Economistas avaliam que a pausa reforça a credibilidade da autoridade monetária no controle inflacionário, sinalizando que a Selic deve permanecer em um patamar restritivo por um período mais prolongado. Para Marco Antonio Caruso, economista-chefe do Santander, o Comitê enfatizou que a Selic está “substancialmente contracionista”, o que dá pistas de que a pausa não é um encerramento definitivo do ciclo, mas uma estratégia para controlar as expectativas sem fechar portas.
Mas a retirada da expressão “magnitude total do ciclo de calibração” do comunicado pode indicar que a pausa pode se estender para além de dezembro, avalia Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine.
Na avaliação da XP, o Comitê aponta que a interrupção nos cortes deve conter as pressões inflacionárias, ressaltando que o Banco Central “não vislumbra, por ora, a necessidade de uma postura de política monetária ainda mais contracionista”. Ou seja, a pausa deve manter o juro no atual patamar, sem perspectiva imediata de elevação.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, pontua que a pausa demonstra rigor da autoridade monetária, mas que “a barra para debater alta é elevada. Ou seja, estratégia que ele tem em mente é higher for longer ”, diz.
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Por que o Copom parou de cortar a Selic?
O diagnóstico da conjuntura apresentado pelo Banco Central sofreu alterações significativas. O ambiente externo deixou de ser descrito como incerto e passou a ser classificado como “mais adverso”, pontua Arnaldo Lima, Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital. O Copom destacou os impactos do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a manutenção de condições monetárias restritivas nas economias avançadas.
No cenário interno, o Comitê reconheceu uma moderação mais acentuada da atividade, enquanto o mercado de trabalho, apesar de resiliente, começou a apresentar sinais de desaquecimento na margem.
Por outro lado, o alerta principal ficou sobre os preços: a inflação cheia e os núcleos voltaram a acelerar e estão acima do teto da meta. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, ressalta que o balanço de riscos agora possui uma “assimetria altista” explícita, incorporando a resiliência da inflação de serviços e o câmbio persistentemente depreciado.
Risco fiscal: Como as contas públicas pressionam os juros
O peso da questão fiscal também foi evidenciado pelos especialistas como um dos motores dessa desancoragem.
Josias Bento, sócio da GT Capital, alerta que “se não houver uma sinalização de responsabilidade fiscal, podemos conviver com juros elevados nesse patamar por mais tempo”.
Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça a urgência de um ajuste estrutural das contas públicas, argumentando que “não é sustentável exigir que apenas os juros controlem os desequilíbrios econômicos”.
Representantes do setor produtivo criticaram o nível contracionista da taxa. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (APAS), argumenta que a taxa real de juros penaliza os setores da economia real, como comércio e serviços, dificultando o crescimento em um cenário onde a inflação acumulada está controlada próxima ao teto da meta.
Juros altos até 2027: O impacto do novo IVA e do fim da escala 6×1
A piora no quadro prospectivo contaminou as projeções para os próximos anos. As expectativas do Boletim Focus continuam se deteriorando, subindo para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027. Como reflexo, a projeção do próprio Copom para o horizonte relevante (o segundo trimestre de 2028) passou de 3,2% para 3,5%.
Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, a ocorrência de choques inflacionários projetados para o início de 2027 — como os efeitos do El Niño, o fim da escala 6×1 e a entrada em vigor da nova tributação (IVA) — podem impedir que o Copom retome o ciclo de cortes por um período mais prolongado.
Enquanto casas como a XP projetam a manutenção da taxa em 13,75% até o final de 2027, parte do mercado enxerga flexibilizações marginais condicionadas a uma melhora do risco fiscal.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o ciclo de cortes deve ser retomado apenas em meados do próximo ano, levando a Selic a 12,50% no fim de 2027. O cenário-base da Polo Capital é de Selic em 12% ao fim de 2027.
Já José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, é mais pessimista, e adverte que a forte desvalorização cambial e o deslocamento da curva de juros nos últimos dias poderão exigir que o Copom eleve a taxa de juros já nas próximas reuniões
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