Ter um jardim bonito e cheio de plantas não precisa significar gastar muito dinheiro em floriculturas ou lojas de jardinagem. Essa é a ideia defendida por Kees, um aposentado de 79 anos que mantém um quintal verde utilizando principalmente mudas doadas, galhos reaproveitados e sementes guardadas.
Morador de Oss, no sul da Holanda, ele chamou atenção ao mostrar como criou seu jardim sem depender da compra constante de novas plantas. A história foi publicada pelo jornal regional Brabants Dagblad .
Além de compartilhar formas econômicas de cultivar, Kees faz uma crítica ao aumento dos quintais cobertos por concreto, uma tendência que, segundo ele, deixa os bairros mais quentes e reduz o espaço destinado à natureza.
Aposentado de 79 anos prefere trocar mudas a comprar plantas
Aos 79 anos, Kees acredita que muitas pessoas gastam dinheiro desnecessariamente quando decidem começar um jardim.
Em vez de visitar um viveiro para comprar todas as espécies, ele prefere conversar com vizinhos e aproveitar materiais que já estão disponíveis.
Galhos retirados durante a poda, sementes guardadas e mudas excedentes podem se transformar em novas plantas, dependendo da espécie e das condições de cultivo.
O método exige paciência, mas permite aumentar a quantidade de vegetação sem precisar adquirir cada exemplar.
Jardim nasceu de galhos, sementes e plantas reaproveitadas
A experiência do aposentado mostra que um jardim pode ser formado gradualmente, sem a necessidade de comprar todas as plantas de uma só vez.
Uma muda recebida de um vizinho pode ocupar um canteiro, enquanto sementes guardadas podem ser utilizadas em outra época do ano.
Também é possível aproveitar partes de plantas saudáveis para tentar produzir novos exemplares por meio de técnicas de propagação.
Entretanto, nem todas as espécies podem ser multiplicadas da mesma maneira. Algumas crescem facilmente por estacas, enquanto outras exigem sementes, divisão de touceiras ou métodos específicos.
Como conseguir mudas sem gastar dinheiro?
Uma das formas mais simples é procurar pessoas que já cultivam plantas em casa.
Vizinhos, familiares e amigos frequentemente possuem espécies que precisam de poda ou que produzem mudas excedentes.
Em vez de descartar esse material, ele pode ser compartilhado com quem deseja começar um jardim.
No Brasil, essa prática é comum com plantas ornamentais e algumas ervas utilizadas na cozinha.
Também existem grupos comunitários, hortas coletivas e iniciativas locais de troca de sementes e mudas, que podem facilitar o acesso gratuito a diferentes espécies.
Galhos cortados podem se transformar em novas plantas
A técnica conhecida como estaquia permite multiplicar determinadas plantas a partir de partes de seus caules ou ramos.
O processo envolve selecionar uma estaca adequada e colocá-la em condições que favoreçam a formação de raízes.
Dependendo da espécie, o enraizamento pode acontecer em substrato apropriado ou em água.
Entretanto, a técnica não funciona igualmente para todas as plantas, e a época do ano pode influenciar os resultados.
Antes de retirar galhos, é importante verificar se a espécie aceita esse tipo de propagação e utilizar ferramentas limpas para evitar a transmissão de doenças.
Guardar sementes é outra maneira de economizar
Kees também valoriza o aproveitamento de sementes, uma prática que pode reduzir a necessidade de comprar novos pacotes a cada plantio.
Em determinadas culturas, é possível coletar sementes maduras, secá-las adequadamente e armazená-las para uma próxima época de cultivo.
No Brasil, espécies como girassol, manjericão e algumas hortaliças podem fazer parte de experiências de jardinagem com sementes.
Entretanto, a capacidade de germinação varia conforme a espécie, o armazenamento e a origem do material.
Sementes de frutos comerciais ou de plantas híbridas nem sempre produzem exemplares iguais à planta original.
Folhas secas também podem ajudar o jardim
Outro hábito defendido pelo aposentado é aproveitar materiais orgânicos disponíveis no próprio quintal.
Folhas secas podem ser utilizadas como cobertura do solo, ajudando a reduzir a exposição direta ao sol e a perda de umidade.
Com o tempo, parte desse material se decompõe e participa dos processos naturais de formação de matéria orgânica.
A prática pode diminuir a necessidade de regas frequentes em determinadas condições.
Entretanto, é importante evitar folhas contaminadas por doenças, resíduos químicos ou materiais inadequados.
A cobertura também não deve ficar acumulada diretamente sobre o caule de plantas sensíveis à umidade.
Aposentado critica quintais cobertos de cimento
Além de compartilhar suas técnicas de jardinagem, Kees demonstra preocupação com a quantidade de áreas residenciais que perderam espaço verde.
Segundo ele, muitos moradores substituem a terra por concreto, pedras ou outros revestimentos na tentativa de reduzir a manutenção.
Embora essa escolha possa facilitar algumas tarefas, também diminui as oportunidades de cultivar plantas.
O aposentado acredita que quintais com vegetação oferecem benefícios que vão além da aparência.
Para demonstrar sua visão, ele mantém o próprio jardim como exemplo de um espaço onde plantas, solo e pequenos animais continuam presentes.
Por que o excesso de concreto deixa o quintal mais quente?
Superfícies de concreto expostas ao sol podem acumular calor e contribuir para temperaturas elevadas ao redor das residências.
Já as plantas oferecem sombra e participam de processos de evapotranspiração, que podem ajudar a moderar a temperatura do ambiente.
A diferença depende de fatores como quantidade de vegetação, exposição solar, ventilação e tipo de revestimento.
Em cidades brasileiras com verões quentes, preservar árvores e canteiros pode contribuir para melhorar o conforto térmico.
Isso não significa que qualquer vaso isolado seja suficiente para resfriar uma casa inteira, mas áreas verdes bem planejadas podem favorecer o microclima local.
Quintais com terra também ajudam durante as chuvas
Outra preocupação relacionada à impermeabilização dos terrenos é o destino da água da chuva.
Quando grandes áreas são cobertas por materiais impermeáveis, parte da água deixa de infiltrar diretamente no solo e passa a escoar pela superfície.
Em períodos de chuva intensa, esse escoamento pode contribuir para sobrecarregar sistemas de drenagem.
Manter áreas permeáveis ajuda a permitir a infiltração, desde que o solo e as condições do terreno sejam adequados.
No Brasil, onde muitas cidades enfrentam alagamentos, preservar espaços verdes pode fazer parte de estratégias mais amplas de drenagem urbana.
É possível criar um jardim mesmo com pouco espaço?
Quem mora em casa pequena ou apartamento também pode aproveitar algumas das ideias apresentadas por Kees.
Vasos, jardineiras e pequenos canteiros permitem cultivar espécies compatíveis com a iluminação e o espaço disponíveis.
Ervas culinárias podem ser uma alternativa para quem deseja começar com poucas plantas e acompanhar seu desenvolvimento.
Em áreas externas, é importante considerar a incidência de sol, a necessidade de rega e a drenagem dos recipientes.
Já em sacadas e lajes, vasos grandes exigem atenção ao peso e às condições estruturais do imóvel.
Quais cuidados ajudam as mudas a sobreviver?
Receber uma muda gratuitamente é apenas o começo. Para que ela se desenvolva, é necessário conhecer suas necessidades.
Algumas plantas exigem várias horas de sol direto, enquanto outras preferem ambientes de luz indireta.
A frequência de rega também varia conforme a espécie, o clima e o tipo de recipiente.
Excesso de água pode prejudicar as raízes, assim como a falta prolongada de umidade.
Por isso, identificar a planta antes do cultivo e observar sua adaptação costuma ser mais importante do que simplesmente aumentar a quantidade de vasos.
O que a experiência ensina aos brasileiros?
A principal mensagem do aposentado é que cultivar plantas não precisa depender de compras frequentes.
Trocar mudas, guardar sementes e aproveitar materiais orgânicos são práticas que podem tornar a jardinagem mais acessível.
Ao mesmo tempo, o exemplo chama atenção para a importância de preservar espaços de terra e vegetação nas residências.
Em um país como o Brasil, marcado por grande diversidade de espécies e diferentes condições climáticas, essas ideias podem ser adaptadas à realidade de cada região.
O detalhe mais interessante é que, aos 79 anos, Kees continua ampliando seu jardim com plantas recebidas de outras pessoas e materiais que poderiam ser descartados. Para ele, a melhor maneira de ter um quintal verde não começa necessariamente em uma loja, mas na troca de mudas, no cuidado com o solo e na paciência para deixar as plantas crescerem.

