# Entidade diz que 36% dos FIIs podem estar classificados incorretamente; entenda

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/onde-investir/entidade-diz-que-36-dos-fiis-podem-estar-classificados-incorretamente-entenda/)
- Publicado em: 2026-11-03T19:40:52.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1496481-entidade-diz-que-36-dos-fiis-podem-estar-classificados-incorretamente-entenda

> A falta de padronização na classificação dos fundos imobiliários brasileiros pode dificultar a análise do setor por investidores estrangeiros e limitar a entrada de capital no mercado nacional.

Para enfrentar esse problema, a LAREAL (Latin America REITs Association) lançou uma metodologia que estabelece critérios para identificar a atividade efetivamente desempenhada pelos FIIs.

A proposta utiliza exclusivamente as demonstrações financeiras auditadas dos fundos para determinar sua classificação. A intenção é substituir os diferentes critérios adotados por entidades de mercado, portais e casas de análise por uma referência comum, baseada em dados verificáveis e atualizada periodicamente.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do setor. Segundo dados da B3 citados pela associação, o número de investidores em fundos imobiliários passou de aproximadamente 630 mil, no fim de 2019, para mais de 3,3 milhões em setembro de 2026. As pessoas físicas detêm atualmente 72,5% das cotas.

Apesar desse crescimento, não existe um critério compartilhado para definir a categoria de cada fundo. Enquanto algumas classificações consideram o mandato previsto no regulamento, outras utilizam relatórios gerenciais ou apresentações das gestoras. Além disso, os critérios e a frequência de atualização variam entre as instituições.

Na avaliação da LAREAL, o mandato de um fundo nem sempre representa sua atividade efetiva. Um FII multiestratégia, por exemplo, pode concentrar seus investimentos em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) durante períodos de juros elevados, passando a ter resultados predominantemente relacionados ao crédito imobiliário. Operações de troca de cotas e fusões também podem alterar a composição dos portfólios ao longo do tempo.

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Nova classificação dos FIIs: 36% dos fundos poderiam mudar de categoria

Ao aplicar a metodologia aos 303 fundos imobiliários negociados em bolsa em outubro de 2026, a LAREAL identificou que 113 deles, ou 36% do total, teriam uma classificação diferente daquela associada ao mandato original.

A associação argumenta que a ausência de uma linguagem comum dificulta a comparação dos ativos por investidores estrangeiros. Fundos passivos globais, que acompanham índices de mercado, utilizam critérios próprios de composição, atividade e elegibilidade. Assim, um FII que não seja facilmente enquadrado nessas categorias pode ficar fora do radar desses investidores.

A padronização também pode beneficiar os investidores brasileiros. Com uma classificação baseada na atividade efetiva do fundo, fica mais fácil identificar se os resultados vêm principalmente de aluguéis, juros de crédito imobiliário ou investimentos em cotas de outros FIIs.

A informação também ajuda a avaliar a exposição a indexadores, como CDI e inflação, e a comparar dividend yields entre fundos de características semelhantes.

Como funciona a metodologia da LAREAL?

A classificação está estruturada em três pilares. O primeiro é a utilização de uma base documental única: as últimas demonstrações financeiras auditadas publicadas pelo fundo. A metodologia estabelece uma hierarquia de informações, priorizando os resultados do exercício discriminados por origem econômica e, quando esses dados não estão disponíveis, recorrendo à composição dos ativos.

Relatórios gerenciais, sites e cadastros de terceiros não são considerados na definição da categoria. Segundo a associação, a escolha busca garantir que diferentes analistas, utilizando os mesmos documentos, cheguem ao mesmo resultado.

O segundo pilar é a chamada regra dos 75%. A atividade responsável por pelo menos 75% do resultado imobiliário anual determina a classificação principal do fundo. As categorias previstas são:

Tijolo: fundos cuja principal fonte de resultado é a receita de aluguel dos imóveis;

Papel: fundos com resultados provenientes principalmente de juros de crédito imobiliário;

Fundo de Fundos: veículos cuja atividade predominante é o investimento em cotas de outros FIIs;

Desenvolvimento: fundos que obtêm resultados principalmente com a venda de imóveis em estoque;

Multiestratégia: fundos em que nenhuma das atividades anteriores alcança individualmente o limite de 75%.

A metodologia também prevê subclasses para detalhar a exposição de cada veículo. Nos fundos de tijolo, por exemplo, a classificação considera o segmento dos imóveis, como logística, escritórios ou shopping centers.

Nos fundos de papel, identifica o indexador predominante da carteira de crédito, como CDI ou inflação. Já nos multiestratégia, considera o bloco de maior peso entre imóveis, crédito e cotas de outros fundos.

Assim, um fundo lançado como multiestratégia que obtenha 80% de seu resultado com CRIs e tenha pelo menos 75% da carteira de crédito atrelada a índices de inflação passaria a ser classificado como Papel–Inflação, explica Vitor Peres, matemático, analista de dados e responsável pela elaboração da metodologia na LAREAL.

O terceiro pilar é a revisão periódica. A classificação será atualizada anualmente, com possibilidade de revisão extraordinária em caso de eventos relevantes. Para evitar mudanças frequentes em razão de pequenas oscilações, a regra estabelece que um fundo só deixa uma categoria se permanecer abaixo de 70% do limite por dois anos consecutivos, embora possa ingressar nela ao atingir 75%.

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Classificação busca aproximar FIIs brasileiros do padrão internacional

A metodologia também estabelece correspondências entre as categorias brasileiras e classificações utilizadas no mercado internacional.

Os fundos de tijolo se aproximam dos chamados Equity REITs , enquanto os fundos de papel correspondem aos Mortgage REITs. Já os multiestratégia têm como referência os Diversified REITs.

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