Henrique Coelho / g1

O Tribunal de Justiça do RJ condenou na última quarta-feira (29) o comerciante chinês Qiu Zhaohu, conhecido como Xau, foi condenado a 38 anos de prisão, em regime fechado, pelo feminicídio e pela ocultação do cadáver de Marcelle Julia Araújo da Silva.

A jovem foi morta em junho de 2025, na Pavuna, na Zona Norte do Rio.

A decisão foi tomada pelo 2º Tribunal do Júri. Segundo a denúncia, Marcelle foi morta por motivo torpe depois de recusar as investidas amorosas de Zhaohu. Ela queria manter com ele apenas uma relação de amizade.

De acordo com a investigação, no dia do crime, Marcelle avisou à família que iria à casa do comerciante. Imagens de câmeras de segurança registraram a jovem chegando ao imóvel durante a madrugada. Horas depois, Zhaohu foi filmado deixando o local empurrando um carrinho de mão coberto por uma lona azul.

Marcelle Júlia Araújo da Silva

O corpo da jovem foi encontrado posteriormente em outro imóvel que pertencia ao comerciante, também na Zona Norte. Ele estava envolvido por uma lona azul e havia sido parcialmente devorado por dois cães da raça pit bull.

Durante as investigações, uma testemunha disse à polícia ter visto uma mensagem na qual Zhaohu teria confessado o crime. Segundo o relato, ele escreveu: "Já matei, agora vou me matar".

O comerciante deixou o Rio após o crime e foi preso em Carapicuíba, em São Paulo, em uma operação conjunta das polícias civis dos dois estados.

Juíza fala em "proporções epidêmicas"

Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que o caso representa mais um episódio de feminicídio entre os que chegam com frequência ao Tribunal do Júri e classificou o cenário como de "proporções epidêmicas".

“Cuida-se de mais um episódio clássico de feminicídio, dentre os que aportam quase que diuturnamente a este Tribunal, em proporções epidêmicas.”

A magistrada afirmou ainda que a pena deveria levar em conta um caráter preventivo e pedagógico e destacou a necessidade de combater crimes de violência contra a mulher.

A sentença também mencionou o sofrimento imposto à família de Marcelle pelas circunstâncias em que o corpo da jovem foi encontrado.

“Ora, só o fato de entregar o cadáver da vítima à sanha faminta de cães pitbull horroriza e repugna qualquer pessoa média. Não é demais, pois, concluir pela imensa dor causada a seus familiares e, principalmente, à sua mãe, ao tomar conhecimento e imaginar a cena horripilante a retratar o fim trágico e humilhante de uma vida ainda tão pulsante”, escreveu a juíza.