# Selic a 13,75%: Sem ajuste fiscal, mercado vê juros travando a economia até 2027

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/copom-mantem-selic-13-75-risco-fiscal/)
- Publicado em: 2026-11-04T23:08:58.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1516218-selic-a-13-75-sem-ajuste-fiscal-mercado-ve-juros-travando-a-economia-ate-2027

> O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão interrompe um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. A piora nas expectativas de…

Economistas avaliam que a pausa reforça a credibilidade da autoridade monetária no controle inflacionário, sinalizando que a Selic deve permanecer em um patamar restritivo por um período mais prolongado. Para Marco Antonio Caruso, economista-chefe do Santander, o Comitê enfatizou que a Selic está “substancialmente contracionista”, o que dá pistas de que a pausa não é um encerramento definitivo do ciclo, mas uma estratégia para controlar as expectativas sem fechar portas.

Mas a retirada da expressão “magnitude total do ciclo de calibração” do comunicado pode indicar que a pausa pode se estender para além de dezembro, avalia Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine.

Na avaliação da XP, o Comitê aponta que a interrupção nos cortes deve conter as pressões inflacionárias, ressaltando que o Banco Central “não vislumbra, por ora, a necessidade de uma postura de política monetária ainda mais contracionista”. Ou seja, a pausa deve manter o juro no atual patamar, sem perspectiva imediata de elevação.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, pontua que a pausa demonstra rigor da autoridade monetária, mas que “a barra para debater alta é elevada. Ou seja, estratégia que ele tem em mente é higher for longer ”, diz.

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Por que o Copom parou de cortar a Selic?

O diagnóstico da conjuntura apresentado pelo Banco Central sofreu alterações significativas. O ambiente externo deixou de ser descrito como incerto e passou a ser classificado como &#8220;mais adverso&#8221;, pontua Arnaldo Lima, Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital. O Copom destacou os impactos do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a manutenção de condições monetárias restritivas nas economias avançadas.

No cenário interno, o Comitê reconheceu uma moderação mais acentuada da atividade, enquanto o mercado de trabalho, apesar de resiliente, começou a apresentar sinais de desaquecimento na margem.

Por outro lado, o alerta principal ficou sobre os preços: a inflação cheia e os núcleos voltaram a acelerar e estão acima do teto da meta. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, ressalta que o balanço de riscos agora possui uma &#8220;assimetria altista&#8221; explícita, incorporando a resiliência da inflação de serviços e o câmbio persistentemente depreciado.

Risco fiscal: Como as contas públicas pressionam os juros

O peso da questão fiscal também foi evidenciado pelos especialistas como um dos motores dessa desancoragem.

Josias Bento, sócio da GT Capital, alerta que &#8220;se não houver uma sinalização de responsabilidade fiscal, podemos conviver com juros elevados nesse patamar por mais tempo&#8221;.

Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça a urgência de um ajuste estrutural das contas públicas, argumentando que &#8220;não é sustentável exigir que apenas os juros controlem os desequilíbrios econômicos&#8221;.

Representantes do setor produtivo criticaram o nível contracionista da taxa. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (APAS), argumenta que a taxa real de juros penaliza os setores da economia real, como comércio e serviços, dificultando o crescimento em um cenário onde a inflação acumulada está controlada próxima ao teto da meta.

Juros altos até 2027: O impacto do novo IVA e do fim da escala 6&#215;1

A piora no quadro prospectivo contaminou as projeções para os próximos anos. As expectativas do Boletim Focus continuam se deteriorando, subindo para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027. Como reflexo, a projeção do próprio Copom para o horizonte relevante (o segundo trimestre de 2028) passou de 3,2% para 3,5%.

Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, a ocorrência de choques inflacionários projetados para o início de 2027 — como os efeitos do El Niño, o fim da escala 6&#215;1 e a entrada em vigor da nova tributação (IVA) — podem impedir que o Copom retome o ciclo de cortes por um período mais prolongado.

Enquanto casas como a XP projetam a manutenção da taxa em 13,75% até o final de 2027, parte do mercado enxerga flexibilizações marginais condicionadas a uma melhora do risco fiscal.

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o ciclo de cortes deve ser retomado apenas em meados do próximo ano, levando a Selic a 12,50% no fim de 2027. O cenário-base da Polo Capital é de Selic em 12% ao fim de 2027.

Já José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, é mais pessimista, e adverte que a forte desvalorização cambial e o deslocamento da curva de juros nos últimos dias poderão exigir que o Copom eleve a taxa de juros já nas próximas reuniões

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