# EUA: baixa popularidade de Trump alimenta chance de vitória democrata no Congresso

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mundo/eua-baixa-popularidade-de-trump-alimenta-chance-de-vitoria-democrata-no-congresso/)
- Publicado em: 2026-11-02T17:40:27.000Z
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> Com a votação antecipada em curso nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato chegam à reta final sob um clima de ansiedade em eleitores que já foram às urnas. Muitos descrevem a sensação de que &#8220;a América que conheciam está…

Amanhã, os americanos vão eleger um novo Congresso: todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estarão em disputa. O Partido Republicano hoje controla as duas Casas, mas entram na eleição pressionados pela baixa popularidade do presidente dos EUA, Donald Trump.

O Commerzbank observa que a aprovação do mandatário está em 38%, com 60% de desaprovação, resultando em saldo líquido de -22%. Na avaliação do banco, a inflação é um fator decisivo. Segundo o Commerzbank, Trump teria falhado em cumprir a promessa de baixar preços &#8220;no primeiro dia&#8221;, e suas políticas &#8211; tarifas e a guerra com o Irã, que elevou os preços de energia &#8211; ajudaram a reacender pressões inflacionárias. A análise também menciona que aluguéis, alimentos e combustíveis ganharam protagonismo na campanha, enquanto o Partido Democrata aposta na bandeira do custo de vida.

As pesquisas indicam risco elevado para os republicanos, especialmente na Câmara. Historicamente, o partido do presidente costuma perder cadeiras na Câmara em eleições de meio de mandato &#8211; cerca de 20, em média, desde 1950. Agora, com uma maioria republicana estreita de quatro assentos, levantamentos sugerem que os democratas podem ganhar ao menos 20 cadeiras e assumir o controle da casa.

No Senado, a disputa também apertou para os republicanos nas últimas semanas, inclusive com sinais de virada no Texas, tradicional reduto conservador. O quadro aparece nas sondagens mais recentes: pesquisa do New York Times em parceria com o Siena Research Institute (SRI), divulgada em 1º de novembro, mostra democratas à frente em cinco dos sete Estados-pêndulo analisados para o Senado.

Na véspera da eleição, Trump minimizou os números e disse que &#8220;nunca conheceu alguém&#8221; entrevistado por institutos de pesquisa. Ele afirmou que, em um comício, apenas duas pessoas levantaram as mãos ao serem perguntadas se haviam sido consultadas. Também declarou que vetará &#8220;tudo&#8221; caso os democratas vençam e, ao ser questionado sobre segurança eleitoral, respondeu que não acredita que as eleições serão seguras.

Ontem, a Justiça americana indeferiu uma ação movida pelo governo Trump que buscava impedir o Alasca de certificar uma possível derrota do senador republicano Dan Sullivan nas eleições, alegando risco de os eleitores terem se equivocado ao votar, já que há um concorrente homônimo.

O ING observa que sites de apostas atribuem aos democratas 70% a 72% de chance de conquistar Câmara e Senado. O banco pondera que parte das leituras sobre efeitos imediatos é especulativa, mas nota que uma vitória democrata poderia pressionar o dólar, uma vez que provavelmente levaria a um impasse em relação ao teto da dívida, a uma paralisação prolongada do governo no próximo ano e poderia incentivar Trump a adotar uma agenda de política externa ainda mais intervencionista.

O Commerzbank também alerta para o risco de shutdown, já que o financiamento do governo vai apenas até 11 de dezembro. O banco pontua que, se os democratas levarem além da Câmara o Senado, a capacidade de Trump de influenciar o Fed seria limitada, já que é necessária a aprovação da Casa para preencher vagas abertas no conselho da autoridade monetária. O banco ainda menciona, como cenário de baixa probabilidade, mas &#8220;maior do que zero&#8221;, a possibilidade de contestação dos resultados, com ondas de ações judiciais e protestos, o que poderia afetar a confiança institucional. Enquanto os votos antecipados continuam a ser depositados, as projeções apontam para um Congresso mais dividido &#8211; e para uma fase em que, entre inflação, impasses orçamentários e tensões externas, o pós-eleição pode importar tanto quanto o resultado.

*Com informações da Associated Press (AP).

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