# IA consegue criar vírus que se espalha por conta própria em eletrodomésticos

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/tecnologia/ciberseguranca/noticia/2026/11/02/virus-ia.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-02T16:00:14.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1478920-ia-consegue-criar-virus-que-se-espalha-por-conta-propria-em-eletrodomesticos

> Exemplo de sala de estar com pé-direito duplo

Na sala de estar, um robô aspirador percorre o ambiente, a iluminação é ajustada por meio de assistentes de voz e a televisão se conecta à internet para acessar o serviço de streaming favorito. Todos esses são exemplos da "internet das coisas" (IoT, na sigla em inglês), na qual aparelhos eletrônicos conectados à internet trocam dados e se comunicam entre si.

Esse é um cenário cada vez mais presentes em casas pelo mundo. No entanto, esses aparelhos podem se tornar um risco com o avanço da inteligência artificial (IA).

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A empresa de inteligência artificial Anthropic divulgou recentemente um relatório indicando que, em breve, softwares maliciosos baseados em IA poderão se instalar em eletrodomésticos conectados, se replicar e se espalhar de maneira autônoma para outros dispositivos.

Para isso, não seriam necessários supercomputadores caros e de alto desempenho, bastaria um grande número de smart TVs ou outros aparelhos domésticos conectados e com segurança precária.

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Vírus de computador que se propagam de uma máquina para outra por conta própria existem há décadas. Eles são conhecidos como "vermes" e seguem um roteiro pré-programado, explorando vulnerabilidades de segurança conhecidas ou pontos de acesso com proteção fraca.

No entanto, esse fluxo é interrompido se essas falhas forem corrigidas ou se não houver brechas adequadas para um ataque.

Os "vermes" de IA, no entanto, seriam muito mais complexos e, potencialmente, bem mais perigosos. Eles teriam a capacidade de resolver problemas de forma autônoma e se adaptar a diferentes tipos de dispositivos.

Para isso, eles precisariam, por exemplo, lidar com um sistema operacional diferente ou com uma capacidade de memória limitada. Também teriam de descobrir, por conta própria, como operar em outros dispositivos ou como identificar e contornar novas atualizações de segurança.

A IA pode ter vontade própria ou se revoltar contra humanos?

Disseminação via televisores

Pesquisadores da Anthropic investigaram se modelos de IA poderiam ser executados em hardwares simples. Em um experimento, distribuíram um modelo de IA entre 15 dispositivos Android TV de baixo custo. Cada aparelho ficou responsável por uma parte dos cálculos.

Com isso, demonstraram que certas aplicações de IA podem ser executadas mesmo sem a necessidade de um grande centro de processamento de dados.

Em um ambiente de teste controlado, os pesquisadores criaram ainda oito dispositivos Android simulados. O modelo de IA conseguiu se instalar em um desses aparelhos, se replicar a partir dali e infectar os demais. Em quatro das cinco tentativas, o modelo atingiu todos os oito alvos; na outra, infectou sete.

Se um modelo de IA desse tipo fosse equipado com um software malicioso, ele poderia se adaptar rapidamente a ambientes até então desconhecidos, interferindo em processos e fluxos de operação. Em vez de explorar apenas uma vulnerabilidade específica, ele poderia aprender a contornar diversas medidas de segurança.

Segundo os desenvolvedores da Anthropic, um "verme de IA" desse tipo levaria, aproximadamente, de um a dois dias para se instalar em um dispositivo novo e até então desconhecido.

Rede de bots composta por eletrodomésticos?

Um aspecto particularmente preocupante é que a IA poderia unir os diversos dispositivos infectados em uma grande rede de bots. Um único dispositivo infectado possui pouca capacidade de processamento.

No entanto, quanto mais aparelhos forem infectados, mais rapidamente o "verme" de IA poderia se propagar. O software malicioso não dependeria mais de um servidor central que poderia ser desligado.

Além disso, ele poderia, possivelmente, continuar aprendendo e evoluindo constantemente. Seria perfeitamente concebível que a ameaça se espalhasse para tipos de aparelhos eletrônicos totalmente diferentes, que utilizam softwares distintos.

Embora dispositivos infectados possam ser desconectados da rede e falhas de segurança possam ser corrigidas, a estrutura descentralizada desse tipo de malware baseado em IA tornaria muito difícil contê-lo. A própria Anthropic compara esse possível cenário a um mofo limoso digital que cresce lentamente.

É verdade que, nos testes, os pesquisadores da Anthropic facilitaram propositalmente o acesso aos dispositivos, sem que houvesse grandes medidas de proteção digital. Ainda assim, a empresa acredita que modelos de IA menores poderiam, talvez ainda este ano, atingir o nível de capacidade necessário para se disseminar no mundo real.

Sistemas de refrigeração superaquecidos

Um incidente ocorrido na França ilustra o quão graves podem ser as consequências de um ataque cibernético a sistemas de controle conectados.

Na noite de 11 para 12 de outubro de 2026, hackers manipularam os sistemas de refrigeração e congelamento de diversos supermercados, elevando as temperaturas para até 50º C. Alimentos estragaram e houve casos isolados de incêndios e danos técnicos.

A agência francesa de cibersegurança CERT-FR confirmou que vários sistemas de controle remoto do fabricante dinamarquês Danfoss foram comprometidos, com o alerta sendo posteriormente estendido a sistemas de outros fabricantes. As investigações sobre as circunstâncias do ataque ainda estão em andamento.

Nesta segunda-feira (02/11), ataques semelhantes foram registrados em supermercados na Bélgica, Suécia e Luxemburgo.

Até o momento, não há evidências de que um "verme" de IA autorreplicante tenha sido utilizado nos ataques aos sistemas de refrigeração.

Contudo, os estudos recentes da Anthropic demonstraram como a IA pode facilitar significativamente o desenvolvimento de softwares maliciosos com consequências potencialmente graves, permitindo ataques a dispositivos conectados mesmo sem a necessidade de grande capacidade computacional.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/tecnologia/ciberseguranca/noticia/2026/11/02/virus-ia.ghtml

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