Os democratas são favoráveis a taxar as big techs. Caso isso seja aprovado, o efeito na Bolsa será negativo. Também são favoráveis a programas que resultam em aumento dos gastos públicos. É algo que poderia levar a juros mais altos e à valorização do dólar frente ao real e a outras moedas.

Com o controle do Congresso, os democratas poderão aprovar medidas de pressão fiscal para o governo Trump. Um possível efeito seria o aumento dos juros pagos por títulos do Tesouro norte-americano, considerados referência internacional para aplicações financeiras.

Esses itens elevariam a aversão ao risco nos mercados globais, o que retira investimentos do Brasil e de outros países emergentes.

Em contrapartida, os democratas são mais alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que os republicanos. O aumento do poder do partido no Congresso reduziria a chance de novos atos hostis do presidente dos EUA, como a alta de tarifas.

“Os democratas têm maior ímpeto para regulações, então pode ter algum aumento de pressão sobre as big techs, um setor ou empresas que pagam muito pouco imposto” , disse , economista-chefe da Quantitas .

Na avaliação de Chermont, a proximidade dos democratas com o governo brasileiro pode ajudar o governo Lula, na hipótese de o partido de oposição sair fortalecido das eleições.

“Haverá um contraponto dentro dos Estados Unidos para botar o Trump mais dentro da caixinha” , afirmou.

EFEITOS PARA O TARIFAÇO

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirma que uma vitória democrata eleva a possibilidade de aprovação de mecanismos de restrição à política tarifária de Trump. Ao controlar o Legislativo, o partido poderá atuar para barrar medidas unilaterais do presidente, como elevações arbitrárias de tarifas.

Barral avalia que um desfecho com vitória democrata na Câmara e no Senado interessa a nações como Brasil, México e Canadá. “Todos esses países estão aguardando para ver qual vai ser o resultado, para saber qual é o grau de poder que o Trump ainda vai manter para adotar medidas unilaterais” , disse.

Para o ex-secretário, a reeleição de Lula e o desempenho do partido de Trump nas midterms também podem mexer com as negociações bilaterais Brasil-EUA. As conversas para reverter o tarifaço estão estagnadas desde setembro .

Lula, agora com mais 4 anos no Palácio do Planalto, deve levar aos norte-americanos discussões como regulação das big techs e minerais críticos. Isso pode levar a novos embates entre os 2 países. A disposição de Trump para negociar esses temas pode depender do nível de pressão que a Casa Branca sofrerá do Congresso.

“São temas que seguramente não vão facilitar as negociações” , declarou Barral.