“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT. E dialogar com Psol, Rede, PDT e PSB para construir uma força mais orgânica” , declarou o ex-ministro da Casa Civil em entrevista a Sérgio Roxo, do jornal O Globo , publicada nesta 3ª feira (3.nov.2026).

Segundo Dirceu, “houve uma revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil. A sociedade clamou para que Lula fizesse um governo que retratasse as forças que o elegeram na composição” .

O ex-deputado disse que Lula “tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político. O Brasil precisa de reformas, que precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário. Ele tem autoridade para liderar isso” .

Sobre a renovação do Partido dos Trabalhadores, Dirceu avaliou que o Nordeste terá representação maior. Disse que, embora a legenda só renove seu quadro dirigente em 2029, haverá um congresso e uma discussão de estatuto para repensar a nova realidade do partido. “Temos de democratizar mais o PT, melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente” , declarou.

Sobre o futuro do partido, defendeu diálogo com outras forças de esquerda e a aproximação com jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL) e com evangélicos. “Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas” , disse.

O ex-ministro falou sobre a sucessão de Lula, que completou 81 anos na semana passada. Para Dirceu, quem ocupar o lugar do presidente como líder terá “de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar” .

Ele declarou: “ O [Fernando] Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizer nada. O Lula perdeu 3 e se elegeu 4 vezes presidente”

Dirceu afirmou que os próximos líderes “ vão ter de surgir na construção do país, do próprio PT e da luta democrática”. Ele declarou que “a direita já tem nomes enfileirados” .

Questionado sobre o ajuste fiscal, Dirceu disse que o problema da dívida pública deve ser enfrentado com a redução dos juros. “Não podem pedir para o governo fazer um ajuste que vai contra os interesses da maioria que votou a favor do Lula. Uma das razões da mobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, a aposentadoria, a saúde, a educação. Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou” , declarou.