O preço-alvo do ADR BBD, contudo, foi reduzido de US$ 5,50 para US$ 4,75, o que corresponde a uma alta de 85% em relação ao último fechamento.
A avaliação contrasta com o movimento recente de outras instituições financeiras. Nas últimas semanas, o Bradesco foi alvo de uma sequência de revisões negativas por parte de grandes bancos de investimento. Citi, JPMorgan e Itaú BBA rebaixaram recentemente suas recomendações para o banco após a eleição , citando preocupações com o cenário fiscal, juros elevados e perspectivas mais difíceis para o setor financeiro doméstico.
Para o Morgan Stanley, porém, a intensidade da correção já parece descolada dos fundamentos da companhia. O banco destaca que o Bradesco negocia a apenas 0,7 vez seu valor patrimonial, próximo ao menor nível da última década, mesmo apresentando retorno sobre patrimônio (ROE) de 16,6%. Segundo os analistas, historicamente um nível de rentabilidade semelhante justificaria múltiplos significativamente mais elevados.
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O relatório ressalta ainda que o desconto em relação ao Itaú Unibanco ( ITUB4 ) alcançou níveis recordes. Atualmente, o Bradesco negocia com desconto de 62% em termos de preço sobre valor patrimonial frente ao rival, o maior dos últimos dez anos. Para o Morgan Stanley, essa diferença não encontra respaldo proporcional na diferença de rentabilidade entre as duas instituições.
Os analistas afirmam que o mercado parece precificar um cenário excessivamente pessimista. Como comparação, o banco relembra o período de 2015 e 2016, durante a recessão brasileira e a crise política que culminou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Mesmo naquele ambiente, marcado por retração econômica e juros elevados, o Bradesco chegou a negociar próximo de uma vez seu valor patrimonial, acima dos atuais 0,7 vez observados hoje.
Outro ponto destacado é a transformação operacional em curso na instituição. O Morgan Stanley avalia que a digitalização, o fechamento de agências e os programas de eficiência devem continuar gerando redução de custos nos próximos anos. Além disso, o banco tem tornado sua carteira de crédito mais conservadora, com maior participação de linhas garantidas, como crédito consignado, financiamento imobiliário e crédito para veículos.
Na visão da casa, essas iniciativas ajudam a proteger os resultados mesmo em um cenário de desaceleração econômica.
Embora reconheça os riscos associados ao quadro macroeconômico, incluindo atividade mais fraca, piora da inadimplência e incertezas fiscais, o Morgan Stanley considera que o preço atual das ações já embute grande parte dessas preocupações e oferece uma relação risco-retorno atrativa para investidores dispostos a atravessar a volatilidade de curto prazo.
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