Em Pequenas Tragédias , o cineasta parte de suas próprias lembranças para construir um retrato afetivo, irreverente e tragicômico de Catalão, cidade do interior de Goiás onde cresceu e realizou boa parte de seus filmes. Em vez de se limitar à reconstituição dos acontecimentos, Nolasco brinca com as próprias memórias, exagera situações e transforma experiências pessoais em pequenas fábulas atravessadas pelo humor e pelo desejo.
Há uma liberdade deliciosa na maneira como expõe fetiches, brinca com a sexualidade e faz comentários metalinguísticos, como quando promete não incluir nada de sexo explícito para agradar à distribuidora ou justifica a escolha de um ator particularmente bonito para interpretar um antigo affair pelo simples prazer visual.
Até as limitações da produção acabam incorporadas à brincadeira: impossibilitado de filmar em um dos locais onde trabalhou, Nolasco transforma a restrição em um exercício lúdico, usando um campo aberto e a interação entre atores e elementos de cena para sugerir o espaço que não pode mostrar.
O resultado é um filme que revisita a homofobia, os preconceitos e as perdas que marcaram a trajetória sem abrir mão da graça, do erotismo e da fantasia. Afinal, mesmo quando fala de pequenas tragédias, Nolasco parece mais interessado na vida que insiste em florescer apesar delas.
O post ‘Pequenas Tragédias’ transforma dores e memórias em tragicomédia queer apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil .

