O ChatGPT alcançou a marca de 1,2 bilhão de usuários ativos por semana nos últimos dois meses.

O volume de consultas que o ChatGPT recebe equivale a 20% do volume de buscas do Google.

Contudo, a métrica da OpenAI gera dúvidas sobre como as pesquisas são contabilizadas e comparadas.

Você já fez ou faz perguntas ao ChatGPT que, antes, seriam direcionadas exclusivamente ao Google? A resposta é “sim” para muita gente. Não por acaso, a própria OpenAI assegura que seu serviço de IA já tem um volume de uso que corresponde a 20% das buscas realizadas no Google. Mas esse panorama precisa ser observado com cuidado.

A afirmação foi feita por Adam Fry, líder de produtos do ChatGPT, em entrevista ao Big Technology . De acordo com o executivo, o serviço registrou 1,2 bilhão de usuários ativos semanais considerando os últimos 60 dias, sendo que, nesse período, houve adição de 200 milhões de novos usuários.

Tem mais. Fry aponta que o modo de voz do ChatGPT já tem 250 milhões de usuários ativos semanais e que, além disso, o serviço é usado para criar 1,5 bilhão de imagens por semana.

Ainda de acordo com Fry, o número de consultas que o ChatGPT recebe atualmente equivale a aproximadamente um quinto do volume de buscas que o Google recebe, justamente os 20% mencionados anteriormente.

É uma estatística impressionante, principalmente porque começamos há apenas um ano e meio. É difícil lembrar, mas o ChatGPT, naquela época, não tinha nenhuma informação atualizada. Você fazia uma pergunta e ele respondia com algo como “já passou do meu período de treinamento”, e ninguém fazia ideia do que isso significava.

Adam Fry, líder de produtos para consumidores do ChatGPT

Isso significa que o Google está sob ameaça?

Sim e não. O Google está sob ameaça no sentido de, agora, haver um serviço que realmente consegue concorrer com o seu buscador. Até então, o Bing era a única plataforma que fazia frente às buscas do Google, mas a sua participação de mercado sempre foi pequena.

Modo IA na busca do Google (imagem: divulgação/Google)

Por outro lado, há algumas nuances que precisam ser consideradas antes de concluirmos que o “império do Google” chegou ao fim. Começa, como o 9to5Google ressalta, com o fato de a fonte sobre o volume de pesquisas do Google não ter sido revelada.

No cálculo feito pela OpenAI, cada pergunta que aciona uma pesquisa na web é contabilizada como uma ação equivalente a uma busca, mesmo quando ela é feita dentro de uma conversa em andamento. Essa forma de mensuração dá margem para interpretações distintas.

Além disso, não está claro quantos usuários o ChatGPT efetivamente “roubou” do Google. Nesse ponto, precisamos considerar que o Google tem o seu próprio mecanismo de IA, o Gemini, que também pode ter tomado parte do volume de pesquisas de seu buscador — isso não seria uma perda de usuários, mas, digamos, uma transferência.

Para completar, precisamos relembrar que o Google tem o Modo IA ativado em seu buscador há algum tempo. Dependendo de como as métricas são estabelecidas, os volumes de uso de cada um podem ser apresentados juntos ou separadamente.

A única certeza que temos neste momento é a de que o Google, enquanto buscador, nunca teve um concorrente tão forte quanto o ChatGPT. Fry deu a entender que a OpenAI quer mais. Um dos próximos passos consistirá em unificar os modos Chat e Work do serviço, afinal, essa separação é pouco compreendida por muitos usuários.

ChatGPT já equivale a 20% das buscas do Google, mas calma