O estudo foi divulgado nesta 4ª feira (4.nov.2026), data em que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) manteve a Selic em 13,75% ao ano. A permanência dos juros em patamar elevado busca conter a inflação, mas também encarece o crédito e restringe o consumo e os investimentos.

O ranking considera os juros reais ex ante, calculados a partir das taxas de mercado descontadas as expectativas de inflação para os próximos 12 meses.

A Turquia aparece na 2ª colocação, com juros reais de 7,77% ao ano. A Argentina ocupa o 3º lugar, com 6,80%, seguida pela Rússia, com 6,57%, e pela Colômbia, com 4,05%.

A taxa brasileira supera a da Turquia em 1,72 ponto percentual. Também equivale a mais de 7 vezes a média de 1,28% registrada entre os 40 países analisados.

Entre as maiores economias do mundo, os Estados Unidos aparecem na 22ª colocação, com juros reais de 0,46% ao ano. A China ocupa a 29ª posição, com 0,21%.

O Canadá registra taxa real de 0,00%, enquanto outras 10 economias apresentam juros reais negativos.

A Suécia ocupa a última posição, com -4,87%, seguida pela Suíça, com -0,78%, e pelo Japão, com -0,76%.

Os juros reais representam o rendimento de uma aplicação financeira depois de descontada a inflação. Quanto maior a taxa, maior tende a ser o retorno real oferecido aos investidores e mais restritivas são as condições de financiamento na economia.

A MoneYou e a Lev Intelligence utilizam a metodologia ex ante , que considera a inflação esperada para os próximos 12 meses, em vez da inflação já registrada.

No Brasil, o cálculo tem como referência a taxa do DI (Depósito Interbancário) de 1 ano, negociada no mercado futuro, e a expectativa de inflação para o mesmo período.

A metodologia utiliza a equação de Fisher, que relaciona juros nominais e inflação esperada.

Dessa forma, o indicador não corresponde à simples diferença entre a Selic e a inflação. O resultado também reflete as expectativas dos investidores para a trajetória futura dos juros.

EFEITO NA ECONOMIA

A manutenção da Selic em 13,75% mantém o custo do dinheiro elevado no Brasil. A taxa básica influencia os juros cobrados por bancos em empréstimos e financiamentos e também a remuneração dos investimentos em renda fixa.

Para as empresas, juros elevados aumentam os custos de financiamento e podem adiar projetos de expansão. Para as famílias, tornam mais caras operações como crédito pessoal, financiamento imobiliário e aquisição de veículos.

Por outro lado, a política monetária restritiva busca reduzir a demanda e conter as pressões inflacionárias.

O elevado diferencial de juros reais também torna os ativos brasileiros mais atrativos para investidores interessados em rendimentos acima da inflação, embora o retorno dependa de fatores como risco de crédito, câmbio e condições de mercado.

O levantamento evidencia a distância entre o custo real do dinheiro no Brasil e o observado nas demais economias analisadas. Mesmo com as diferenças metodológicas entre os países, a taxa brasileira supera a dos principais mercados emergentes incluídos na pesquisa.