1. Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha

No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa ( Verônica Cavalcanti , Paloma ) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva ( Luciana Souza , Bacurau ), mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

O que começa como uma espécie de Thelma & Louise (1991), com duas mulheres cometendo crimes e fugindo pelas estradas, logo abandona qualquer compromisso com a lógica convencional para mergulhar em uma experiência tão lúdica quanto emocional. Mas, por trás de toda essa inventividade, existe uma história bastante simples e universal em Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha : a de uma filha que encontra na imaginação a possibilidade de viver ao lado da mãe aquilo que a realidade lhe negou. Leia o texto completo clicando aqui .

Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha tem previsão de estreia em 3 de dezembro nos cinemas.

2. Yellow Cake

Na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas tenta erradicar o mortal mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue — por meio de um experimento secreto intitulado Yellow Cake. Utilizando o urânio extraído da região, o projeto pretende esterilizar os mosquitos e assim conter a disseminação da doença. A física nuclear Rúbia Ribeiro ( Rejane Faria , Vicentina Pede Desculpas ) integra o experimento. Quando o plano fracassa e o caos se instala, uma pesquisadora brasileira determinada, com a ajuda de mineradores locais, precisa deter a catástrofe antes que seja tarde demais.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

É particularmente interessante como Yellow Cake incorpora a presença de estrangeiros interessados em explorar as riquezas minerais brasileiras, estabelecendo um diálogo com as discussões contemporâneas sobre a disputa internacional por recursos estratégicos, incluindo as terras raras. Embora o urânio utilizado na trama não pertença a essa categoria de minerais, a associação política é inevitável. Leia o texto completo clicando aqui .

Yellow Cake tem previsão de estreia em 26 de novembro nos cinemas.

3 . O Filho da Puta

Nas entranhas de Minas Gerais funciona a Casa Rosa, famoso prostíbulo gerenciado pela mãe de Ismael (voz de Gabriel Martins ), conhecido por todos como O Filho da Puta . No intuito de encontrar o pai que nunca conheceu, ele parte de sua pequena cidade na companhia de seu cachorro, Bacalhau . No decorrer do caminho, o jovem se vê diante de situações que insistem em trazê-lo para a realidade da qual ele foge.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Com um traço autoral e um humor sem pudores, O Filho da Puta encontra no sertão mineiro o cenário ideal para a jornada de um filho (da puta) em busca do pai. A inventividade da animação se manifesta tanto na construção visual desse universo quanto nos diálogos debochados, que ganham ainda mais força com as vozes do elenco, especialmente Matheus Nachtergaele como o cachorro de três patas, Bacalhau , cujo sarcasmo estabelece uma dinâmica divertida com Ismael , dublado por Gabriel Martins .

Entre referências à cultura popular brasileira e situações que transitam entre o grotesco e o cômico, o filme abraça sua própria “filhadaputice”, embora pudesse levar sua ousadia um pouco mais longe. Ainda assim, diverte pela liberdade com que constrói seus personagens e pela maneira singular como incorpora o imaginário brasileiro à história de um homem em busca das próprias origens. Poderia render uma sucessão de continuações.

O Filho da Puta ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

4. A Margem do Rio

Izaquiel ( Caíque Copque , Mapas ), um auxiliar de serviços gerais, se arrisca em encontros secretos noturnos nos manguezais do Recife, onde conhece Jeremias ( Ítalo Martins , O Agente Secreto ), um pescador intrigante e magnético. Quando uma ameaça violenta invade o lugar, Jeremias conduz Izaquiel às profundezas do coração do mangue, onde realidade e mito se entrelaçam.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem explorado histórias de homens gays em contextos de marginalização, aproximando sexo, afeto e sobrevivência em filmes como Parque de Diversões , A Rua da Glória , Ato Noturno e Baby . A Margem do Rio dialoga com essa produção, mas amplia seu campo de investigação ao incorporar o misticismo e a religião como forças que disputam o controle sobre a vida dos personagens. Em vez de restringir o conflito à intimidade de um relacionamento, Farias e Carvalho constroem uma narrativa na qual o desejo individual esbarra em estruturas sociais capazes de transformar a diferença em motivo para humilhação e violência. Leia o texto completo clicando aqui .

A Margem do Rio tem previsão de estreia em 7 de janeiro de 2027 nos cinemas.

5. A Extraordinária Vida de Vera Valdez

Um retrato da atriz brasileira Vera Valdez , seu tempo de modelo para Christian Dior e, especialmente, para Coco Chanel , seu flerte com a Nouvelle Vague, sua jornada complexa pela maternidade, sua prisão e tortura durante a ditadura no Brasil. Uma mulher de devoção artística e espírito pioneiro.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Se A Extraordinária Vida de Vera Valdez começa recorrendo a uma estrutura relativamente convencional, logo encontra uma forma mais afinada com a personalidade de sua protagonista. Entre lembranças, imagens de arquivo e registros dos encontros com Vera , a narrativa se afasta da cronologia rígida e passa a acompanhar o movimento irregular da memória. O passado não aparece como um território encerrado, mas como algo que continua a reverberar no presente. Mais do que organizar os acontecimentos de uma vida, Fábio Meira parece interessado em capturar a energia de alguém que ainda encontra maneiras de surpreender. Leia o texto completo clicando aqui .

A Extraordinária Vida de Vera Valdez ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

6. Se Eu Fosse Vivo… Vivia

No Brasil dos anos 1970, Contagem ainda é uma cidade em crescimento e o lar de um jovem casal apaixonado. Gilberto pede o perdão de Jacira pouco antes de um encontro inesperado mudar o rumo de suas vidas. Cinquenta anos depois, Gilberto ( Norberto Novais Oliveira ) e Jacira ( Conceição Evaristo ) estão juntos há quase cinco décadas. Casal carismático e gentil, na casa dos setenta anos, eles levam uma vida feliz apesar dos problemas de saúde que acompanham a idade, compartilhando quase todas as atividades do dia a dia lado a lado. Quando Jacira é subitamente internada, Gilberto passa a vivenciar eventos perturbadores – numa espiral através do tempo e do espaço – que o conduzem rumo ao desconhecido.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Ao acompanhar Gilberto e Jacira , casal que atravessa cinco décadas de vida em comum, André Novais Oliveira parte de um terreno familiar para mergulhar como nunca no místico, na fantasia e na ficção científica. A mudança de registro é uma aposta corajosa, que expande as possibilidades de um cinema historicamente associado à observação delicada do cotidiano e encontra no fantástico novas formas de abordar o amor, a passagem do tempo e os mistérios da ausência. Leia o texto completo clicando aqui .

Se Eu Fosse Vivo… Vivia ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

7. Pequenas Tragédias

Em 2011, Daniel Nolasco se mudou da pequena cidade que nasceu, no interior do Brasil, para o Rio de Janeiro. Foi fazer faculdade. Era o primeiro de um grupo de amigos queers que deixava a cidade. Dez anos depois, nenhuma das pessoas que formavam esse grupo mora mais lá, alguns morreram e os que estão vivos se mudaram para algum centro urbano. A cidade se chama Catalão, um lugar que todos dizem ser bom demais para viver.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Durante muito tempo, o cinema LGBT+ pareceu condenado a contar histórias em que personagens gays precisavam sofrer para que suas existências fossem reconhecidas. Daniel Nolasco , porém, encontra outra maneira de revisitar essas experiências, sem ignorar as dores, mas recusando-se a fazer delas o único caminho possível. Leia o texto completo clicando aqui .

Pequenas Tragédias ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

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