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Wi-Fi, fornos de micro-ondas e radiografias envolvem ondas eletromagnéticas. Herin Okano e Leopoldo Araújo, professores de Física do Colégio Nacional, recomendam relacionar essas aplicações às propriedades das ondas na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026.

Os professores destacam as habilidades 1 e 22 de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Elas envolvem as propriedades dos fenômenos ondulatórios e a interação entre radiação e matéria, com seus usos e implicações biológicas, sociais e ambientais.

Como funciona o espectro eletromagnético

Ondas eletromagnéticas são oscilações de campos elétricos e magnéticos. No vácuo, propagam-se à velocidade da luz, cerca de 300 mil quilômetros por segundo. Nesse meio, quanto maior a frequência, menor o comprimento de onda e maior a energia de cada fóton.

Em ordem crescente de frequência, o espectro reúne ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama. Herin e Leopoldo recomendam conhecer essa sequência e associar uma ou duas aplicações a cada faixa.

Ondas presentes no cotidiano

Ondas de rádio e micro-ondas participam de tecnologias como rádio, televisão, celular, Wi-Fi, GPS e radares. No forno de micro-ondas, a interação da radiação com moléculas dos alimentos, especialmente as de água, transforma energia eletromagnética em calor.

O infravermelho aparece em controles remotos, câmeras térmicas e termômetros de testa, além da transmissão de dados por fibras ópticas. A luz visível é a faixa percebida pelos olhos e também está presente em leitores de códigos de barras e em algumas aplicações de lasers.

O ultravioleta pode ser empregado na desinfecção, especialmente na faixa UV-C, e também pode causar danos à pele. Raios X permitem obter radiografias e tomografias porque são absorvidos de modo diferente pelos tecidos. Já os raios gama têm aplicações na medicina nuclear e na esterilização de materiais hospitalares.

Da formação de imagens à radioterapia

Os professores também relacionam o conteúdo à oncologia. Modalidades de radioterapia utilizam raios X de alta energia ou raios gama para danificar o DNA das células tumorais e reduzir sua capacidade de multiplicação. O planejamento busca concentrar a dose no tumor e limitar a exposição dos tecidos saudáveis.

A ressonância magnética, por sua vez, combina campos magnéticos e ondas de rádio, sem utilizar radiação ionizante. Ao comparar tecnologias, os professores orientam observar tanto os benefícios quanto os cuidados. Tempo de exposição, distância e blindagem são princípios da proteção radiológica.

Conexões em sala de aula

“Me surpreendi com a aplicação da radiação de micro-ondas nas telecomunicações, com os sinais de celular e transmissão por antenas”, relata o estudante Gabriel Moreira Silva.

Paulo Régis, professor de Química e estudante de Medicina, também destaca o uso das ondas eletromagnéticas no diagnóstico e cita exames da tireoide com radioisótopos de iodo. Nesse tipo de exame, a detecção da radiação permite avaliar a captação do material e o funcionamento do tecido tireoidiano.

O que revisar para a prova

Na preparação, Herin e Leopoldo recomendam comparar frequência e comprimento de onda e aplicar a relação v = λ · f, em que v é a velocidade de propagação, λ é o comprimento de onda e f é a frequência. Com a velocidade constante no vácuo, dobrar a frequência reduz o comprimento de onda à metade.

Também é importante reconhecer raios X e gama como radiações ionizantes e distinguir suas propriedades das ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho e luz visível, que são não ionizantes. A análise deve considerar a faixa do espectro, sua aplicação e os efeitos da interação com a matéria.

“Treine com figuras e tabelas, e estude pelo cotidiano: escolha um objeto da sua casa e descubra qual onda ele usa. Diante de um texto, pergunte-se: qual faixa do espectro? Para que serve? Qual o benefício e qual o cuidado?”, recomendam.