# Brasil encerra presidência da COP, entrega mapas do caminho e cobra ação

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/brasil-encerra-presidencia-da-cop-entrega-mapas-do-caminho-e-cobra-acao/)
- Publicado em: 2026-11-03T13:16:39.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1491411-brasil-encerra-presidencia-da-cop-entrega-mapas-do-caminho-e-cobra-acao

> Após anos de negociações climáticas que resultaram em ⁠compromissos ambiciosos, mas em ações limitadas, o Brasil encerra sua presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas ⁠para Mudanças do Clima, a COP30, com a entrega dos prometidos…

Está na hora, disse o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, de entrarem na mesa de negociação os ministros de Finanças, de Infraestrutura e de Transportes.

&#8216;Nós ‌não precisamos de mais negociação. O que precisamos é que os governos comecem um movimento. É preciso mudar completamente a maneira como os governos lidam com a mudança climática. Para implementar, nós precisamos na mesa dos ministros de Finanças, de Infraestrutura e de Transportes&#8217;, afirmou em entrevista à Reuters.

Os dois temas, transição energética e desmatamento, foram negociados e acordados nas Conferências Climáticas como passos essenciais para tentar manter o aquecimento global em 1,5 grau Celsius &#8211; uma meta que muitos cientistas já consideram impraticável. Mas, apesar dos acordos, o caminho para ambos tropeça em dificuldades diversas.

O primeiro, na falta de disposição de alguns países produtores de petróleo ⁠em ‌investir em uma área que deixa de lado seu principal produto econômico. Já o controle de desmatamento sofre com a falta de financiamento.

Os mapas são uma ⁠tentativa de incentivar os países a fazer o diagnóstico de seus problemas e adotarem medidas dentro das suas realidades.

Na transição energética, o mapa propõe que, até 2028, quando será feito o segundo balanço global, os países façam seus diagnósticos, resolvam questões regulatórias de fortalecimento institucional e façam seus planejamentos.

Até 2030, quando devem ser apresentadas as novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), devem ser iniciadas as mudanças de infraestrutura e sistemas de energia renovável, para que na terceira etapa, entre 2031 e 2033, quando acontece o terceiro balanço global, ocorra um aumento massivo de oferta de energia renovável, ​com substituição direta dos combustíveis fósseis e a consolidação de uma matriz de energia limpa.

A capacidade global de energia renovável atingiu um recorde de 5.149GW (gigawatts) no final de 2025, um aumento de 692GW em relação a 2024, segundo dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

No entanto, diz ​o mapa, a maior parte da energia limpa que surgiu nos últimos anos vem sendo usada para suprir novas demandas, e não para substituir os combustíveis fósseis.

Em 2023, mais de cem países na cúpula climática COP28, em Dubai, concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável até 2030. Em Belém, durante a COP30, o governo brasileiro, apoiado pelos europeus, propôs que um mapa do caminho para a transição energética fosse incluído nas negociações.

No entanto, depois de terem sido atropelados com a ajuda dos Estados Unidos &#8211; ainda no governo de Joe Biden &#8211; para aprovar a transição energética em Dubai, países produtores de ‌petróleo do Oriente Médio se recusaram a aceitar que o mapa do caminho entrasse no documento final ​de Belém.

&#8216;Nós (Brasil) nos oferecemos para fazer esse documento porque são temas importantes, mas que não têm acordo para entrar na agenda de negociações. Não teve acordo esse ano de novo&#8217;, disse Corrêa do Lago. &#8216;Mas minha opinião é que não precisa ser negociado de novo, porque essa negociação já aconteceu. É preciso implementar&#8217;, completou.

A falta de acordo também impediu que o mapa ⁠do caminho para enfrentar o desmatamento, outra proposta brasileira, entrasse no ​documento final de Belém &#8211; dessa vez, pela ​eterna disputa sobre financiamento, a maior lacuna na implementação de proposta para proteger as florestas.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o financiamento florestal anual precisa sair ⁠dos US$84,5 bilhões investidos em 2023 para mais de US$300 bilhões por ano ​até 2030.

Hoje, a maior parte dos recursos vem dos orçamentos públicos nacionais, 88,3%, enquanto o financiamento público internacional representa apenas 3,4%.

&#8216;A maioria das florestas tropicais está localizada em países em desenvolvimento; portanto, o ônus da maior parte da conservação e do uso sustentável das florestas recai sobre seus orçamentos nacionais&#8217;, diz o documento.

Nas alternativas para aumentar o financiamento, ​o mapa coloca a operacionalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), um fundo soberano proposto pelo Brasil e cujos rendimentos seriam pagos a países com florestas tropicais como mecanismo complementar de pagamento contínuo para evitar o desmatamento.

O fundo, que ​ainda não chegou na meta de US$10 bilhões ⁠de contribuições prevista para dezembro &#8211; está em US$7,6 bilhões -, diz Corrêa do Lago, é apenas um dos pontos destacados no mapa.

Entram ainda o fortalecimento de Pagamentos por Resultados (REDD+), mercados de carbono, garantia de ⁠acesso direto ao financiamento para Povos Indígenas e Comunidades Locais, uso de instrumentos de alívio de dívida, emissão de Special Drawing Rights (SDRs) e tributações solidárias.

&#8216;O financiamento público vindo de países desenvolvidos é absolutamente fundamental, mas dispomos de uma forma muito mais sofisticada e diversificada de financiar as diversas atividades que reduziriam o desmatamento&#8217;, afirmou o presidente da COP30.

&#8216;Essa é, na minha opinião, uma das grandes qualidades do roteiro sobre o desmatamento: acredito que ele explique muito bem a complexidade do combate ao desmatamento. Não é uma tarefa fácil e não se trata apenas de financiamento, mas o financiamento é uma parte central desse processo.&#8217;, completou.

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