Uma tubarão-mangona chamada Howie, que vivia no National Marine Aquarium, na cidade de Plymouth, na Inglaterra, desde a inauguração do espaço em 1998, morreu após quase três décadas de convivência com funcionários e visitantes.
O animal, uma fêmea que chegou a medir 2,7 metros de comprimento, apresentou mudanças de comportamento e sinais de piora em sua condição física. Apesar dos cuidados realizados pela equipe veterinária, não houve a resposta esperada ao tratamento.
Diante desse quadro, os profissionais responsáveis decidiram realizar a eutanásia.
A morte foi comunicada pelo aquário, que pertence à organização de conservação marinha Ocean Conservation Trust, e repercutida pela BBC.
Howie era considerada uma das moradoras mais antigas da instituição e ajudou milhares de visitantes a conhecer melhor uma espécie de tubarão cuja aparência intimidadora nem sempre corresponde à maneira como se comporta.
A despedida também trouxe atenção para a situação do tubarão-mangona, espécie que ocorre no litoral brasileiro e enfrenta sérias ameaças à sobrevivência.
Tubarão vivia no aquário desde sua inauguração em 1998
Howie acompanhou praticamente toda a história do National Marine Aquarium.
A fêmea chegou ao local no ano em que a instituição abriu suas portas e permaneceu ali por quase 30 anos.
Durante esse período, passou por diferentes ambientes dentro do aquário. Inicialmente, ocupava um tanque inspirado na Grande Barreira de Coral, ecossistema australiano conhecido pela diversidade de espécies marinhas.
Posteriormente, foi transferida para o habitat temático do Oceano Atlântico, onde continuou crescendo e se tornou uma das atrações mais conhecidas do espaço.
Com aproximadamente 2,7 metros de comprimento, Howie chamava atenção pelo corpo robusto, pelos movimentos tranquilos e, principalmente, pela boca repleta de dentes pontiagudos.
A aparência impressionava quem observava o animal pela primeira vez.
Entretanto, os funcionários destacavam que sua presença ajudava a combater ideias equivocadas sobre os tubarões.
Ao longo dos anos, crianças, estudantes e turistas tiveram a oportunidade de observar de perto um predador marinho frequentemente retratado de maneira assustadora.
Mudanças de comportamento levaram à decisão veterinária
Segundo as informações divulgadas pelo aquário, a equipe começou a perceber alterações no comportamento e na condição física de Howie.
Os profissionais acompanharam a situação e realizaram intervenções clínicas na tentativa de melhorar sua saúde.
No entanto, o animal não apresentou resposta satisfatória aos cuidados.
A instituição informou que, diante da ausência de melhora, foi tomada a decisão de realizar a eutanásia.
O procedimento é considerado em situações nas quais a equipe veterinária avalia que a continuidade da vida pode representar sofrimento sem perspectiva razoável de recuperação.
O comunicado não detalhou a doença específica que afetou Howie nem divulgou todos os tratamentos realizados.
Por isso, não é possível afirmar que sua morte tenha sido causada exclusivamente pela idade.
O que se sabe é que a fêmea estava próxima dos 30 anos e apresentava um quadro clínico que não respondeu às intervenções.
Para os funcionários, a despedida representou a perda de um animal que fazia parte da rotina da instituição desde o começo de suas atividades.
Por que o tubarão-mangona parece tão assustador?
Howie pertencia à espécie Carcharias taurus , conhecida no Brasil como tubarão-mangona.
Uma de suas características mais marcantes são os dentes longos e pontiagudos, que podem permanecer visíveis mesmo quando a boca está fechada.
Essa aparência faz com que muitas pessoas associem o animal imediatamente ao perigo.
No entanto, a espécie não está entre as mais frequentemente relacionadas a incidentes graves com seres humanos.
O tubarão-mangona é um predador que se alimenta principalmente de outros animais marinhos, incluindo peixes.
Seu comportamento também é bastante diferente da imagem de ataques constantes difundida por algumas produções cinematográficas.
Isso não significa que seja um animal inofensivo. Como qualquer grande predador selvagem, exige respeito e distância adequada.
A diferença está em compreender que a aparência dos dentes não determina, sozinha, o nível de risco para as pessoas.
Foi justamente essa distinção que o National Marine Aquarium procurou apresentar ao público durante os anos em que Howie viveu na instituição.
Espécie está criticamente ameaçada de extinção
Além da aparência peculiar, o tubarão-mangona apresenta características biológicas que tornam sua conservação especialmente importante.
A espécie possui um sistema reprodutivo incomum.
Durante o desenvolvimento dos filhotes no interior da mãe, embriões mais desenvolvidos podem se alimentar de ovos e até de outros embriões.
Esse fenômeno é conhecido como canibalismo intrauterino.
Como resultado, o número de filhotes que chegam ao nascimento é bastante reduzido.
A baixa capacidade de reprodução dificulta a recuperação das populações quando muitos indivíduos adultos são retirados do ambiente.
Entre as principais ameaças estão a pesca direcionada, a captura acidental em equipamentos pesqueiros e a degradação de habitats marinhos.
A espécie é classificada globalmente como criticamente ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
Isso significa que enfrenta risco extremamente elevado de extinção na natureza.
Por esse motivo, cada iniciativa de educação ambiental que ajude a reduzir a perseguição indiscriminada aos tubarões tem importância para os esforços de conservação.
Animal também pode ser encontrado no litoral brasileiro
Embora a história de Howie tenha acontecido na Inglaterra, o tubarão-mangona não é desconhecido dos mares brasileiros.
A espécie ocorre em áreas do litoral do país, especialmente em ambientes costeiros utilizados para alimentação e deslocamento.
Seu corpo robusto e a dentição característica permitem diferenciá-la de muitos outros tubarões.
Assim como acontece em outras regiões do mundo, a população brasileira enfrenta pressões relacionadas à atividade pesqueira e às alterações ambientais.
Uma das maiores dificuldades para a conservação é a reprodução relativamente lenta.
Quando indivíduos adultos são capturados em grande quantidade, a população pode levar muito tempo para se recuperar.
A situação também reforça a necessidade de distinguir as diferentes espécies de tubarão.
Nem todas apresentam os mesmos hábitos, ocupam os mesmos ambientes ou representam os mesmos riscos.
Conhecer essas diferenças ajuda a orientar políticas de proteção e a evitar reações motivadas apenas pelo medo.
A história de Howie oferece uma oportunidade para ampliar esse conhecimento entre os brasileiros.
Dois tubarões continuam vivendo no aquário
Apesar da perda de Howie, o National Marine Aquarium informou que outros dois tubarões-mangona permanecem no habitat dedicado ao Oceano Atlântico.
Os animais são chamados Ushaka e Mandela.
A instituição pretende continuar utilizando a presença deles para apresentar informações sobre a espécie e os desafios de sua conservação.
Durante quase três décadas, Howie desempenhou esse papel.
Seu tamanho, seus dentes e sua maneira de nadar despertavam a curiosidade de visitantes de diferentes idades.
Ao mesmo tempo, permitiam que educadores explicassem como esses animais vivem e por que precisam ser protegidos.
Para a equipe, essa contribuição fez da fêmea uma verdadeira embaixadora de sua espécie.
A morte encerra uma trajetória longa dentro do aquário, mas não interrompe o trabalho educativo realizado pela instituição.
A despedida de Howie deixa um alerta sobre os tubarões
A morte de um animal que viveu quase 30 anos sob acompanhamento humano naturalmente provoca comoção entre aqueles que conviveram com ele.
No caso de Howie, a despedida também chama atenção para uma questão maior: a situação dos tubarões nos oceanos.
Apesar de frequentemente aparecerem como ameaças em filmes e notícias, muitas espécies estão vulneráveis às atividades humanas.
A pesca excessiva, a destruição de ambientes costeiros e a dificuldade de recuperação populacional colocam diferentes grupos em risco.
O tubarão-mangona é um exemplo dessa realidade.
Sua reprodução limitada torna especialmente importante preservar indivíduos adultos e reduzir mortes evitáveis.
Ao longo de sua vida, Howie permitiu que visitantes observassem um animal que costuma ser visto com receio, mas que desempenha uma função importante nos ecossistemas marinhos.
A equipe do aquário agradeceu a compreensão do público diante da perda.
Enquanto Ushaka e Mandela continuam nadando no tanque atlântico, a história de Howie permanece associada ao trabalho de conscientização sobre uma espécie ameaçada que também faz parte da biodiversidade brasileira.
A despedida da fêmea de 2,7 metros deixa uma lembrança importante: os tubarões não precisam apenas ser compreendidos como predadores, mas também reconhecidos como animais que necessitam de proteção.

