Cerca de 2 mil militares do Exército Brasileiro participam, ao longo desta semana, de um treinamento operacional em oito cidades do Vale do Paraíba e em Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro. Batizada de Exercício Agulhas Negras 2026, a mobilização segue até domingo (8) e reúne tropas de mais de 20 unidades militares sediadas no estado de São Paulo.

O treinamento anual simula cenários de combate por terra, água e ar para testar a capacidade de reação das Forças Armadas. Na missão proposta neste ano, os militares precisam avançar pelo território regional para reconquistar uma área fictícia invadida por forças inimigas em Resende.

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As ações ocorrem em áreas estratégicas dos seguintes municípios:

São José do Barreiro

Militares reunidos para o Exercício Agulhas Negras

Por conta da operação, o Exército informa que moradores e motoristas podem encontrar comboios de viaturas caracterizadas, veículos blindados e militares fardados em deslocamento pelas cidades e pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) até o fim de semana.

Veja como funciona a travessia no Rio Paraíba do Sul

Uma das etapas práticas do exercício aconteceu na manhã desta quarta-feira (4), às margens do Rio Paraíba do Sul, no bairro Vila Portugal, em Lorena. No local, equipes de engenharia prepararam as margens do rio e montaram estruturas flutuantes para fazer a transposição das tropas e de veículos pesados.

Com o auxílio de barcos de manobra e de uma balsa militar, o efetivo treinou a travessia de blindados e caminhões que pesam cerca de 20 toneladas. Segundo o Exército, a atividade avalia a rapidez e a precisão das equipes tanto para situações de conflito armado quanto para missões de ajuda humanitária, quando pontes ou estradas ficam interditadas.

Militares durante treinamento no Rio Paraíba do Sul

Em Taubaté, o treinamento também movimentou a base do Comando da Aviação do Exército (CavEx), no bairro Itaim, de onde partiram helicópteros usados no transporte de tropas e no apoio aéreo às ações em solo.

A mobilização na região reproduz uma operação ofensiva de guerra para testar como mais de 20 batalhões paulistas funcionam juntos no mesmo terreno. Durante a semana, infantes, pilotos, engenheiros e operadores de blindados precisam sincronizar a comunicação e o avanço das tropas sob pressão, simulando a defesa das fronteiras e do território nacional contra uma invasão estrangeira.

Segundo o comandante da Brigada de Infantaria Aeromóvel, general Aires, o foco do treinamento é exercitar na prática o papel constitucional da força terrestre na proteção do país.

"Esse é um exercício, basicamente, num contexto de defesa externa. É a nossa missão precípua constitucional, é a garantia da soberania do país", explica o general.

Para o comandante do 28º Batalhão de Infantaria Mecanizado, coronel Fernando Griep de Souza Franco, tirar o efetivo dos quartéis para atuar em conjunto no campo eleva o preparo técnico dos militares. "É bastante desafiador, mas muito gratificante. A gente tem um ganho profissional enorme, contribui imensamente para a coesão e para o engrandecimento do espírito de corpo da tropa", afirma.

O exercício em larga escala também coloca jovens recém-incorporados em funções reais de liderança e tomada de decisão em campo. É o caso do soldado Arthur Cordeiro, de 19 anos, que entrou para o Exército neste ano e já coordena uma equipe do 28º Batalhão de Infantaria Mecanizado como cabo de esquadra durante as missões.

"É uma experiência muito única, ainda mais no meu primeiro ano de Exército. É um privilégio estar podendo participar de um evento tão grande assim."

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