# Pedras de até 318 kg se movem sozinhas no deserto e cientistas descobrem o que provoca o fenômeno misterioso

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/mais/mundo/pedras-de-ate-318-kg-se-movem-sozinhas-no-deserto-e-cientistas-descobrem-o-que-provoca-o-fenomeno-misterioso/)
- Publicado em: 2026-11-05T00:04:37.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1516810-pedras-de-ate-318-kg-se-movem-sozinhas-no-deserto-e-cientistas-descobrem-o-que

> As marcas no barro endurecido permanecem visíveis muito depois que a lâmina de água e o gelo fino já evaporaram, o que por décadas alimentou hipóteses sem nenhuma filmagem do deslocamento real. Ilustração criada com Inteligência Artificial

Imagine caminhar por um deserto e encontrar pedras enormes espalhadas pelo chão, cada uma acompanhada por um longo rastro na terra. O mais estranho é que ninguém parece ter empurrado os blocos, e algumas marcas indicam deslocamentos de dezenas ou até centenas de metros.

Esse fenômeno acontece no Parque Nacional do Vale da Morte, na Califórnia, Estados Unidos, e intrigou pesquisadores durante décadas. As chamadas pedras deslizantes ficaram famosas por parecerem mudar de lugar sozinhas.

O mistério começou a ser esclarecido quando cientistas instalaram equipamentos de monitoramento e finalmente observaram o movimento. A resposta envolvia água rasa, placas finas de gelo e ventos relativamente fracos.

Pedras gigantes deixam rastros no chão do deserto

O fenômeno ocorre em Racetrack Playa, uma extensa planície formada pelo leito de um antigo lago dentro do Vale da Morte.

Durante grande parte do ano, a superfície permanece seca, criando um cenário de solo endurecido e rachado.

Nesse ambiente, pedras de diferentes tamanhos aparecem acompanhadas por sulcos compridos, como se tivessem sido arrastadas pela terra.

Alguns blocos existentes na região chegam a aproximadamente 318 quilos, segundo os registros apresentados na reportagem.

A presença dessas marcas despertou inúmeras perguntas, especialmente porque os visitantes encontravam os rastros depois que o movimento já havia acontecido.

Durante décadas, ninguém conseguia ver as pedras andando

O principal problema enfrentado pelos pesquisadores era a dificuldade de observar o fenômeno no momento exato.

As pedras permaneciam paradas durante longos períodos, e as condições necessárias para o deslocamento aconteciam raramente.

Quando alguém retornava à região, encontrava novas trilhas, mas não havia testemunhado sua formação.

Essa ausência de observação direta ajudou a alimentar hipóteses sobre ventos extremamente fortes e diferentes mecanismos capazes de reduzir o atrito com o solo.

Entretanto, faltavam medições realizadas enquanto as pedras realmente se movimentavam.

Cientistas instalaram GPS para acompanhar os blocos

Em 2011, uma equipe de pesquisadores decidiu investigar o mistério de maneira diferente.

O trabalho foi conduzido por Richard Norris, ligado à Scripps Institution of Oceanography, em colaboração com Jim Norris e outros especialistas.

Com autorização do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, os cientistas instalaram equipamentos de monitoramento em Racetrack Playa.

Foram utilizadas 15 pedras substitutas equipadas com rastreadores GPS, além de uma estação meteorológica.

Os pesquisadores não modificaram as rochas originais do parque, respeitando as regras de preservação da área.

Experimento poderia levar muitos anos

Os cientistas sabiam que registrar o movimento não seria uma tarefa simples.

O Vale da Morte apresenta condições extremamente secas durante boa parte do ano, e a combinação necessária para deslocar as pedras poderia demorar a acontecer.

A equipe chegou a considerar a possibilidade de esperar muitos anos antes de obter resultados.

Mesmo assim, os equipamentos permaneceram instalados para acompanhar mudanças de temperatura, vento e posição das pedras.

O objetivo era descobrir quais condições ambientais coincidiam com o deslocamento, em vez de depender apenas das marcas deixadas no solo.

Mistério começou a ser resolvido em dezembro de 2013

Depois de aproximadamente dois anos de observações, as condições esperadas finalmente apareceram.

No fim de dezembro de 2013, chuvas formaram uma camada rasa de água sobre parte da planície.

A profundidade chegou a aproximadamente sete centímetros, suficiente para deixar o solo úmido e criar uma superfície favorável ao fenômeno.

Durante a noite, as temperaturas baixaram e parte dessa água congelou, formando placas finas de gelo.

Quando o sol apareceu, o gelo começou a se fragmentar, criando as condições que os pesquisadores precisavam observar.

Gelo fino ajudou a empurrar as pedras

A descoberta mostrou que as pedras não dependiam de ventos com força de furacão para se deslocar.

O processo começava quando placas finas de gelo flutuavam sobre a água acumulada no deserto.

Com a ação de ventos suaves, essas placas se movimentavam e exerciam força sobre as pedras.

Ao mesmo tempo, o barro encharcado oferecia menor resistência ao deslocamento.

A combinação permitia que os blocos deslizassem lentamente, deixando os sulcos que intrigavam visitantes havia décadas.

Pedras realmente se moviam sem intervenção humana

Os equipamentos registraram deslocamentos durante o episódio, confirmando que o fenômeno era natural.

As pedras instrumentadas se moveram em trajetos associados ao avanço das placas de gelo, sob condições meteorológicas específicas.

O movimento era relativamente lento, o que ajudava a explicar por que tantas pessoas encontravam apenas os rastros.

A descoberta também mostrou que não era necessário imaginar forças extraordinárias para explicar as marcas.

Um conjunto de condições raras, mas fisicamente compreensíveis, era suficiente para produzir o resultado.

Descoberta foi publicada em estudo científico

Os resultados foram apresentados em agosto de 2014 na revista científica PLOS ONE .

O estudo descreveu a participação da água, do gelo e do vento no deslocamento das pedras monitoradas.

A investigação ganhou destaque porque forneceu observações diretas e registros instrumentais de um fenômeno discutido durante gerações.

A reportagem do portal Futura-Sciences retomou a história para mostrar como os cientistas conseguiram solucionar um dos enigmas naturais mais conhecidos do deserto californiano.

Embora possam existir variações nas condições de deslocamento, o experimento esclareceu o mecanismo observado em Racetrack Playa.

Por que as pedras não se movem todos os dias?

A explicação está na necessidade de vários fatores acontecerem praticamente ao mesmo tempo.

Primeiro, a região precisa receber água suficiente para formar uma camada rasa sobre o solo.

Depois, as temperaturas devem cair até permitir o congelamento da superfície.

Também é necessário que o gelo se fragmente e que o vento consiga movimentar as placas enquanto o terreno permanece úmido.

Como essa combinação é incomum no Vale da Morte, os movimentos são esporádicos.

Depois que a água desaparece e o solo volta a secar, as pedras permanecem imóveis.

As pedras mais pesadas também podem se mover?

A região possui blocos de diferentes massas, incluindo exemplares muito pesados que apresentam rastros no solo.

Entretanto, é importante distinguir o peso máximo mencionado nos registros do experimento realizado pelos cientistas.

O estudo com GPS demonstrou diretamente o movimento das pedras monitoradas, mas isso não significa que cada bloco de 318 quilos tenha sido filmado ou rastreado durante aquele episódio.

O mecanismo observado ajuda a explicar o fenômeno, mas as condições necessárias podem variar conforme o tamanho e a posição de cada rocha.

Essa distinção evita transformar uma descoberta científica real em uma afirmação mais ampla do que os dados permitem.

O que essa descoberta ensina sobre a natureza?

O caso das pedras deslizantes mostra que fenômenos aparentemente impossíveis podem resultar de processos naturais relativamente simples.

Durante décadas, os sulcos no deserto foram suficientes para despertar curiosidade, mas não para comprovar uma explicação.

A situação mudou quando os pesquisadores passaram a registrar continuamente o ambiente.

O uso de GPS e medições meteorológicas permitiu relacionar o movimento das pedras às condições que realmente estavam acontecendo.

A descoberta é um exemplo de como a observação científica pode resolver mistérios sem recorrer a explicações sobrenaturais.

Um mistério de décadas finalmente explicado

As pedras de Racetrack Playa continuam sendo uma das atrações naturais mais curiosas do Vale da Morte.

Os longos rastros no solo criam a impressão de que enormes blocos conseguem se deslocar por vontade própria.

Entretanto, a investigação científica mostrou que o segredo está em eventos climáticos raros que combinam chuva, congelamento, degelo e vento.

O detalhe mais surpreendente é que pedras pesadas podem deslizar pelo deserto sem precisar de ventos violentos. Bastam condições específicas de água, gelo fino e uma brisa capaz de movimentar as placas congeladas sobre o barro úmido. O fenômeno que parecia impossível acabou sendo explicado pela própria natureza.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/mais/mundo/pedras-de-ate-318-kg-se-movem-sozinhas-no-deserto-e-cientistas-descobrem-o-que-provoca-o-fenomeno-misterioso/

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