Um incêndio no lixão a céu aberto de Oiapoque, no extremo Norte do Amapá, completa 11 dias nesta quarta-feira (4) espalhando fumaça tóxica pela cidade. A poluição tem afetado a saúde da população e provocado um aumento nos atendimentos médicos por problemas respiratórios.

Além do fogo no lixão público, a grande preocupação das autoridades locais é o aumento das queimadas no entorno e no centro urbano do município.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp

De acordo com o vice-prefeito de Oiapoque, Artur Oscar Gilael, a situação tem se agravado.

"A população precisa entender a importância de participar do combate aos focos de incêndio. Isso está provocando um problema muito sério de saúde em Oiapoque", alertou o vice-prefeito.

Fumaça densa toma conta do céu de Oiapoque.

Albenir Souza/Rede Amazônica

Fogo subterrâneo e estiagem

Equipes de combate atuam no local, mas a natureza subterrânea do incêndio exige resfriamento constante e dificulta o trabalho dos bombeiros. A situação é agravada por um período atípico de estiagem rigorosa na região.

A mudança na direção dos ventos tem levado para o centro da cidade não apenas a fuligem do lixão, mas também a fumaça de queimadas urbanas e rurais. O hábito de queimar folhas e lixo nos quintais no fim da tarde, prática comum na região, tem piorado a qualidade do ar durante a seca.

Aumento de casos hospitalares

O Hospital Estadual de Oiapoque registrou um aumento na busca por atendimento médico, principalmente por complicações respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais afetado.

Durante a noite, o ar denso e frio faz com que a fumaça se concentre nas ruas e seja visível inclusive em pontos turísticos, como a Ponte Binacional Franco-Brasileira. Moradores relatam que o odor e a fuligem entram nas residências mesmo com portas fechadas ou aparelhos de ar-condicionado ligados.

A administração municipal reforça que a conscientização comunitária é indispensável. Sem a interrupção das queimadas domésticas, as ações do poder público não serão suficientes para controlar a crise ambiental e sanitária no município.

Processo judicial de 20 anos e busca por novo terreno

Além do combate emergencial, o gestor ressaltou que a transferência do lixão e a recuperação ambiental do terreno atual atendem a uma decisão definitiva (sentença transitada em julgado) de uma das ações judiciais mais antigas do Amapá.

A força-tarefa conta com a colaboração do Governo do Estado, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), da Codevasf e da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

"É o segundo processo mais antigo que corre no Estado, mais de 20 anos que esse processo está correndo. É um problema antigo, um dos principais problemas que o município do Oiapoque enfrenta. Estamos buscando meios para trabalhar uma remediação daquela área [...] e identificar algumas áreas que foram identificadas para receber um novo lixão preenchendo os requisitos que a própria legislação impõe", destacou o prefeito.

Nuvem de fumaça produzida por incêndio em lixão toma conta de Oiapoque e mobiliza Defesa Civil

Cidade mais próxima da nova fronteira do petróleo enfrenta apagão no Amapá

Operação mira grupo suspeito de furtar celulares em eventos no AP e recupera oito aparelhos

Combate à fumaça em Oiapoque após incêndio em lixão.

Emergência climática e recomendações

O município também aguarda a homologação do pedido de reconhecimento de emergência climática junto ao Governo Federal, motivado pela severa estiagem que afeta os poços de água e compromete a agricultura familiar da região.

A medida permitirá a captação de recursos para ampliação do fornecimento de água potável e suporte humanitário.

A prefeitura orienta a população a evitar queimadas de quintais e terrenos durante o período de seca e recomenda cuidados com a saúde devido ao clima seco e à poluição do ar.

"Se você estiver em uma área de muita fumaça, use máscara e evite atear fogo em qualquer tipo de produto", alertou o gestor.

Após fumaça tóxica atingir casas, Oiapoque estuda novo terreno para transferir lixão.

Girlane Duarte/Rede Amazônica

Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá