"O caso do Texas é um caso emblemático porque, há décadas, esse estado era a fortaleza do Partido Republicano. Há quase 40 anos, os texanos não elegiam um senador e alguém para o governo do estado do Partido Democrata, como aconteceu na noite de ontem. É um reflexo da mudança no perfil do texano, com o aumento da população latina e com uma participação muito maior dos jovens nessas eleições. 42% dos texanos hoje são hispânicos, são descendentes de latinos, e, por isso mesmo, a política de imigração do governo de Donald Trump, muito violenta contra os imigrantes latinos, principalmente, não caiu nada bem por aqui, e os eleitores levaram essa frustração para as urnas. Mas muitos texanos não imaginavam no tamanho da transformação que causariam. E essas mudanças não ficaram restritas somente aqui ao Texas. Elas aconteceram em vários estados no país todo, como mostra a nossa reportagem", diz Carolina Cimenti.

Menos de duas horas depois de as urnas fecharem no Texas, ficou claro: no estado onde o Partido Republicano domina o cenário político há mais de três décadas, os eleitores votaram na oposição em praticamente todos os cargos administrativos. E começaram as comemorações.

Além de Talarico, os democratas elegeram Gina Hinojosa como a primeira mulher latina governadora do Texas. Ela tirou do governo Greg Abbott, aliado de Donald Trump. O deputado democrata Al Green explicou o que estava acontecendo:

“O Texas é o coração dos estados republicanos. Se o batimento dele muda, então o país todo muda”.

A Jasmine, que votou nos democratas, disse:

“Queremos mudança. O preço da gasolina e de alimentos estão super altos. Estamos frustrados”.

Democratas vencem em redutos republicanos depois de décadas e conquistam maioria no Congresso

Jornal Nacional/ Reprodução

Entre as causas do aumento do custo de vida estão a guerra no Irã e os tarifaços de Donald Trump. A frustração dos eleitores com o governo republicano não estava só no Texas e ela fez grupos que tinham apoiado Trump antes mudassem de voto e escolhessem a oposição. Entre eles, os mais jovens e também os latinos, que desaprovaram a política imigratória do presidente.

Essa frustração alimentou a onda democrata, que conquistou a maioria do Congresso americano. Os democratas tinham 45 das 100 cadeiras no Senado. Agora, terão pelo menos 54, contra 44 dos republicanos.

Os democratas conseguiram manter o controle de estados importantes - como Michigan e Georgia – e viraram sete estados que eram republicanos. No Kansas, há 94 anos o estado não elegia um senador democrata. O pastor Adam Hamilton venceu o atual senador Roger Marshall. Por lá, Trump perdeu apoio em áreas rurais, tradicionalmente republicanas. Os fazendeiros sentiram o impacto do tarifaço e da alta do combustível causada pela guerra no Irã. Um cenário parecido com o que aconteceu em Iowa. No Maine, a republicana Susan Collins ocupava a cadeira há 30 anos. O democrata Troy Jackson foi eleito para o lugar dela.

Na Câmara dos Deputados, os democratas ocupavam 214 cadeiras e os republicanos, 218. Agora, a oposição já soma 237 cadeiras, e as projeções indicam uma maioria ainda mais ampla. O deputado Hakeem Jeffries, democrata reeleito, que deve se tornar o presidente da Câmara, resumiu a noite da vitória:

“Não foi apenas uma onda azul. Foi um tsunami”.

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