Virtualmente rebaixado, o Avaí precisa de um milagre para se manter na Série B do Brasileiro na próxima temporada. Nesta terça-feira, Bernardo Pessi, presidente do clube, convocou uma entrevista coletiva para, além de assumir a responsabilidade e pedir desculpas ao torcedor, falar sobre os próximos passos do Leão da Ilha.
— Independentemente de permanecer na Série B ou não, vamos continuar as mudanças estruturais e fundamentais que o Avaí precisa. A principal é uma alteração muito grande no quadro de funcionários. Vamos fazer uma reforma administrativa em todos os escalões da Ressacada. Vamos ter uma redução substancial para que a gente consiga fazer mais investimentos no futebol. Ainda temos o campeonato em curso, ainda temos obrigações para resolver esse ano, mas não vamos esperar para dar os próximos passos. Junto da Kactus, vamos sanar as pendências com todos.
— O que precisamos é ter sucesso desportivo, o que não vai ser fácil e não vou fazer nenhuma promessa. O que tornaria 2027 grande, e o que eu quero que aconteça, é um ano sem pendências, terminar o ano íntegro. Isso é muito desafiador no cenário que o Avaí se encontra. Esse é o compromisso que me sujeito a fazer.
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Neste ano, apesar de corte do gastos e os aportes da Kactus Capital, o Avaí teve déficit de cerca de R$ 23 milhões até agosto. Na coletiva, Bernardo Pessi citou algumas novas fontes de receitas para o próximo ano, para além do dinheiro que será injetado na SAF do Avaí.
— O mote principal de 2027 em relação a receitas é a SAF. De qualquer modo, todas as iniciativas vêm sendo tomadas durante o ano, tivemos um acréscimo de receitas, entraram mais recursos nesse ano do que normalmente entrava. O projeto do loteamento está em curso, não foi desistido, ele está em vias de se concluir e a gente fazer a apresentação ao torcedor.
— E também temos que começar a olhar para o cenário bet. Hoje de manhã teve uma audiência com o ministro Luiz Fux, do STF, o Avaí estava representado por um dos nossos advogados. Isso vai dar um tom muito grande do que vai acontecer nas receitas de todos os clubes, inclusive, em relação a receitas de televisão. A gente já tem alguns contratos engatilhados para patrocínios em camisas no ano que vem, porque vamos ter desafios financeiros não importa a divisão que a gente dispute.
— Veio bastante dinheiro, mais de R$ 5 milhões, é muita coisa e já dá uma conotação do quão grande é o problema do Avaí, que R$ 5 milhões não são suficientes — disse em relação aos aportes da Kactus.
Veja os trechos mais importantes da coletiva
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Eu não posso, infelizmente, transmitir informações em relação a salário e questão financeira, em razão pelas regras que o clube está submetido e as consequências que podemos sofrer. Peço desculpas, mas estou buscando fazer uma defesa da instituição como um todo.
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Como resolver as pendências de 2026?
A precisa olhar para o quadro de funcionários, ver o tamanho, primeiro em quantidade, depois em qualidade, do que temos feito aqui. A reforma administrativa, pra mim, pode ser o primeiro passo para que a gente possa projetar 2027.
Erros da gestão
Diferente de mim, os presidentes anteriores tiveram dinheiro. Talvez gerir com dinheiro seja mais difícil, porque tu tem mais opções. A maior diferença dos erros que eles cometeram, pros erros que eu cometi e cometo, é que eles tiveram opções e dinheiro, e fizeram as escolhas que fizeram. Do meu lado, sem dinheiro, eu tenho menos opções e, por consequência, eu tô sujeito a mais erros porque a gente faz o que dá, do jeito que dá. São erros de contratação, de demissões de treinadores, folha salarial.
Elenco para 2027
A formação do elenco vai depender da série que estivermos disputando, são cenários totalmente diferentes. Não vou confirmar permanência de ninguém, precisamos concluir o campeonato.
O Marquinhos Santos, se depender de mim, fica no Avaí.
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Leandro Boeira/Avaí F.C.
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A Kactus segue motivada no projeto Avaí?
Todos estamos preocupados com tudo que tem acontecido, isso não significa que o projeto está frágil ou que vão desistir. Temos um decréscimo de receitas substancial, um impacto no negócio como um todo, mas a desistência nunca foi nos posicionada. Pelo contrário, sempre há iniciativa do investidor em conversar.
A Kactus está vendo uma forma de, injetando dinheiro do próprio bolso, levar o Avaí na Série A de forma sustentável. E lá, quando estabilizar, se tornar viável. Essa é uma vertente. A outra está relacionada à categoria de base. O Avaí tem um histórico positivo, esse ano triplicamos a quantidade de atletas de base na categoria principal, um pouco por necessidade e outra parte por princípio.
A Kactus tá projetando a longo prazo fazer o crescimento sustentável do clube até ele conseguir gerar lucro pra empresa, dividendos.
O patrimônio do clube está em alguma negociação futura da SAF?
Tudo que foi aprovado no Conselho Deliberativo e sócios permanece rígido, não tem envolvimento de nenhum imóvel ou patrimônio à SAF. O que existe é a possibilidade de, se o Avaí ganhar um centro de treinamento novo, o Avaí pode empreender de alguma forma. Seria uma forma de receita muito interessante.
Seriam dois coelhos com uma cajadada só. A gente teria um centro de treinamento novo, moderno, que a gente precisa de um investimento nesse aspecto, e, ao mesmo tempo, uma solução de ingresso de receita.
O terreno não vai ser vendido para a Kactus empreender, é uma possibilidade do Avaí, com a Kactus ou outro investidor, criar uma alternativa para que esse terreno possa gerar algum tipo de receita para o clube. O máximo de receita que pode sair dali para a Kactus é o limite da dívida. Depois de pagar a dívida, todo o dinheiro que vem entra no clube, na Associação.
Estamos olhando para terrenos, tentando viabilizar projetos que possam beneficiar o Avaí nesse sentido. Se isso de fato acontecer vai ser um ganho muito grande para a instituição.
Agenda do Leão
Avaí x São Bernardo | 07/11 | 16h | Ressacada
América-MG x Avaí | 14/11 | 16h30 | Independência
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