Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, cita a TFNP (Teoria Fiscal de Nível de Preços), à qual já havia se referido anteriormente, para defender que a atual política monetária do BC (Banco Central) é ineficaz para reduzir a inflação.

Ele propõe isto:

novo órgão – o CFMN (Conselho Fiscal e Monetário Nacional) seria responsável por estabelecer as metas fiscais e monetárias por período de 4 a 5 anos à frente;

meta de juro – o CFMN estabeleceria metas para a inflação, como faz hoje o CMN (Conselho Monetário Nacional), e meta para a Selic;

alta do PIB – a Selic ficaria entre a meta de inflação, atualmente em 3% ao ano, e o crescimento nominal potencial do Produto Interno Bruto, “ que hoje seria em torno de 5,5% ao ano ”;

spread de segurança – o economista propõe 2 pontos percentuais acima, algo que “ seria periodicamente reavaliado e reduzido até ser eliminado ”. A meta de juro inicialmente ficaria em 7,5% ao ano;

prazo de 12 meses – seria anunciado pelo BC para a redução gradual da Selic em direção à meta;

atuação no câmbio – o BC evitaria a excessiva valorização do dólar ante o real com a saída de recursos do país. “Com US$ 350 bilhões de reservas, o BC tem munição de sobra para isso”.

O resultado, segundo o economista, seria uma economia de 4% do PIB ao ano nas despesas do governo com juros. “ A redução do deficit fiscal de mais de 10% do PIB para algo em torno de 6% do PIB restabelece a credibilidade fiscal de longo prazo ”, afirma. Isso seria possível “ sem causar uma profunda recessão ”.

Ele cita o economista John Cochrane , da Universidade Stanford, nos EUA. Cochrane diz, segundo Lara Resende, que a política monetária contracionista não reduz a inflação caso não seja acompanhada de uma política fiscal compatível.

“ A alta dos juros não reduz a inflação; ao contrário, se não houver uma contração fiscal simultânea irá elevar a inflação ”, diz Lara Resende no texto. Segundo ele, a inflação aumentaria como consequência da perda da capacidade do Estado de pagar a dívida.

CORTE DE GASTOS

Economistas que não defendem a TFNP também dizem que a política monetária e a política fiscal devem ser combinadas para reduzir a demanda agregada na economia e impedir aumento acentuado de preços. Isso permitiria ao BC reduzir a Selic sem necessidade de nova meta.

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, disse que o risco de recessão em 2027 é maior se o governo não cortar gastos. Caso o governo reduza os gastos, ele avalia que o crescimento econômico será maior.