# França: alunos retomam bloqueios após fim das férias; por que protestos persistem?

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mundo/franca-alunos-retomam-bloqueios-apos-fim-das-ferias-por-que-protestos-persistem/)
- Publicado em: 2026-11-03T11:34:54.000Z
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> PARIS — Estudantes franceses retomaram os bloqueios de escolas e universidades após duas semanas de férias escolares, em uma nova tentativa de pressionar o governo por mudanças na educação. As mobilizações foram registradas em diferentes…

As organizações estudantis também convocaram novos atos nesta terça-feira (3) e anunciaram adesão à greve nacional prevista para quinta-feira (5).

A retomada acontece uma semana depois de o governo de Sébastien Lecornu anunciar um pacote de medidas para atender às reivindicações. Os estudantes, porém, consideram as respostas insuficientes, principalmente diante dos problemas estruturais das escolas e universidades e dos prazos previstos para a implementação das mudanças.

O movimento começou em setembro, em uma escola de Créteil, na periferia de Paris, após professores denunciarem a falta de profissionais. Em 17 de setembro, docentes do Lycée Saint-Exupéry entraram em greve. No dia seguinte, cerca de 200 estudantes bloquearam o estabelecimento em apoio aos professores.

As primeiras manifestações denunciavam vagas não preenchidas, falta de substitutos e dificuldades para garantir o funcionamento das atividades escolares. Com a circulação de imagens dos bloqueios nas redes sociais, os protestos se espalharam para outras regiões e passaram a reunir estudantes do ensino médio e universitários.

A pauta também cresceu. Além da contratação de professores, os estudantes passaram a exigir redução do número de alunos por sala, reformas nas escolas, mais profissionais de saúde e assistência social e mudanças na organização dos horários escolares.

No ensino superior, uma das principais reivindicações é o fim de Parcoursup, plataforma utilizada para organizar o ingresso nas universidades francesas. As organizações estudantis criticam os mecanismos de seleção, a falta de transparência nos critérios de admissão e a quantidade insuficiente de vagas.

A mobilização também incorporou demandas relacionadas ao custo de vida, como ampliação das bolsas e da oferta de moradia estudantil.

Governo tenta reagir

O governo começou a apresentar respostas durante outubro, depois de semanas de manifestações e bloqueios. Uma das primeiras iniciativas foi mobilizar professores substitutos para atender aos estabelecimentos com maior déficit de profissionais.

Segundo o Ministério da Educação, o número de liceus em situação mais crítica pela falta de substituições caiu de 114 para 21 até o início das férias de outubro. O governo também informou ter contratado mais da metade dos 920 professores temporários previstos em seu plano emergencial.

Em 26 de outubro, os ministros da Educação, Édouard Geffray, e do Ensino Superior, Philippe Baptiste, anunciaram um pacote mais amplo. Entre as medidas estão a criação de 500 postos adicionais de professores a partir de 2027, outros 500 profissionais de apoio, incluindo psicólogos e enfermeiros, e a abertura de 15 mil vagas adicionais no ensino superior.v

O governo também prometeu substituir Parcoursup em 2028, limitar inicialmente a 28 o número de alunos nas turmas do primeiro ano do lycée em estabelecimentos mais vulneráveis e disponibilizar € 4 bilhões em empréstimos com juros favorecidos para reformas de escolas.

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As mudanças, entretanto, têm prazos diferentes de execução. Parte das medidas depende do orçamento de 2027, enquanto outras só devem produzir efeitos a partir de 2028.

É justamente nesse intervalo entre os anúncios e os resultados que se concentra parte da insatisfação estudantil. As organizações afirmam que os problemas enfrentados diariamente nas instituições de ensino exigem respostas mais rápidas.

A intersindical que reúne entidades como a União Sindical dos Liceus (USL), a União Nacional dos Estudantes da França (UNEF), a FAGE e a Union Étudiante estima em € 10 bilhões os recursos necessários para atender às reivindicações.

A diferença também aparece na discussão sobre o acesso às universidades. Enquanto o governo anunciou 15 mil vagas adicionais, as organizações estudantis reivindicam a criação de 250 mil. Além disso, defendem a abolição dos mecanismos de seleção associados a Parcoursup, enquanto o governo propõe substituir a plataforma e tornar mais transparentes os critérios de admissão.

Retorno dos bloqueios amplia pressão

Na volta às aulas, os estudantes retomaram as ações em diferentes regiões. Em Marselha, houve bloqueios em estabelecimentos de ensino médio. Em Toulouse, estudantes anunciaram novas mobilizações, enquanto em Lyon manifestações e concentrações atingiram escolas e instituições de ensino superior.

Em Paris, organizações estudantis convocaram uma manifestação para esta terça-feira (3). A estratégia das organizações é ampliar novamente a articulação com outros setores da sociedade. Para quinta-feira (5), estudantes anunciaram participação em uma jornada nacional de greve que também envolve trabalhadores do setor público e privado, com reivindicações relacionadas ao poder de compra e à qualidade dos serviços públicos.

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