O Partido Liberal (PL) anunciou oficialmente, nesta quarta-feira (4), a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal para o biênio 2027–2028. A decisão foi formalizada após reunião da bancada da sigla realizada em Brasília.

Atual líder da Oposição no Senado, Marinho tem 62 anos, é economista e foi ministro do Desenvolvimento Regional e secretário de Previdência durante o governo Jair Bolsonaro, além de ter coordenado a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência nas eleições de 2026. Flávio foi derrotado por Lula.

A corrida pelos 41 votos e o peso das bancadas

A eleição para o comando do Congresso está prevista para a primeira semana de fevereiro de 2027, realizada por meio de votação secreta. Para alcançar a vitória, o candidato necessita da maioria absoluta dos 81 senadores, o que exige obter ao menos 41 votos.

A partir da nova legislatura em 2027, o PL passará a contar com 29 senadores, consolidando-se como a maior bancada isolada da Casa. Apesar da força numérica do partido, Marinho terá o desafio de construir pontes com outros blocos partidários para atingir a margem necessária de apoio, citando conversas iniciais com parlamentares do PP e do Republicanos.

Do outro lado da disputa, o atual presidente Davi Alcolumbre (União-AP) articula sua recondução ao cargo reunindo o apoio formal da federação União-PP, além de quadros do MDB, PSD e da totalidade da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Impasse na direita e diálogo com Tereza Cristina

Um dos principais pontos de atenção da oposição é a pré-candidatura colocada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). Aliados de Marinho avaliam que a divisão de votos entre dois nomes conservadores pode beneficiar a reeleição de Alcolumbre no primeiro turno.

Durante o anúncio, Marinho e o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), ressaltaram que pretendem buscar a unificação do bloco.

Anistia ao 8 de Janeiro, STF e pautas institucionais

Ao defender sua postulação, Rogério Marinho cobrou o cumprimento da proporcionalidade regimental na distribuição de comissões e colocou em pauta temas de apelo conservador. Ele se posicionou a favor do projeto de anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro e defendeu a alteração do regimento para que a eleição da Mesa Diretora ocorra por voto aberto. A medida deve beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por trama golpista e cumprindo pena em prisão domiciliar.

Além disso, o candidato manifestou-se sobre a responsabilidade do presidente do Senado, a quem cabe analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República:

“Nós não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição. O desafio é que nós não seremos omissos, porque ninguém está acima da lei. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, nós não seremos omissos”, disse Marinho.