“Não se tratou de uma única violação isolada nem de um simples caso de phishing. Os invasores combinaram uma série de técnicas, incluindo […] falsas entrevistas de recrutamento, downloads de softwares maliciosos” e outros métodos, disse a empresa em nota , ao apresentar as conclusões de uma investigação sobre o ataque.
No sábado (31.out), o FBI atribuiu ao governo da Coreia do Norte e a um grupo hacker patrocinado pelo Estado, conhecido como TraderTraitor, a responsabilidade pelo ciberataque contra a corretora de criptomoedas. Os norte-coreanos negam a autoria e classificaram a atribuição pelo FBI de “retórica absurda” .
A corretora afirmou que, em junho, um de seus engenheiros baixou um programa adulterado. O incidente foi detectado pelos sistemas da Binance, e o dispositivo do engenheiro foi substituído, mas não antes de “sua função e seus colegas ligados à nossa equipe de infraestrutura de carteiras [terem sido] expostos ao hacker” .
Em setembro, um outro engenheiro da Binance foi contatado por meio de uma plataforma de busca de empregos por uma pessoa que dizia ser diretora de projetos de uma empresa que, mais tarde, revelou-se falsa.
O engenheiro participou do que acreditava ser uma entrevista de emprego, durante a qual o entrevistador compartilhou seu perfil em uma rede social, “incluindo fotos e vídeos pessoais publicados na plataforma, com o objetivo de conquistar confiança” , informou a Binance. A empresa descreveu o episódio como “mais avançado e enganoso do que as abordagens de engenharia social observadas anteriormente” .
Em uma 2ª entrevista com uma pessoa que dizia ser a diretora-executiva da empresa falsa, realizada por meio de um aplicativo de mensagens, o entrevistador instruiu o engenheiro a baixar uma tarefa para o processo seletivo, que continha código malicioso. O download não foi detectado e permitiu que os invasores usassem as ferramentas internas de inteligência artificial da Binance para assumir o controle de alguns dos sistemas da corretora.
“O malware empregou técnicas sofisticadas para ofuscar e invadir, incluindo a substituição de um componente legítimo de uma ferramenta de desenvolvimento por uma versão maliciosa, a fim de executar comandos e estabelecer comunicação com um servidor externo controlado pelo invasor” , afirmou a plataforma.
A Binance afirmou que, desde então, reconstruiu seus sistemas de carteiras e suas ferramentas de IA e que estava trabalhando com especialistas externos em segurança cibernética para reforçar a proteção.
SAQUES DE CRIPTOMOEDAS
Na madrugada desta 5ª feira (5.nov), a Binance anunciou que vai ampliar a retomada dos serviços de saque de criptomoedas. Segundo a empresa, as retiradas de dezenas de ativos em diferentes redes começarão a ser liberadas gradualmente a partir das 4h (horário de Brasília) desta 5ª feira (5.nov).
A corretora ressaltou que os ativos não serão liberados de uma só vez. Cada combinação de criptomoeda e rede terá os saques retomados só depois da conclusão de verificações de segurança.
Entre as redes contempladas nesta nova etapa estão Ethereum (ETH), BNB Smart Chain (BSC), Base, Tron (TRX), Polygon (MATIC) e Sui. Criptoativos como UNI, AAVE, PAXG, FLOKI, SAND, ENS e GRT estão entre os previstos para ter os saques restabelecidos.
A empresa afirmou que está priorizando os ativos de acordo com a demanda dos usuários registrada na última semana. Outros criptoativos deverão ser acrescentados gradualmente à lista conforme as verificações de segurança forem concluídas.
Segundo a Binance, os depósitos continuam funcionando normalmente.

