# Por que o mercado brasileiro reagiu tão mal às propostas de André Lara Resende?

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mercados/por-que-o-mercado-brasileiro-reagiu-tao-mal-as-propostas-de-andre-lara-resende/)
- Publicado em: 2026-11-04T11:21:11.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1506780-por-que-o-mercado-brasileiro-reagiu-tao-mal-as-propostas-de-andre-lara-resende

> Na última terça-feira (3), volta de feriado e primeiro pregão de novembro, os ativos brasileiros tiveram uma sessão de forte aversão ao risco.

O Ibovespa fechou em baixa, perdendo o patamar dos 165 mil pontos no pior momento, pressionado por forte recuo de Petrobras ( PETR4 ) e Vale ( VALE3 ), mas também debilitado por incertezas no mercado sobre o rumo da economia do país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,42%, a 165.528,92 pontos, mínima de fechamento desde 19 de janeiro. No pior momento do dia, alcançou 164.446,53 pontos. Na máxima, marcou 168.005,46 pontos.

Já o dólar à vista encerrou o dia com elevação de 0,74%, a R$ 5,4863. Enquanto isso, os juros futuros subiram: no fim da tarde da véspera, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,57%, ante o ajuste de 14,48% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,4%, com elevação ante 15,332% da sessão anterior.

O aumento da desconfiança em torno da disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em promover um ajuste fiscal castigou os ativos brasileiros na volta do feriado de Finados.

A descrença em torno do anúncio de medidas para conter os gastos públicos ganhou corpo na semana passada após declarações contrárias ao ajuste fiscal vindas de figuras próximas a Lula. No fim de semana, relatos de que uma ala do governo estaria disposta a encampar as ideias do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, de reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública via cortes agressivos da taxa Selic aumentaram o desconforto dos investidores.

Para fazer um ajuste fiscal via redução do serviço da dívida, Resende defende que o Banco Central teria de manter o juro básico em um limite que seria a soma da meta de inflação, atualmente em 3%, com o crescimento potencial da economia, estimado em 2,5%.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou na véspera que haja uma reunião marcada entre os dois e disse que a ideia de Resende é incipiente . Economistas também consideram pouco provável que a proposta seja implementada, mas, de qualquer forma, as discussões pressionaram o mercado.

Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital avalia que os rumores sobre estabelecer uma meta para Selic compõem um quadro mais amplo de &#8220;vácuo&#8221; de sinalizações que tem elevado a aversão a risco.

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&#8220;O mercado está aguardando que o governo dê alguma sinalização de política econômica a partir de 2027, principalmente na questão das contas públicas. O fato de estar acontecendo esse tipo de debate quer dizer que estamos distantes do momento em que vamos discutir estratégias de ajuste mais rápido nas contas públicas com maior seriedade&#8221;, criticou.

&#8220;Vamos continuar vendo o mercado assim enquanto não houver nenhum aceno claro em relação ao cenário fiscal. O governo não está trazendo absolutamente nada novo nessa linha e não há nome certo para o Ministério da Fazenda&#8221;, afirma o sócio da Valor Investimentos, Daniel Teles, que também citou o ruído gerado no mercado com a proposta de André Lara Resende.

De acordo com Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, a dinâmica segue marcada pela incerteza sobre o perfil do próximo governo Lula, pela espera por sinalizações do programa e principalmente dos nomes da equipe econômica. &#8220;Em momentos de incerteza, de volatilidade, os investidores ficam mais vendedores do que compradores.&#8221;

Conforme Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, mesmo com a Fazenda negando a reunião do governo com Lara Resende e qualquer estudo de tabelamento da Selic, o apoio público de nomes próximos ao presidente à proposta já basta para pressionar o câmbio e a parte longa da curva de juros. &#8220;O Focus também mostrou piora, com a Selic esperada para o fim de 2027 subindo de 11,75% para 12,50%&#8221;, afirma.

Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, ressaltou que as propostas de André Lara Resende recolocam em discussão questões importantes sobre o funcionamento da política monetária, o custo dos juros elevados e sua interação com a política fiscal.

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&#8220;O debate acadêmico sobre esses temas é legítimo e necessário. Entretanto, é fundamental distinguir a discussão de alternativas teóricas de uma mudança efetiva na condução da política monetária. A redução sustentável dos juros depende de condições macroeconômicas consistentes, especialmente expectativas de inflação ancoradas, credibilidade institucional e uma trajetória fiscal percebida como sustentável&#8221;, apontou.

Para ele, a preocupação do mercado decorre da possibilidade de que propostas de redução acelerada dos juros sejam interpretadas como sinal de menor compromisso com a estabilidade de preços ou com a autonomia operacional do Banco Central.

Nesse contexto, a reunião do Copom desta quarta, avalia o economista, assume também uma dimensão institucional. O Comitê terá a oportunidade de reafirmar que suas decisões são orientadas por critérios técnicos e pelo cumprimento da meta de inflação.

&#8220;É importante lembrar que juros elevados representam custos expressivos para o investimento, o crescimento econômico e as próprias contas públicas. Portanto, reduzir estruturalmente os juros é um objetivo desejável&#8221;, aponta.

O desafio, aponta, não é simplesmente baixar a Selic, mas criar condições para que os juros possam cair de maneira sustentável, sem provocar desvalorização cambial, aceleração inflacionária ou aumento dos prêmios de risco. &#8220;A credibilidade da política monetária e a responsabilidade fiscal são complementares nesse processo&#8221;, reforça o especialista.

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

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