# Juro alto “a perder de vista”: o recado da Kapitalo, ainda mais vendida em Brasil

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/onde-investir/juro-alto-a-perder-de-vista-o-recado-da-kapitalo-ainda-mais-vendida-em-brasil/)
- Publicado em: 2026-11-04T08:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1504614-juro-alto-a-perder-de-vista-o-recado-da-kapitalo-ainda-mais-vendida-em-brasil

> A Kapitalo Investimentos, uma das maiores gestoras independentes de recursos do país, piorou suas projeções para a economia brasileira após o resultado da eleição presidencial e reforçou o foco em investimentos no exterior, segundo…

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&#8220;Qualquer perspectiva de o BC fazer ajustes de política monetária para baixo foi negada e isso afeta o apetite ao risco&#8221;, diz o COO. &#8220;É a consequência mais imediata dos resultados das eleições&#8221;. A entrevista foi concedida antes da polêmica em torno da proposta do economista André Lara Resende , um dos formuladores do Plano Real, de reduzir a Selic para 7,5% em 12 meses.

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Para Feijó, a eleição deve influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e aumentar o receio de novas altas dos juros, não só agora, mas também no médio prazo. &#8220;Pensando mais em média móvel, para frente, é bem improvável que se discuta qualquer coisa diferente de alta dos juros no Brasil&#8221;, explica.

&#8220;E, caso se esteja discutindo queda, será por motivos muito ruins, como um colapso na atividade ou até, no limite, questionamentos da independência do Banco Central, o que se quer evitar a todo custo&#8221;, alerta. Ele admite, porém, que esses riscos ainda não fazem parte do cenário principal. &#8220;São riscos de cauda, mas estão na mesa&#8221;.

Recessão no radar

Feijó também vê o risco de recessão de volta ao debate, citando a reversão do movimento de queda das taxas de juros de longo prazo, que influenciam a economia como um todo.

&#8220;Se temos um país que não cresce, que já vinha em trajetória de desaceleração, e que tem de trabalhar com um aperto de condições financeiras considerável, como estamos vendo agora, claro que a recessão vai para centro do debate e pacifica um cenário em que a atividade desacelera consideravelmente&#8221;, diz. &#8220;Inclusive podemos trabalhar com um cenário de recessão&#8221;.

Ele pondera, no entanto, que a recessão não é o cenário base da Kapitalo, mas que, dependendo da severidade do aperto das condições financeiras, a gestora pode ter de revisar para baixo suas projeções de crescimento. A casa vinha trabalhando com expansão de cerca de 1,5% do PIB no ano que vem, número que, segundo ele, tem &#8220;altíssima probabilidade&#8221; de ser revisado para baixo.

A desaceleração da atividade, porém, pode não ser suficiente para abrir espaço para a queda dos juros, já que a expectativa também é de inflação elevada, o que limita a margem para cortes do Banco Central .

&#8220;O problema é que você terá queda de atividade com aumento de inflação e um cenário de desconfiança muito elevado sobre as preferências do governo em relação à estratégia de estabilização de política fiscal, que é o grande calcanhar de Aquiles do Brasil&#8221;, ressalta Feijó. &#8220;Infelizmente, não é uma discussão tão preto no branco, de um governo que tenha um diagnóstico mais adequado em relação a que tipo de caminho a seguir&#8221;, avalia.

Pressão dos mercados

Feijó não tem convicção de que o governo mude de postura diante da reação negativa dos mercados. &#8220;Muita gente fala que em algum momento isso vai ser revertido, o governo vai ser forçado a reverter [sua visão sobre o ajuste fiscal], mas a gente não tem tanta convicção que isso vai acontecer e, caso isso aconteça, provavelmente vai ser depois de um nível de pressão muito significativo dos mercados&#8221;, afirma.

&#8220;E nem se sabe quanto de mudança de fato se poderia esperar condicionada a um movimento de deterioração dos ativos financeiros&#8221;, alerta. &#8220;Infelizmente, os prognósticos não são nada favoráveis para os prêmios de risco de ativos brasileiros e para a economia em si&#8221;.

Para ele, a combinação de maior aversão a risco e juros altos tende a afetar negativamente o setor de gestão de recursos no Brasil , especialmente os fundos multimercados e de ações. &#8220;Para uma indústria que já vinha desidratada nos últimos quatro anos, não tem nenhuma contribuição positiva, temos de esperar um cenário ainda mais doloroso para a indústria de fundos no Brasil&#8221;, aponta.

Feijó lembra que a Kapitalo, que tem hoje R$ 32 bilhões sob gestão, nasceu há 17 anos já como gestora global e sempre concentrou grande parte dos investimentos no exterior. Os fundos K10, Zeta e Kapa mantêm historicamente entre 70% e 80% da alocação fora do país, e a exposição ao Brasil diminuiu ainda mais na margem.

Na parcela de 20% a 30% investida no Brasil, a maior propensão agora é por posições que apostam na piora dos ativos brasileiros. &#8220;Essa foi a mudança importante da eleição para cá&#8221;, afirma.

Na avaliação de Feijó, um país que não cresce, convive com juros elevadíssimos e tem um problema fiscal que não será resolvido precisa oferecer um juro de equilíbrio ainda maior para atrair o investidor e garantir o financiamento da dívida pública. &#8220;Isso é claramente um cenário negativo para ativos de risco no Brasil&#8221;, diz.

No caso do dólar, ele observa que o país ainda conta com um colchão de segurança, graças às contas externas muito saudáveis e às reservas internacionais elevadas. &#8220;Mas esse cenário pode virar rapidamente se surgir uma discussão sobre queda forçada de juros ou perda de credibilidade na independência do Banco Central&#8221;, alerta. &#8220;Não digo que vai acontecer, mas se vier a acontecer, a moeda pode sofrer muito&#8221;.

Feijó também não espera alívio nos mercados com a indicação do novo ministro da Fazenda. &#8220;É bem improvável que haja uma animação com a indicação, pois ela provavelmente vai ser alinhada com os dogmas partidários do governo, por isso não vemos espaço para animação com isso&#8221;, afirma.

Apesar do quadro adverso, ele diz que a gestora está acostumada a atravessar períodos de turbulência. &#8220;Já passamos por essas dificuldades e volatilidades micro e macro econômicas do Brasil e do Exterior há muitos anos, 17 na Kapitalo e antes em outras instituições, desde a década de 1990, e já estamos preparados para mais uma rodada de instabilidade&#8221;, conta.

&#8220;Se não tivermos oportunidades claras no Brasil, vamos continuar fazendo alocações na seara global&#8221;, diz. Feijó ressalta ainda que a estratégia da gestora não depende de otimismo para ganhar dinheiro. &#8220;[A gestora] pode fazer alocações independentes ao humor do mercado, portanto, não temos um problema em trabalhar com conjuntura pior, apesar do cenário pior para a indústria de gestão&#8221;.

A Kapitalo também aposta no interesse de grandes alocadores internacionais pela gestão de recursos brasileira. &#8220;Há algum tempo vemos interesse de alocadores internacionais pela gestão no Brasil, que é de altíssima qualidade e tem termos mais benignos para o investidor do que os hedge funds americanos&#8221;, aponta.

&#8220;O resultado da eleição atrasa um pouco essa vontade de entrar no Brasil imediatamente, mas não reverte o interesse em fazer alocação em bons gestores que apresentam retorno acima da média sem depender da conjuntura de mercado&#8221;, defende Feijó.

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