Segundo Trump, a iniciativa partiu do próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (Likud, direita). Trump concordou e disse aos jornalistas que Israel, por ser um país muito próspero, “não precisa mais disso” .
O republicano ressaltou, porém, que o fim da ajuda financeira não impede Israel de continuar comprando armamentos norte-americanos.
ACORDO EUA X ISRAEL
O apoio militar dos EUA a Israel baseia-se em um acordo bilateral de longo prazo assinado em 2016, durante a gestão do ex-presidente Barack Obama (Partido Democrata). Trata-se de um Memorando de Entendimento com validade de 10 anos, cobrindo o período de 2018 a 2028.
Ao todo, o compromisso garante a Israel o repasse de US$ 38 bilhões ao longo de uma década, o que equivale a uma média de US$ 3,8 bilhões anuais e representa a maior promessa de assistência militar contínua da história norte-americana.
Projetado para dar estabilidade a Israel e previsibilidade à indústria bélica americana, o acordo divide os recursos anuais em duas frentes: US$ 3,3 bilhões para o Financiamento Militar Estrangeiro (compra de armas e caças F-35 nos EUA) e US$ 500 milhões para o desenvolvimento conjunto de sistemas de defesa antiaérea.
Para garantir o financiamento decenal, Israel aceitou restrições: a obrigação progressiva de gastar 100% dos recursos em fornecedores americanos –encerrando as compras da sua própria indústria de defesa– e o compromisso de não solicitar verbas extras ao Congresso dos EUA, exceto em emergências extremas de conflito.
A notícia veio em um momento decisivo para ambos os países. Os EUA passaram nesta 3ª feira (3.nov) pelas eleições de meio de mandato , as chamadas midterms , nas quais estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 assentos do Senado.
Nenhuma cadeira foi oficialmente projetada ou conquistada por democratas ou republicanos até o momento, mas o controle do Congresso definirá se Trump terá um Legislativo favorável para aprovar o orçamento e direcionar a política externa ou se enfrentará uma oposição fortalecida nos próximos 2 anos.
Em Israel, o cenário depois das eleições para o Parlamento (Knesset) já apresenta contornos claros de fragmentação depois da conclusão da apuração preliminar de votos. O partido Likud, presidido por Benjamin Netanyahu, lidera com a projeção de 27 assentos , seguido pelo partido Yashar, com 21 assentos.
Como nenhuma legenda atinge individualmente o mínimo necessário de 61 cadeiras para governar, Netanyahu depende de negociações com partidos aliados da direita e de setores religiosos, como o Shas (6 assentos), o United Torah Judaism (7 assentos) e o Otzma Yehudit (7 assentos), para tentar consolidar um bloco majoritário. Caso as articulações falhem por causa do avanço de partidos opositores e blocos árabes, o país poderá enfrentar novos impasses institucionais.

