Na Bélgica, dezenas de lojas da rede Ahold Delhaize foram afetadas. Também foram registrados incidentes em 5 unidades da rede Spar, operadas pelo Grupo Colruyt , e em quase 15 supermercados do Carrefour . Na Suécia, lojas das redes ICA e Coop relataram problemas semelhantes. Uma rede da Estônia também foi atingida.
Na Delhaize, a empresa identificou um aumento na temperatura dos equipamentos de refrigeração e informou que investiga as causas do problema. O CEO da Sabcobel, Stephan Moelans, responsável pelos sistemas da rede, afirmou à agência Belga que houve um ciberataque. Segundo ele, os evaporadores foram acionados no modo de degelo, o que provocou a elevação da temperatura.
Um porta-voz do Grupo Colruyt confirmou que os sistemas de refrigeração de 5 unidades da rede Spar foram atacados. A Sabcobel não comentou o caso.
Os episódios ocorrem cerca de 3 semanas depois de um ataque cibernético atingir mais de 500 supermercados na França . Na madrugada de 12 de outubro, hackers invadiram sistemas de refrigeração de estabelecimentos de diferentes redes, elevaram a temperatura de câmaras frias e congeladores e provocaram a perda de toneladas de alimentos. As informações foram divulgadas pelo jornal francês Le Monde .
Entre as redes afetadas estavam Intermarché, Netto, Coopérative U, Carrefour, E.Leclerc e Monoprix. O prejuízo total não havia sido calculado, mas poderia chegar a dezenas de milhões de euros.
Na ocasião, os invasores reprogramaram os sistemas de degelo para atingir 50°C e ampliaram de 1 para 8 horas a duração do processo. A mudança dificultou a identificação dos problemas pelos sistemas de alarme. Em uma unidade da Intermarché, na cidade de La Haye, na Normandia, componentes dos equipamentos chegaram a derreter depois que a temperatura alcançou 80°C.
A investigação na França identificou como possível ponto de entrada um software da empresa dinamarquesa Danfoss, utilizado no controle dos sistemas de refrigeração. Segundo a companhia, a maioria dos equipamentos afetados estava obsoleta e não recebia mais atualizações de software ou de segurança. A empresa havia publicado alertas sobre vulnerabilidades em seus programas em março e agosto de 2025.
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação, conduzida pelo órgão francês especializado em crimes cibernéticos, para identificar as vítimas e dimensionar os prejuízos. Os serviços do primeiro-ministro francês também acionaram a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação para apurar o caso. Até a publicação da reportagem do Le Monde , nenhum grupo havia reivindicado a autoria do ataque.
No mês passado, a Ahold Delhaize também comunicou à polícia holandesa um incidente de segurança cibernética, depois de identificar atividades suspeitas em sua infraestrutura.
A conexão de equipamentos como geladeiras, sistemas de aquecimento, câmeras de segurança e alarmes à internet permite o monitoramento e o controle remoto dessas estruturas. A tecnologia, porém, também amplia as possibilidades de atuação de criminosos virtuais.
Ataques também atingem a Suécia
Na Suécia, o Centro Nacional de Cibersegurança investiga diferentes ocorrências envolvendo sistemas de refrigeração de supermercados. O chefe do órgão, John Billow, confirmou à Reuters que as autoridades acompanham os casos.
Uma unidade da rede ICA informou nas redes sociais que seus refrigeradores e freezers foram invadidos durante a madrugada e tiveram a temperatura ajustada para 50°C. A loja comunicou posteriormente que havia reaberto.
Em outra unidade da rede, a ICA Baronen, em Estocolmo, um aviso informou que todos os freezers estavam fora de funcionamento depois de um ciberataque. Segundo o gerente de vendas, a invasão ocorreu às 2h e foi identificada às 5h30, no horário local.
A rede Coop também informou ao jornal sueco Aftonbladet que 6 lojas foram afetadas por problemas semelhantes. A empresa não respondeu imediatamente ao pedido de posicionamento da Reuters.
Billow afirmou que as autoridades identificaram, nas últimas semanas, um número considerável de equipamentos conectados a sistemas operacionais vulneráveis no país.
“Deixamos clara a necessidade de atualizá-los ou instalar correções de segurança” , declarou.
Na Estônia, uma rede de supermercados também teve equipamentos de refrigeração afetados, com temperaturas que chegaram a 50°C. A informação foi divulgada pela fornecedora de tecnologia Kitman Coldtech à emissora pública ERR.
“Isso é muito recente, aconteceu nesta manhã” , afirmou o CEO da empresa, Jann Mutso. Ele não revelou o nome da rede atingida.

