A porta de vidro de uma barbearia quebrou duas vezes nas mãos de um funcionário, em um intervalo de nove dias, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Com a repercussão do caso, o g1 conversou com especialistas para entender as possíveis causas desse tipo de explosão (veja mais abaixo).
Apesar do susto, Leandro Malisani sofreu apenas ferimentos leves e não precisou ser hospitalizado. A porta já foi consertada, e as imagens das câmeras de monitoramento da barbearia ultrapassaram dois milhões de visualizações nas redes sociais.
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Leandro contou que um técnico avaliou a porta após os episódios, mas não identificou problemas na instalação nem conseguiu explicar o que provocou as explosões. O g1 não conseguiu contato com os responsáveis pela instalação.
Porta de vidro quebra duas vezes nas mãos de barbeiro no litoral de SP
A perita e diretora da FM Laboratório Pericial, Cely Martori, explicou ao g1 que o vidro não quebra sem uma causa, embora ela nem sempre seja identificada imediatamente.
"Uma pequena lasca na borda, uma batida anterior, pressão das ferragens ou contato com o piso podem provocar a ruptura", afirmou.
Segundo a especialista, falhas de fabricação também devem ser consideradas, como a presença de pequenas partículas no interior do material. "O vidro temperado é resistente, mas seus cantos e bordas exigem cuidado. O trilho pode contribuir se estiver desalinhado ou fazendo a porta prender".
O arquiteto Carlos Alberto Saraiva, proprietário da Vidr'Arte e especialista em instalação e manutenção de vidros, apontou que problemas na instalação também podem provocar rupturas. Entre as possibilidades citadas por ele estão roldanas mal ajustadas ou submetidas a pressão excessiva.
Carlos acrescentou que o contato inadequado entre o vidro e componentes metálicos pode contribuir para a quebra, dependendo das condições da instalação e das variações de temperatura.
Como as duas explosões aconteceram durante a movimentação da porta, em um intervalo de apenas nove dias, Cely afirmou que investigaria o alinhamento, as folgas e as ferragens para identificar possíveis pontos de contato ou pressão indevida sobre o vidro.
A perita ressaltou, porém, que não é possível determinar o que provocou as duas rupturas sem uma avaliação técnica específica da estrutura.
Porta de vidro quebra duas vezes nas mãos de barbeiro no litoral de SP
De acordo com a proprietária da barbearia, Erilaine Guarini, a porta era feita de vidro temperado de 8 mm de espessura.
Carlos explicou que os vidros temperado e laminado são utilizados em portas de estabelecimentos comerciais. Segundo ele, a escolha do material e da espessura deve considerar as características da estrutura e as condições de instalação.
🔎 Entenda a diferença: O vidro temperado se quebra em pequenos fragmentos, que ainda podem causar ferimentos. Já o laminado possui uma camada intermediária que mantém os pedaços aderidos, reduzindo a dispersão em caso de ruptura.
O arquiteto também recomendou o uso de películas de segurança, que podem ajudar a manter os fragmentos unidos caso o vidro se quebre.
"É sempre conveniente quando instalar uma porta de passagem, fazer uma aplicação de uma película antivandalismo, que chamam. Se estourar o vidro, a porta ainda fica em pé, não tem perigo de desabar em cima da pessoa, explodir e poder machucar", explicou Carlos.
Sinais de risco
O arquiteto destacou que a manutenção preventiva é importante para reduzir o risco de explosões. Segundo ele, trincas e outros danos devem ser avaliados imediatamente, pois podem comprometer a resistência do vidro e provocar novas rupturas.
Cely acrescentou que algumas explosões podem acontecer sem sinais visíveis, mas determinadas alterações no funcionamento da porta exigem atenção.
"Se a porta começar a raspar no chão, prender, fazer ruídos diferentes ou apresentar ferragens soltas, lascas ou trincas, o uso deve ser interrompido até uma avaliação".
Porta de vidro quebra duas vezes nas mãos de barbeiro no litoral de SP
Ao g1, Leandro contou que a primeira explosão aconteceu em 15 de outubro, antes da inauguração da barbearia, localizada na Avenida do Trabalhador, no bairro Vila Antártica.
Ele organizava o estabelecimento para os últimos preparativos quando, ao fechar a porta, o vidro estourou.
A inauguração estava prevista inicialmente para 20 de outubro, mas precisou ser adiada para o dia 24 devido à quebra da porta. Na noite da inauguração, após o primeiro dia de atendimento ao público, o episódio se repetiu.
O primeiro reparo foi realizado em 16 de outubro, custou R$ 900 e foi pago pela proprietária. Na segunda vez, a porta foi consertada três dias depois pela empresa responsável pela instalação, que arcou com os custos.
"Eu não tive reação [...] A segunda vez, quando estourou de novo, eu olhei para [o dono da barbearia] e falei: 'Você viu? Não fui eu'", contou Leandro, com bom humor.
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