O forte mau cheiro na Lagoa da Jansen, um dos principais pontos turísticos de São Luís, tem provocado reclamações de moradores, comerciantes e visitantes. Segundo especialistas, o problema está relacionado ao acúmulo de matéria orgânica, ao despejo irregular de esgoto e à dificuldade de renovação da água, principalmente no período sem chuvas.
A situação também preocupa quem trabalha na região. Moradores e comerciantes relatam que o odor dificulta a permanência de visitantes no local e prejudica as atividades comerciais. Um grupo formado por moradores e empresários, chamado Amigos da Lagoa da Jansen, cobra medidas do poder público para recuperar a área.
Em entrevista à TV Mirante, o oceanógrafo Leonardo Soares explicou que o lançamento de esgoto ao longo de décadas provocou o acúmulo de sedimentos e matéria orgânica na lagoa. Segundo ele, durante os meses de ventos mais intensos, parte desse material é movimentada, o que favorece a liberação de gases responsáveis pelo mau cheiro.
O especialista explicou que, quando a decomposição da matéria orgânica ocorre sem a presença de oxigênio, há liberação de gás sulfídrico, responsável pelo odor semelhante ao de ovo podre.
Esgoto e falta de renovação da água
Mau cheiro na Lagoa da Jansen incomoda moradores e afasta turistas em São Luís
A Lagoa da Jansen é uma laguna costeira urbana com características de manguezal. Ao longo dos anos, a expansão da cidade, a construção de avenidas e os aterros reduziram a comunicação natural da lagoa com o mar e o rio, o que dificulta a renovação da água e a dispersão dos poluentes.
Segundo Leonardo Soares, o problema é agravado pelo despejo de esgoto na região. Parte dos resíduos chega à lagoa por meio das redes de drenagem, que também recebem ligações clandestinas de esgoto.
Para o oceanógrafo, a primeira medida necessária é interromper o lançamento de esgoto no local e encaminhar os resíduos para tratamento.
"Mas se não cortar o esgoto, não haverá mudança em relação ao cheiro", afirmou.
O especialista também defende a identificação dos pontos de despejo irregular, a implantação de um sistema de captação de esgoto, o uso de técnicas de biorremediação e melhorias na circulação da água.
Segundo ele, a solução depende de projetos e investimentos, além da atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipal.
Poluição também ameaça os peixes
Além do mau cheiro, a poluição da Lagoa da Jansen também preocupa pelos impactos na biodiversidade.
Uma pesquisa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) identificou sinais de contaminação por microplásticos em peixes da região. O estudo encontrou mais de 300 fragmentos em 16 exemplares de pirapema analisados.
Segundo especialistas, o problema está associado ao descarte de lixo e às condições precárias de saneamento.
A lagoa ainda abriga espécies de peixes e mantém atividades de pesca, que também podem ser afetadas pela poluição.
Moradores cobram melhorias
Diante dos problemas, moradores e empresários criaram o grupo Amigos da Lagoa da Jansen para cobrar ações de recuperação e melhorias na região.
Segundo integrantes do grupo, o mau cheiro afeta a rotina de quem trabalha no entorno e prejudica o turismo. Há relatos de visitantes que deixam de permanecer no local por causa do odor.
O g1 procurou a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) para saber quais medidas estão previstas para combater o mau cheiro e a poluição na Lagoa da Jansen, além dos investimentos destinados à recuperação da área, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

