O Teatro Amazonas, no Centro de Manaus, recebeu nesta terça-feira (3) uma cerimônia especial para celebrar o reconhecimento como Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A solenidade marcou a entrega oficial do título ao Amazonas, concedido no dia 27 de junho pelo Comitê do Patrimônio Mundial da organização.
O reconhecimento também contempla o Theatro da Paz, em Belém (PA). Juntos, os dois espaços históricos passaram a integrar a lista de patrimônios culturais da humanidade sob o nome “Teatros da Amazônia”.
Durante a cerimônia, a diretora da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch, afirmou que o reconhecimento representa uma responsabilidade compartilhada pela preservação dos espaços, que passam a ser considerados patrimônio de toda a humanidade.
“Não é um ponto de chegada, é um ponto de partida. A partir de agora, a humanidade passa também a cuidar dos Teatros da Amazônia. Eles não só representam um valor excepcional para o Brasil, mas para todo o mundo”, afirmou.
Marlova destacou ainda que os Teatros da Amazônia representam o 26º patrimônio brasileiro inscrito na lista da Unesco e o primeiro da Região Norte.
“É uma noite de festa para Manaus, para o Amazonas, para Belém e para o Pará. A partir de agora, é responsabilidade de todos nós cuidar, proteger, salvaguardar e manter esse teatro com todo o seu esplendor”, completou.
Durante a cerimônia, o governador do Amazonas, Roberto Cidade, afirmou que o reconhecimento internacional representa um marco para a história cultural do estado. Ele também destacou a importância de ampliar os investimentos no setor e buscar novos recursos para fortalecer as atividades culturais.
“Quem ganha com isso é a cultura do nosso estado, gera emprego, gera renda. Isso é que nos traz até aqui também. O povo amazonense quer ter oportunidades”, declarou.
Cerimônia foi realizada no Teatro Amazonas, em Manaus.
Patrick Marques/g1 AM
Teatro como espaço de diversidade cultural
A diretora do Teatro Amazonas, Beth Catanhede, destacou que o reconhecimento internacional considera não apenas a arquitetura e a estrutura histórica do prédio, mas também a utilização do espaço e sua relação com a população.
Segundo ela, o teatro se tornou palco de diferentes manifestações artísticas, que vão da ópera ao boi-bumbá, passando pelo folclore, dança, teatro e expressões culturais dos povos originários.
“Ele foi reconhecido não apenas pelo patrimônio edificado, pela beleza, pela arquitetura e pelas obras que a gente tem aqui dentro, mas pela utilização, pela humanização, pelo pertencimento. Ele pertence ao povo do Amazonas e hoje ao povo do mundo, a toda a humanidade”, afirmou.
Beth também ressaltou a democratização do acesso às apresentações, com ingressos a preços populares e espetáculos gratuitos.
“Aqui nós temos da ópera, nós temos o boi-bumbá, o folclore, o teatro, a dança, a cultura dos povos originários. Tudo aqui se apresenta no Teatro Amazonas. O Teatro Amazonas é a casa, é o palco de todas as manifestações artísticas”, disse.
Cerimônia marca reconhecimento do Teatro Amazonas como Patrimônio Mundial da Unesco.
Patrick Marques/g1 AM
Reconhecimento pode impulsionar turismo e economia criativa
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Israel Alves Gusmão, destacou que o reconhecimento dos dois teatros foi resultado de uma candidatura integrada entre Amazonas e Pará.
A entrega do título ao Teatro Amazonas ocorreu nesta terça-feira. Já a cerimônia de entrega ao Theatro da Paz, em Belém, está prevista para sexta-feira (6).
Segundo Deyvesson, a conquista pode ampliar as oportunidades de financiamento, intercâmbio cultural, turismo e geração de renda na região.
“É uma vitória do Norte, é uma vitória do Brasil, na verdade. A gente tem uma cultura muito pujante, que é muito importante do ponto de vista daquilo que se chama soft power brasileiro. A cultura brasileira é muito admirada mundo afora e isso fomenta as possibilidades de financiamento, de intercâmbio, de discussão conjunta sobre gestão do patrimônio mundial e, sobretudo, de geração de renda”, afirmou.
O presidente do Iphan também ressaltou a relação entre o patrimônio cultural e o natural da Amazônia.
“A gente tem uma economia criativa ligada a esses espaços. A gente tem o turismo ligado aos teatros e tem arte e cultura sendo produzidas na Amazônia, que é sempre vista a partir da perspectiva do patrimônio natural. Mas a gente sabe que o patrimônio cultural e o natural não estão desligados, eles caminham juntos”, disse.
A proposta de reconhecimento dos Teatros da Amazônia foi apresentada pelo Iphan, em parceria com os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, além das secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará.
Segundo o instituto, os dois teatros representam um mesmo projeto de modernização urbana impulsionado pelo ciclo da borracha e pela aproximação da Amazônia com circuitos comerciais e culturais internacionais.
Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas foi construído durante o período de crescimento econômico provocado pela exploração da borracha. O espaço se tornou um dos principais símbolos históricos e culturais de Manaus.
Já o Theatro da Paz, em Belém, foi inaugurado em 1878, também durante o ciclo econômico da borracha.
Com a inclusão dos Teatros da Amazônia na lista da Unesco, a Região Norte passou a ter seu primeiro patrimônio cultural reconhecido pela organização.
Teatro Amazonas em Manaus

