A manifestação de Gabrielli vem durante a reação negativa do mercado financeiro à proposta de Lara Resende e um dia depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan , rejeitar a iniciativa publicamente. No domingo (1º.nov.2026), Durigan declarou que o governo não planeja adotar o tabelamento de taxas de juros.

No artigo “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027” , Gabrielli defendeu que o governo federal deve perseguir a queda dos juros por meio de ajuste progressivo de gastos e receitas, sem impor austeridade ao eleitorado.

Gabrielli sustentou não haver correlação direta, nas últimas décadas, entre o resultado primário e a trajetória da taxa de juros no Brasil. Na sua avaliação, elevar o superávit primário não é o instrumento adequado para reduzir os juros.

O plano defendido por Lara Resende, um dos elaboradores do Plano Real, prevê a criação de uma estrutura mais ampla do que o CMN (Conselho Monetário Nacional). O objetivo é definir metas conjuntas de política fiscal e monetária para um horizonte de 4 a 5 anos.

A proposta inclui a redução gradual da taxa Selic ao longo de 12 meses, até chegar a 7,5% ao ano, com posterior estabilização de 3% a 5,5% ao ano. Para viabilizar o plano, seria necessário alterar o modelo atual de definição dos juros pelo Banco Central.

Para ele, os juros elevados são os principais fatores por trás da expansão da dívida pública. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro, segundo os dados citados no artigo.

O economista descartou razões para alarme; a dívida líquida está em 69,3% do PIB, 90% dos débitos estão denominados em moeda nacional e o país dispõe de reservas cambiais.

Sobre a inflação, ele avaliou que a pressão sobre os preços tem origem em fatores externos, e não em excesso de demanda interna. A alta do dólar e o recuo da B3 depois do resultado eleitoral foram atribuídos pelo economista ao posicionamento do mercado financeiro, que apostava na vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e busca pautar o programa do governo eleito.

Na avaliação de Gabrielli, eventuais contenções de despesas não devem afetar o salário mínimo real, os benefícios do BPC (Benefício de Prestação Continuada), os repasses do Bolsa Família nem os pisos constitucionais da saúde e da educação. O economista defendeu a revisão de benefícios tributários ineficientes e a recuperação de créditos de grandes contribuintes.

Conheça a proposta de André Lara Resende para limitar juros;

Gabrielli defende “ajuste progressivo” sem “austeridade”,