Na prática, é necessário um esforço global capaz de alcançar uma redução média de 5,7% ao ano, de 2025 até 2035.

A projeção está no “Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno”, lançado pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

O documento reafirma a necessidade de esforços muito acima dos compromissos assumidos nas novas gerações de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), mas também traz evidências de que retornar a um limite de aquecimento global de 1,5°C ou menos é possível.

“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível –e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século” , avalia o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

A necessidade de manter o aquecimento global controlado foi evidenciado no estudo anterior, “Limitar a Ultrapassagem – Lidar com a Ultrapassagem de 1,5 °C e Caminhos para o Retorno”, que mostrou os efeitos no planeta do pico de aquecimento e a subsequente queda de temperatura.

Quanto maior a temperatura e mais longa a duração, maiores são os impactos como:

aumento do nível do mar;

colapso de ecossistemas como os recifes de coral;

ondas de calor e incêndios florestais;

alterações profundas na criosfera, que inclui calotas polares, gelo marinho, geleiras, solo congelado e neve.

Com a trajetória atual mantida, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século. Caso as NDCs sejam plenamente cumpridas e a restauração de biomas seja capaz de neutralizar as emissões globais até 2050, ainda assim, o aquecimento global chegaria a 2,1°C neste século.

Um exemplo do que poderá ocorrer como consequência desse aquecimento é o derretimento de ¼ das geleiras do planeta, com a elevação do nível do mar em até 12,5 centímetros.

Na prática, isso afetaria de forma permanente a disponibilidade de água potável em várias localidades do mundo.

Políticas que funcionam

Para cessar essa trajetória, o relatório de emissões traz a análise de mais de 220 avaliações de políticas adotadas pelo mundo e os resultados trazem números positivos, apesar da concentração dessas iniciativas em poucos países, setores e por períodos específicos.

De acordo com o estudo, as políticas no setor elétrico foram capazes de reduzir as emissões em uma média de 9%. Já instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e comércio de captação, foram capazes de diminuir as emissões entre 5% e 13%.

Para a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os casos de sucesso são muitos, variados e demonstram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente.

“Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis” , afirma.

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Brasil, em 1º de novembro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .