do Boi Falô

Outro personagem conhecido entre os devotos é Toninho, um homem escravizado sepultado no cemitério em 1904. Seu túmulo reúne placas de agradecimento por graças atribuídas a ele e também está ligado a uma das lendas mais conhecidas de Campinas: a do Boi Falô.

“Uma das versões da história conta que um fazendeiro teria ordenado que um escravizado trabalhasse em uma Sexta-Feira Santa. Ao chegar ao pasto, o boi teria dito que aquele não era dia de trabalho, mas de respeito a Nosso Senhor. O homem voltou para contar o ocorrido e foi enviado novamente ao campo acompanhado de Toninho. Diante dos dois, o animal teria repetido a fala”, lembrou Thiago.

Toninho foi enterrado ao lado do antigo patrão, a pedido da baronesa, em uma decisão considerada incomum para o período. Embora não seja reconhecido como santo pela Igreja Católica, ele é associado à devoção popular e também é cultuado como entidade na Umbanda.

Maria Jandira e os pedidos de graças

Maria Jandira dos Santos é outra figura que mantém uma relação de devoção com frequentadores do Cemitério da Saudade. Segundo relatos reunidos pelo pesquisador, ela teria sido abandonada pela família ainda pequena e, já adulta, enfrentado uma trajetória marcada por dificuldades.

“A história conta que Maria Jandira morreu aos 23 anos, após atear fogo ao próprio corpo. Com o tempo, seu túmulo se tornou um local de devoção e passou a ser associado à figura de uma pombagira, entidade cultuada em religiões de matriz africana”, explicou.

Os Três Anjinhos e a tragédia de uma família

Entre os túmulos mais conhecidos do cemitério está o dos Três Anjinhos, nome popular dado a um sepultamento que reúne quatro crianças: Jonas, Tácito, Ezilda e Luíza.

“A versão mais difundida é que os irmãos, filhos de Firmino Tamandaré de Toledo e Antonia de Carvalho Toledo, morreram em um incêndio na casa da família, em 7 de outubro de 1896. Há, porém, outras versões sobre a tragédia, incluindo relatos de que as crianças teriam sido apedrejadas”, contou.

O túmulo fica próximo à entrada do Cemitério da Saudade e é um dos pontos de devoção popular da necrópole. A história também chama a atenção porque, apesar de serem quatro crianças, o nome popular da sepultura ficou associado a apenas três anjinhos.

Um cemitério que conta a história de Campinas

Além das histórias de devoção e mistério, o Cemitério da Saudade guarda os túmulos de personalidades importantes para a formação política, econômica e cultural de Campinas. Entre os nomes sepultados no local estão Francisco Glicério, Bento Quirino, Orozimbo Maia e Moraes Salles.

O espaço também abriga o Mausoléu dos Voluntários de 1932, monumento dedicado aos combatentes da Revolução Constitucionalista. Outro nome ligado à história da cidade é o do médico Mário Gatti, que teve papel importante no atendimento às vítimas do acidente do Cine Rink.

“Com seu conjunto de túmulos, esculturas, mausoléus e histórias, o Cemitério da Saudade funciona como um registro da memória de Campinas. No Dia de Finados, enquanto familiares visitam as sepulturas para prestar homenagens, os relatos preservados no local mostram como a história de uma cidade também pode ser contada por aqueles que já morreram”, terminou o escritor.

O post Dia dos Mortos no Cemitério da Saudade: mistérios e histórias de quem está enterrado no local apareceu primeiro em ACidade ON Campinas .

Reportagem completa: https://www.acidadeon.com/campinas/cotidiano/dia-dos-mortos-no-cemiterio-da-saudade-misterios-e-historias-de-quem-esta-enterrado-no-local/

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.