As acusações foram feitas por organizações integrantes da Coalizão Jurídica Transnacional (Transnational Legal Coalition, TLC na sigla em inglês).

A JBS N.V., controladora global do grupo, foi alvo de uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público dos Países Baixos, onde é sediada. Já a JBS Global (UK) Limited foi denunciada à National Crime Agency (NCA) e à Autoridade de Conduta Financeira (FCA), ambas do Reino Unido.

A TLC denunciou, ainda, financiadores e detentores de ativos da JBS, além de escritórios de advocacia e contabilidade que prestam serviços para a multinacional brasileira. Tais denúncias — 12 no total — foram apresentadas a órgãos reguladores financeiros e autoridades responsáveis pela fiscalização das leis contra a lavagem de dinheiro em quatro jurisdições europeias: Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos.

Segundo a coalizão, um relatório encomendado à organização holandesa AidEnvironment revelou que a JBS pode ser associada a mais de 6,5 milhões de hectares de terras desmatadas na Amazônia brasileira entre 1988 e 2026 para a criação de gado que abastece a empresa.

A coalizão também informa que investigações sobre a JBS realizadas pela Repórter Brasil formam “uma base fundamental importante para o conjunto de evidências do TLC”.

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“A JBS lamenta que a campanha da ONG tenha omitido os supostos dados em que se baseiam as alegações contra a Companhia, o que a impede de tomar providências a respeito”, respondeu a empresa à Repórter Brasil .

A JBS afirmou ainda que monitora seus fornecedores com base em critérios definidos em protocolo estabelecido pelo Ministério Público Federal. “O sistema analisa diariamente mais de 600 mil km² do território brasileiro e bloqueia automaticamente fazendas com desmatamento ilegal, áreas embargadas, sobreposição com terras indígenas, territórios quilombolas ou unidades de conservação, ou trabalho análogo ao escravo”, complementa ( leia aqui a resposta na íntegra ).

De acordo com a TLC, a AidEnvironment constatou que cerca de metade do desmate supostamente associado à JBS teria sido causada por fornecedores diretos, enquanto a outra metade por fornecedores indiretos. Mais de 80% dos casos, além disso, teriam acontecido em áreas protegidas, como Reservas Legais e APPs (Áreas de Preservação Permanente).

Segundo o comunicado de imprensa divulgado pela coalizão, os lucros obtidos pela JBS com a venda do gado supostamente produzido em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia estariam sendo usados para pagar financiadores e facilitadores sediados na União Europeia, “apesar dos marcos legais contra a lavagem de dinheiro aplicáveis nas quatro jurisdições europeias onde as denúncias foram apresentadas”.

“A destruição florestal na Amazônia levanta questões sérias para bancos aqui na Europa”, diz Gearóid Ó Cuinn, diretor da Global Legal Action Network, uma das organizações integrantes da TLC. “Nossas evidências de suposto desmatamento criminoso na cadeia de suprimentos da JBS exigem que as instituições financeiras que a apoiam sejam submetidas a uma análise rigorosa, à luz das leis de combate à lavagem de dinheiro”, complementa.

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