# Queda além do esperado na produção industrial acende alerta para PIB e investimentos

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/producao-industrial-setembro-queda-pib-investimentos/)
- Publicado em: 2026-11-05T15:00:15.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1526419-queda-alem-do-esperado-na-producao-industrial-acende-alerta-para-pib-e

> O recuo de 0,8% na produção industrial de setembro consolidou a perda de tração do setor e acendeu o alerta em relação ao ritmo da economia brasileira no encerramento do terceiro trimestre. O resultado veio pior do que as projeções do…

Esta é a quinta retração mensal consecutiva, e o fraco desempenho ficou disseminado por 17 das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE.

Economistas avaliam que a indústria já dá sinais claros de deterioração induzida pelos juros elevados e pela desaceleração da demanda.

No acumulado do terceiro trimestre, a produção industrial contraiu 2,2% na comparação com o trimestre anterior. É o recuo trimestral mais acentuado desde o segundo trimestre de 2021, eliminando os ganhos acumulados ao longo dos últimos doze meses.

Em termos práticos, o índice ajustado sazonalmente encontra-se 4,1% abaixo do pico registrado em abril, retornando ao patamar observado em maio de 2024.

Sem o petróleo, retração indicaria recessão

A análise dos números mostra que o setor industrial teve pior desempenho quando se isola o setor extrativo.

A indústria de transformação encolheu 1,3% na margem e 3,8% em relação a setembro do ano anterior, com recuos significativos em segmentos como derivados de petróleo (-4,2%), móveis (-3,4%), produtos farmacêuticos (-3,1%), minerais não metálicos (-2,6%), máquinas e equipamentos (-2,1%), açúcar (-28,6%) e etanol (-22,7%).

Em contrapartida, a indústria extrativa avançou 1,7% no mês, impulsionada pelas altas na extração de petróleo (+1,0%) e minérios (+1,1%).

André Valério, economista sênior do Banco Inter, aponta que a produção industrial teria recuado 1,4% no mês caso fossem excluídas as indústrias extrativas e de derivados de petróleo. No acumulado em 12 meses, em vez da alta marginal de 0,2% informada pelo dado geral, o indicador registraria queda de 0,98%.

&#8220;A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo que, no ano, apresentam desempenho robusto&#8221;, diz Valério.

O fim de estímulos pontuais e das políticas parafiscais de incentivo à cadeia automotiva (como o programa Move Brasil), somado ao fim do período sazonalmente favorável dos alimentos, retirou a sustentação da atividade industrial, segundo análise de Matheus Pizzani, economista do PicPay.

&#8220;O fim do período sazonalmente positivo para a produção e comercialização de alimentos combinado com o esgotamento da capacidade de contração de novas dívidas de longo prazo por parte das famílias gerou uma reversão forte o bastante para garantir que nem o excelente desempenho do setor de petróleo fosse suficiente para impedir duas quedas em sequência da produção industrial&#8221;, afirma Pizzani.

Recuo em bens de capital mostra retração dos investimentos

Entre as grandes categorias econômicas, o desempenho mais preocupante ficou concentrado nos bens de capital, que caíram 1,9% no mês, 4,9% na comparação anual e 0,7% no trimestre.

Por ser um indicador diretamente ligado à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a retração sinaliza que o setor produtivo está adiando decisões de investimento.

Os bens de consumo semiduráveis e não duráveis também registraram forte queda (-1,2% no mês, -4,2% no trimestre e -6,3% na comparação anual), enquanto os bens intermediários — principal peso da estrutura industrial — encolheram 0,7% no mês e 1,8% no trimestre.

A única exceção positiva veio dos bens de consumo duráveis, com alta de 0,7% no mês e 1,7% no trimestre, puxada pelo setor automotivo, cuja produção de veículos acumula avanço anual de 7,3%.

Juros altos afastam investimentos

Economistas são unânimes ao apontar o peso da política monetária restritiva sobre os setores mais sensíveis ao crédito. Com a Selic mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o alto custo dos financiamentos adia decisões de investimento e de consumo com maior valor agregado.

&#8220;Os juros elevados ajudam a explicar esse cenário: com o crédito mais caro, as empresas tendem a adiar investimentos e famílias podem postergar a compra de bens duráveis&#8221;, pondera Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, destacando que o Banco Central sinalizou o fim do ciclo de cortes de juros no curto prazo.

Projeções do PIB do 3º tri têm viés de baixa

A contração de 2,2% no terceiro trimestre deixa uma herança estatística ( carry-over ) desfavorável de -0,8% para a indústria no quarto trimestre. O impacto é ainda mais negativo em bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-1,4%) e bens de capital (-1,3%).

Este enfraquecimento industrial pressiona diretamente as estimativas para o Produto Interno Bruto ( PIB ) do período.

A XP Investimentos projeta variação de -0,2% para o PIB do terceiro trimestre na comparação com o trimestre anterior (alta de 1,3% na base anual), mantendo viés de baixa em suas projeções para o crescimento de 2026 (1,7%) e 2027 (1,0%).

O ASA também prevê recuo de 0,2% no PIB do 3º trimestre em relação ao trimestre anterior, ressaltando que o resultado representa um sinal negativo acentuado para a atividade agregada.

O C6 Bank avalia que o PIB de 2026 irá crescer só 1,5%, e diz que o mercado de trabalho aquecido e o crescimento da renda continuam amortecendo parcialmente o impacto da fraqueza industrial sobre as famílias.

&#8220;O resultado de setembro reforça a leitura de desaceleração mais intensa da atividade doméstica no terceiro trimestre. A queda de 2,2% da indústria no trimestre representa um sinal negativo para o PIB e adiciona viés de baixa à nossa projeção de queda de -0,2%&#8221;, diz Leandro Padulla, economista do ASA.

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