# Quem vai comandar o Congresso em 2027? Entenda a disputa entre Lula e PL

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/quem-vai-comandar-o-congresso-em-2027-entenda-a-disputa-entre-lula-e-pl/)
- Publicado em: 2026-11-05T10:00:00.000Z
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> A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado começou a desenhar duas estratégias diferentes para o Congresso que tomará posse em fevereiro de 2027. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta manter Hugo Motta…

O movimento ocorre depois de uma eleição que ampliou a representação da direita e deu ao partido de Flávio Bolsonaro as maiores bancadas do Legislativo. Apesar desse crescimento, a oposição ainda precisa atrair outras legendas para transformar sua força parlamentar em controle da pauta do Congresso.

A principal novidade desta quarta-feira (4) foi a oficialização da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado . O senador, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, terá apoio do PL e busca reunir uma aliança com o Novo e parlamentares de centro-direita para enfrentar Alcolumbre.

Na Câmara, o cenário é diferente. Motta acumulou adesões de partidos governistas e do Centrão, reduzindo o espaço para uma candidatura competitiva do PL. A possibilidade de um acordo com o atual presidente ganhou força entre dirigentes da legenda, interessados em garantir participação na Mesa Diretora e nas comissões.

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Lula oferece apoio e busca estabilidade para 2027

O entendimento entre Lula e os presidentes das duas Casas começou a ganhar forma antes mesmo do segundo turno presidencial e foi reforçado em 26 de outubro, quando Motta e Alcolumbre visitaram o presidente reeleito no Palácio da Alvorada.

No encontro, Lula assegurou aos dois que a base governista apoiará suas candidaturas à reeleição, marcada para 1º de fevereiro. Em contrapartida, o Planalto espera manter canais de negociação para aprovar suas prioridades legislativas.

Após o encontro, Alcolumbre divulgou uma nota reconhecendo a vitória de Lula e reafirmando o compromisso com o diálogo entre os Poderes. Também destacou a independência do Legislativo, sinalizando que a aproximação com o Executivo não representa alinhamento automático em todas as votações.

Na reunião, que durou cerca de uma hora e quarenta minutos, Lula pediu prioridade à PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado na terça-feira (3) , e discutiu a necessidade de construir uma base mais estável para o próximo mandato.

O presidente também convidou Motta e Alcolumbre para acompanhá-lo em compromissos internacionais em novembro , gesto interpretado como parte da aproximação institucional.

A escolha dos aliados tem consequências para a agenda econômica. O governo precisará negociar medidas de ajuste fiscal com um Congresso no qual o PT terá representação limitada e o apoio de partidos de centro dependerá do conteúdo de cada proposta.

A estratégia do Planalto inclui oferecer participação no ministério a legendas que assumam compromissos de sustentação parlamentar. PP, Republicanos e União Brasil estão entre os partidos que discutem ampliar sua presença no governo.

Motta reúne partidos e esvazia candidatura do PL

A situação de Hugo Motta é considerada mais consolidada. O presidente da Câmara já reuniu apoio de 15 partidos, incluindo o PT, que formalizou sua adesão à candidatura.

O PL chegou a considerar o lançamento de um nome próprio. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o primeiro vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (RJ), apareceram nas articulações internas.

A hipótese, porém, perdeu força diante da amplitude da aliança construída por Motta. Uma ala do partido, ligada ao presidente nacional Valdemar Costa Neto, defende que a legenda negocie participação na estrutura da Câmara em vez de arriscar uma disputa com poucas adesões fora da bancada.

A preocupação envolve especialmente a distribuição das comissões. Embora tenha eleito 121 deputados, o PL poderá perder espaço nas posições mais disputadas caso fique isolado dos blocos parlamentares formados no início da legislatura.

Osdirigentes da sigla avaliam que um acordo com Motta poderia garantir maior influência sobre a tramitação de projetos e a fiscalização do governo Lula. O partido ainda não anunciou uma decisão definitiva. Uma reunião de lideranças realizada na terça-feira (3) terminou sem consenso sobre a eleição da Câmara.

Senado concentra confronto principal

A oficialização de Rogério Marinho colocou o Senado no centro da estratégia do PL. A legenda terá 29 dos 81 senadores e conta com a adesão dos três parlamentares do Novo, formando um grupo inicial de 32 votos.

Para conquistar a presidência, Marinho precisará alcançar pelo menos 41 votos. A diferença terá de ser preenchida com adesões de outros partidos, especialmente PP, Republicanos e integrantes da centro-direita.

Após a reunião desta quarta-feira, Marinho afirmou que mantém um entendimento com Tereza Cristina para evitar que ambos disputem a eleição até o fim. A definição sobre quem representará a oposição deverá ocorrer em janeiro, quando os dois pretendem comparar suas condições de apoio.

A senadora, entretanto, mantém a pré-candidatura e busca votos entre parlamentares ligados ao agronegócio, integrantes da bancada feminina e políticos de centro.

A negociação já provocou atritos. Segundo a Folha de S.Paulo , integrantes do PP se incomodaram com ataques dirigidos a Tereza por apoiadores de Marinho, que pressionam a ex-ministra a abandonar a disputa.

O PP terá seis senadores na próxima legislatura. De acordo com a reportagem, dois são considerados próximos de Alcolumbre, outros dois apoiam uma candidatura da oposição e os demais ainda não definiram posição.

A divisão é relevante porque a direção da federação formada por PP e União Brasil já anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre. O compromisso, entretanto, não foi previamente negociado com todos os integrantes das bancadas.

Alcolumbre tenta atrair votos com discussão sobre anistia

Alcolumbre aposta nas relações construídas com senadores de diferentes partidos e no apoio de Lula para permanecer no cargo. O presidente do Senado espera receber votos reservados de integrantes da oposição, além de parlamentares de centro-direita que mantêm relações pessoais e políticas com ele.

Uma das iniciativas para ampliar esse diálogo envolve a situação de Jair Bolsonaro. Alcolumbre tem defendido, em conversas com senadores, uma solução política que poderia incluir algum tipo de indulto ou anistia ao ex-presidente.

A proposta é apresentada por interlocutores como parte de um esforço de pacificação, mas ainda não existe acordo formal ou definição sobre o instrumento jurídico.

O tema também aparece entre as prioridades de Marinho, que defendeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e criticou a resistência do Senado em dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do STF.

A postura diante do Supremo tornou-se um dos principais critérios utilizados por senadores bolsonaristas para avaliar os candidatos. Alcolumbre enfrenta resistência justamente de parlamentares que defendem uma atuação mais intensa do Legislativo sobre a Corte.

Espaço do PL no quarto mandato

A eleição de fevereiro também terá consequências para a distribuição do poder dentro do próprio Congresso.

Na Câmara, Motta poderá oferecer ao PL participação em comissões e na Mesa Diretora, mesmo que o partido permaneça na oposição ao governo federal. Para a legenda, essa alternativa permitiria preservar influência sobre projetos legislativos sem depender de uma candidatura própria.

No Senado, a disputa envolve atribuições mais sensíveis para o governo Lula, como o andamento de indicações para tribunais superiores, a análise de autoridades e a decisão sobre a tramitação de pedidos de impeachment de ministros do STF.

A importância do cargo ficou evidente durante o terceiro mandato, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo, episódio que provocou atritos entre o Planalto e Alcolumbre.

A reaproximação posterior dos dois também ajuda a explicar o interesse de Lula em preservar o atual presidente da Casa. Para o governo, o acordo com Motta e Alcolumbre poderá facilitar a construção de maiorias em um Legislativo com forte presença da direita.

O apoio anunciado pelos presidentes das Casas, contudo, não representa compromisso de aprovar automaticamente as medidas econômicas e políticas do Executivo. A disputa ainda dependerá da definição das candidaturas, da distribuição de cargos e dos acordos entre partidos que mantêm parlamentares tanto na base governista quanto na oposição.

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