# 31 filmes da 50ª Mostra de SP, do pior para o melhor, segundo Rolling Stone

- Seção: Entretenimento
- Fonte: Rolling Stone Brasil (https://rollingstone.com.br/cinema/31-filmes-da-50a-mostra-de-sp-do-pior-para-o-melhor/)
- Publicado em: 2026-11-05T15:15:37.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1526797-31-filmes-da-50-mostra-de-sp-do-pior-para-o-melhor-segundo-rolling-stone

> A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo , um dos principais eventos de cinema do Brasil e da América Latina, encerrou oficialmente nesta quarta-feira, 4 de novembro, após duas semanas em cartaz e mais seis dias de repescagem. No 50º…

Confira a seguir os 31 filmes assistidos por Angelo Cordeiro , Beatriz Sandoval e Gabriela Nangino , repórteres de cinema do site, em ordem de preferência, do pior para o melhor:

31. O Último Dia

Uma releitura contemporânea de Mrs. Dalloway , de Virginia Woolf , o filme acompanha um dia na vida de duas mulheres em busca de si mesmas: Julia ( Alicia Vikander , A Garota Dinamarquesa ), uma escritora que se prepara para oferecer uma elaborada Festa 4 de Julho; e Taylor ( Victoria Pedretti , A Maldição da Residência Hill ), uma jovem mãe de três filhos que luta para manter o equilíbrio.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Rachel Rose estreia na direção de longas com O Último Dia e até demonstra alguma sensibilidade visual, especialmente na maneira como observa a solidão de suas personagens em meio à movimentação de Nova York, e apresenta ideias formais interessantes para traduzir seus estados emocionais. Entretanto, aquilo que funciona nos primeiros minutos rapidamente se esgota, e a diretora passa a rodar em círculos, repetindo imagens, situações e sentimentos sem encontrar novas camadas para suas histórias.

O maior problema está justamente na construção de duas narrativas paralelas que parecem interessantes na primeira página do roteiro, mas cuja aproximação nunca se concretiza. As protagonistas, vividas por Alicia Vikander e Victoria Pedretti , praticamente não compartilham a cena, tampouco estabelecem um diálogo capaz de fazer suas experiências reverberarem uma na outra, o que transforma a montagem em um exercício complicado de alternância entre conflitos que pouco acrescentam entre si.

Com muito esforço, podemos definir quem são essas mulheres e o que elas sentem, mas Rose parece não saber o que fazer com essas informações que ela mesma nos dá, deixando o longa estagnado em suas próprias intenções. Wagner Moura ? Um desperdício. Ao final, O Último Dia se revela um filme que reconhece as dores da maternidade, mas que encontra pouquíssimas maneiras de investigá-las para além da superfície.

London ( Victor Di Marco ), um jovem queer com deficiência, ganha a vida fazendo performances eróticas em uma casa de fetiches e tem a chance de descobrir a origem e o destino de sua deficiência através de um exame médico. Com os resultados em mãos, London vai ter que decidir se sua vida será guiada por um diagnóstico ou se vai seguir seus sonhos.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

London encontra suas maiores qualidades justamente quando permite que seu protagonista exista para além da deficiência. Interpretado com coragem e sensibilidade por Victor Di Marco , o personagem demonstra muito mais personalidade e segurança quando está inserido no universo fetichista do que nas relações familiares, nas quais parece aceitar passivamente a condição de vítima que lhe é atribuída. É uma contradição interessante, mas que o filme não explora com a profundidade necessária.

Para uma narrativa que coloca um diagnóstico médico no centro de seus conflitos, chama atenção como London parece se entregar às limitações impostas por ele antes mesmo de conhecê-lo. Dessa forma, sua vida sexual acaba reduzida a uma dimensão quase isolada da história, quando poderia ser justamente o caminho para compreender quem ele realmente é. Falta ao longa fazer com que essa identidade, tão evidente em determinados momentos, também se imponha diante de um mundo que insiste em enxergá-lo apenas por sua deficiência.

O resultado é um filme irregular, mas corajoso, que encontra em seu desfecho uma força emocional que poderia ter sido mais presente ao longo da projeção. Ainda assim, há algo profundamente significativo em ver um protagonista, diretor e roteirista — ao lado de Márcio Picoli — com deficiência conquistar espaço e reconhecimento internacional, especialmente com o Queer Lion no Festival de Veneza. London pode não alcançar êxito em todas as suas ambições, mas sua existência e a visibilidade que proporciona já representam uma conquista importante para o cinema brasileiro.

29. A Condessa Sangrenta

Décadas após seu misterioso desaparecimento, a Condessa Sangrenta ressurge na Viena dos dias atuais, onde reencontra sua fiel criada, Hermine, para procurar um livro perigoso, capaz de destruir todo o mal — inclusive todos os vampiros, assim como elas. As duas partem em uma caça ao tesouro pelos magníficos locais históricos da cidade e recrutam o melancólico sobrinho da condessa — um vampiro vegetariano chamado Bubi — e seu psicoterapeuta, enquanto ampliam as buscas até a região da Boêmia. Enquanto isso, uma dupla de vampirologistas e um inspetor de polícia seguem obstinadamente seus passos.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Em A Condessa Sangrenta , a cineasta alemã Ulrike Ottinger aposta em uma comédia vampiresca de humor absurdo, visual extravagante e espírito anárquico que remete diretamente ao cinema de John Waters — guardadas as devidas proporções, é claro. No geral, o filme diverte pela liberdade com que abraça o absurdo, mas demora a encontrar um eixo narrativo e, mesmo quando começa a organizar suas muitas ideias, os personagens parecem ter suas tramas bem distintas umas das outras, sem que suas trajetórias se encaixem completamente. Ainda assim, há um prazer evidente em acompanhar essa maluquice, especialmente ao perceber Isabelle Huppert ( A Professora de Piano ) se divertindo com sua personagem.

Lola ( Mel Maia , Os Donos do Jogo ) é uma menina de 16 anos solitária marcada pela misteriosa ausência do pai. Nadadora que, apesar da coleção de medalhas, não consegue nadar o estilo borboleta. A relação com a mãe é difícil e depois de uma briga, vai passar as férias sozinha em Salto Bonito. Lola se apaixona, faz novos amigos e entra para o combalido time de natação da cidade. Agora, toda vez que está na água, novas emoções despertam memórias do passado. Às vésperas de um importante campeonato, Lola se vê diante do desafio de enfrentar medos e traumas que nunca imaginou, incluindo a verdade sobre seu pai.

Clique aqui para ler a entrevista com a atriz Mel Maia e a diretora Ana Luiza Azevedo ( Antes que o Mundo Acabe ).

27. A Morte Não Tem Dono

Caro ( Asia Argento , A Diva Escarlate ) viaja à Venezuela para vender a plantação de cacau de seu falecido pai, mas encontra a mansão da família ocupada por antigos funcionários, determinados a permanecer ali a qualquer custo. Ao decidir fazer justiça com as próprias mãos para reivindicar a herança que acredita lhe pertencer, ela dá início a um conflito que traz à tona a violência enterrada naquelas terras e sua memória.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Existe uma interessante aproximação com o brasileiro Propriedade , de Daniel Bandeira , que também transforma a questão da terra e da herança em matéria de tensão e violência. Mas, enquanto o filme brasileiro é mais direto e frontal em sua abordagem, Armand prefere se aproximar do conflito pelo caminho da alegoria. Leia o texto completo clicando aqui .

26. Retorno a Buenos Aires

Buenos Aires, 2008. Após passar 33 anos na Itália, Mariano Guerra ( Adriano Gianini ) retorna à Argentina para testemunhar no julgamento dos ex-militares que o sequestraram, torturaram e escravizaram durante a ditadura militar. Ao lado de outros sobreviventes, ele fica hospedado em uma acomodação disponibilizada pelo Ministério da Justiça, onde reencontra pessoas que compartilharam seu cativeiro e aguarda o dia de seu depoimento. Os dias passados com as outras testemunhas, os encontros e os relatos trazem novamente à tona histórias que permaneceram sem resolução por décadas. Mariano é um dos poucos sobreviventes daquela tragédia e carrega um peso que nenhuma sentença poderá aliviar. Seu retorno a Buenos Aires o obriga a confrontar o que significa ter sobrevivido.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Em um mundo cada vez mais polarizado, no qual as pessoas parecem ser constantemente reduzidas a posições extremas, Retorno a Buenos Aires , de Marco Bechis ( Garage Olimpo ), encontra sua principal força justamente nos tons de cinza. Ao acompanhar Mariano Guerra ( Adriano Giannini , Destino Insólito ), sobrevivente da ditadura militar argentina que retorna ao país para testemunhar contra seus torturadores, o cineasta constrói um protagonista moralmente complexo, cuja condição de vítima não o isenta de confrontar suas memórias. Leia o texto completo clicando aqui .

25. O Outro Lado das Redes

Frances Haugen ( Mikey Madison , Anora ), uma jovem engenheira do Facebook, conta com a ajuda de Jeff Horwitz ( Jeremy Allen White , O Urso ), repórter do The Wall Street Journal , para uma arriscada jornada que acaba revelando os segredos mais bem guardados da corporação. Inspirado em fatos reais e na história da informante que deu início ao acerto de contas com as redes sociais cujos desdobramentos acompanhamos até hoje, este roteiro original de Aaron Sorkin é uma obra irmã do longa-metragem A Rede Social (2010) e uma verdadeira narrativa de Davi contra Golias.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Sorkin parece reconhecer a gravidade do assunto, mas encontra dificuldades para traduzir essa complexidade em cinema, recorrendo a uma abordagem excessivamente didática, que frequentemente explica aquilo que o espectador já compreendeu. Inspirado pela tradição dos dramas jornalísticos e investigativos de outras décadas, o diretor constrói uma narrativa que, apesar das boas intenções, por vezes parece chegar atrasada ao próprio debate que pretende provocar. Resta a nós, portanto, encontrar interesse não exatamente nas descobertas, mas na encenação do processo que permitiu torná-las públicas. Leia o texto completo clicando aqui .

24. O Samurai e o Prisioneiro

Quando o lorde Murashige Araki se insurge contra o tirânico Nobunaga Oda , ele se vê sitiado dentro das muralhas de seu próprio castelo. Isolado, ele se depara com uma série de crimes misteriosos que desestabilizam a delicada ordem de sua corte, mergulhando a fortaleza no medo e na desconfiança. Com o exército de Oda se aproximando e um traidor escondido em suas fileiras, Murashige é forçado a formar uma aliança improvável com Kanbei Kuroda , um estrategista brilhante, porém perigoso, mantido prisioneiro na fortificação. Com a ajuda de sua esposa, Chiyoho , e de seus generais mais leais, Murashige precisa descobrir a verdade antes que o castelo seja invadido.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Em O Samurai e o Prisioneiro , Kiyoshi Kurosawa deixa as espadas em segundo plano para transformar um castelo feudal em palco de um jogo de interesses, suspeitas e estratégias políticas. Em vez de apostar nos duelos que costumam definir o chanbara, o cineasta acompanha os movimentos e diálogos de seus personagens por corredores, salas e espaços de convivência, onde uma conversa pode ser tão decisiva quanto um combate. A câmera observa com precisão as contradições de homens que tentam preservar a própria reputação enquanto lidam com as consequências da guerra. Há um humor discreto nessa desconstrução da figura do samurai, tratado menos como herói invencível e mais como alguém preso às convenções de seu tempo.

O problema é que a riqueza formal nem sempre encontra equivalente na escrita. Entre tantas conspirações, suspeitas e mudanças de perspectiva, a narrativa por vezes se torna cansativa, enquanto os diálogos não conseguem sustentar todo o interesse despertado pela encenação. Kurosawa parece mais à vontade organizando corpos e espaços do que desenvolvendo as motivações que movem cada personagem, o que torna a experiência especialmente atraente para quem aprecia o cinema como construção visual. Ainda assim, quando o filme permite que a tensão acumulada venha à tona, surge uma força dramática que empolga. O desfecho, em particular, revela como essa longa preparação tinha um propósito emocional de rara beleza.

23. Behemoth! Uma Vida Composta em Peças

Em Behemoth! , Pedro Pascal ( Quarteto Fantástico: Primeiros Passos ) interpreta Alex Serian , um violoncelista que retorna a Los Angeles após passar duas décadas viajando pelo mundo. De volta à cidade natal, ele se reaproxima da família de músicos e reencontra a paixão pela arte que marcou sua trajetória. Em meio a lembranças e novas descobertas, Alex inicia uma jornada de reconexão consigo mesmo e com a música. Inspirado pelo universo das trilhas sonoras, o filme celebra os profissionais que, por trás das câmeras, transformam composições em parte essencial da experiência cinematográfica.

Breve comentário, por Beatriz Sandoval:

Em muitos filmes, a trilha sonora tem uma importância muito além do que apenas preencher os espaços de silêncio. É desse ponto de partida que o novo longa de Tony Gilroy ( Rogue One: Uma História Star Wars) explora os bastidores dos responsáveis por criar a atmosfera sonora, que dá ritmo e emoção às imagens. Behemoth! usa de performances musicais e composições originais, que evocam diferentes gêneros cinematográficos, com destaque para uma cena de ação grandiloquente à la 007 . Para completar, o filme usa de flashbacks , guiados pela trilha sonora, para contar a história de seu protagonista e como ele chegou até aquele momento em sua vida.

Entretanto, mesmo com uma fotografia irretocável, cenários de tirar o fôlego, ótimo atores, uma trilha sonora interessante e uma direção competente, Behemoth! Uma Vida Composta em Peças parece deixar de lado justamente o elemento que poderia sustentar tudo isso: uma boa história. Entre um protagonista escorregadio, personagens poucos desenvolvidas e conflitos abandonados sem solução, o filme acaba se perdendo nas próprias ideias e, ao sair da sessão, nada consegue mudar o sentimento de ter visto algo totalmente esquecível. Leia o texto completo aqui

22. Mulher Desconhecida

Marie , uma jovem babá e empregada doméstica, está prestes a se casar com seu patrão, Christian , um viúvo rico e mais velho. Mas ela esconde um segredo vergonhoso: durante a Segunda Guerra Mundial, Marie teve um relacionamento com um soldado alemão. Agora, com o passado ameaçando vir à tona, ela se vê forçada a fazer de tudo para preservar seu novo status de senhora da casa em meio ao caos do pós-guerra.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

A cineasta May el-Toukhy constrói uma atmosfera sustentada pelo desconforto crescente e pela sensação de que algo terrível está prestes a vir à tona. Mulher Desconhecida encontra força ao colocar o espectador diante de dilemas morais da protagonista que não admitem julgamentos tão simples. O problema é que essa boa condução não impede a sensação de familiaridade: a discussão sobre o pós 2ª Guerra, a culpa e os limites da sobrevivência já foi explorada por outros filmes com maior profundidade.

O que enfraquece a obra não é a ausência de respostas definitivas sobre o que essa mulher fez, mas a maneira exageradamente formal com que desenvolve suas questões. Ao abordar o íntimo dessa protagonista, o longa poderia aprofundar as contradições entre responsabilidade individual, contexto histórico e sobrevivência, mas frequentemente prefere recorrer à violência como mecanismo de choque. A estratégia não acrescenta camadas ao debate. No geral, o filme é competente, sem dúvida, e vale destacar a atuação de Mathilde Arcel que merece atenção, mas que não justifica o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

21. A Extraordinária Vida de Vera Valdez

Um retrato da atriz brasileira Vera Valdez , seu tempo de modelo para Christian Dior e, especialmente, para Coco Chanel , seu flerte com a Nouvelle Vague, sua jornada complexa pela maternidade, sua prisão e tortura durante a ditadura no Brasil. Uma mulher de devoção artística e espírito pioneiro.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Se A Extraordinária Vida de Vera Valdez começa recorrendo a uma estrutura relativamente convencional, logo encontra uma forma mais afinada com a personalidade de sua protagonista. Entre lembranças, imagens de arquivo e registros dos encontros com Vera , a narrativa se afasta da cronologia rígida e passa a acompanhar o movimento irregular da memória. O passado não aparece como um território encerrado, mas como algo que continua a reverberar no presente. Mais do que organizar os acontecimentos de uma vida, Fábio Meira parece interessado em capturar a energia de alguém que ainda encontra maneiras de surpreender. Leia o texto completo clicando aqui .

Após a trágica morte da filha mais velha na véspera de uma viagem em família, Ella e a caçula, Melli , constroem uma frágil rotina. Um ano depois, Lux — o namorado adolescente que estava presente na noite do acidente — reaparece na vida das duas. Entre a culpa e a necessidade de perdão, o improvável trio parte para Tenerife, para as férias que nunca aconteceram. Sob o brilho do sol, o passado e o presente começam a se sobrepor silenciosamente.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Se em O Problema de Nascer (2020), Sandra Wollner encarava as inquietações em torno da existência, agora, em Everytime , a cineasta austríaca volta seu olhar para a morte. A partir da relação entre uma mãe, sua filha mais nova e o ex-namorado da filha falecida, o longa constrói um retrato delicado e desconfortável do luto, acompanhando três pessoas que tentam lidar, cada uma à sua maneira, com uma ausência irreparável. Há uma sensibilidade interessante na maneira como Wollner observa esses personagens, especialmente nos silêncios e nas tensões que surgem de uma convivência marcada pela culpa e pela dificuldade de seguir em frente.

Entretanto, na tentativa de traduzir o luto por meio de uma construção narrativa cada vez mais elaborada no terceiro ato, Wollner termina por transformar a dor de seus personagens em um exercício formal que pouco consegue emocionar. A complexidade formal, em vez de aprofundar as relações entre os personagens, cria um distanciamento que torna cada vez mais difícil se conectar com suas dores. É uma abordagem ousada e que demonstra certo amadurecimento em relação a O Problema de Nascer , mas que também evidencia uma cineasta tão preocupada em encontrar uma maneira singular de representar a perda que parece se esquecer de nos fazer senti-la.

19. Homem ao Mar

Camilo ( Gael García Bernal ) é um salva-vidas cubano que impede o afogamento do empresário mexicano Abel ( Jorge Salinas ) no mar do Caribe. Agradecido, Abel propõe levar Camilo ao México e torná-lo seu braço direito. O empresário também lhe apresenta a sua filha, Juana ( Esmeralda Pimentel ), com quem Camilo se casa e tem uma criança. Mais tarde, porém, o salva-vidas descobre que tudo fazia parte de um plano maquiavélico de manipulação. Enquanto sua nova vida desmorona, ele precisa desvendar quem está por trás dessa trama e assumir o controle do próprio destino.

Breve comentário, por Gabriela Nangino:

Bastante irônico, Homem ao Mar não é uma comédia que provoca gargalhadas constantes, mas aquele tipo de filme que te faz esboçar um sorriso de canto quando você percebe certas contradições. O roteiro, entretanto, tem dificuldades para sustentar tantas ideias. O espectador pode se perder entre tantas subtramas, muitas sem um desenvolvimento consistente.

O longa talvez não desperte grandes emoções em todo o público, mas é uma obra inteligente em suas provocações e autoral o suficiente para escapar do lugar-comum. Entre trancos e barrancos, Bernal constrói uma sátira autêntica à forma como a sociedade atravessa as relações humanas. Para quem aprecia um cinema latino-americano excêntrico, é uma boa opção. Leia a crítica completa clicando aqui .

18. Yellow Cake

Na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas tenta erradicar o mortal mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue — por meio de um experimento secreto intitulado Yellow Cake. Utilizando o urânio extraído da região, o projeto pretende esterilizar os mosquitos e assim conter a disseminação da doença. A física nuclear Rúbia Ribeiro ( Rejane Faria , Vicentina Pede Desculpas ) integra o experimento. Quando o plano fracassa e o caos se instala, uma pesquisadora brasileira determinada, com a ajuda de mineradores locais, precisa deter a catástrofe antes que seja tarde demais.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

É particularmente interessante como Yellow Cake incorpora a presença de estrangeiros interessados em explorar as riquezas minerais brasileiras, estabelecendo um diálogo com as discussões contemporâneas sobre a disputa internacional por recursos estratégicos, incluindo as terras raras. Embora o urânio utilizado na trama não pertença a essa categoria de minerais, a associação política é inevitável. Leia o texto completo clicando aqui .

17. Elefantes na Névoa

Em uma vila nepalesa cercada por uma floresta onde elefantes selvagens ameaçam constantemente os moradores, Pirati lidera uma família de mulheres trans unidas por laços de afeto e sobrevivência. Respeitada dentro de sua comunidade Kinnar, ela vive secretamente um relacionamento proibido com o Mestre dos Tambores, sonhando em abandonar tudo para construir uma vida diferente. Mas, quando Apsara , a mais jovem do grupo, desaparece durante uma vigília noturna contra os elefantes, Pirati passa a ser acusada de negligenciar sua família em nome de seus desejos pessoais. Consumida pela culpa e pressionada pela hostilidade da vila e pela desconfiança dentro de casa, ela inicia uma busca que a forçará a escolher entre o amor e a responsabilidade, enquanto enfrenta os limites de pertencimento impostos àqueles que vivem à margem da sociedade.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Abinash Bikram Shah acerta especialmente ao não reduzir a experiência dessas mulheres a uma sucessão de violências ou a um discurso explicativo sobre a marginalização de pessoas trans. Existe uma vida acontecendo ali, com códigos próprios, pequenas disputas, demonstrações de carinho, tradições e contradições. A comunidade não é apresentada como um bloco homogêneo, mas como uma família cujos integrantes também precisam negociar interesses, afetos e responsabilidades. É justamente essa dimensão cotidiana que afasta o filme de um olhar meramente antropológico: antes de pedir ao espectador que compreenda uma realidade cultural diferente, o diretor permite que ele se aproxime das pessoas que a constituem. Leia o texto completo clicando aqui .

Um filme noir acadêmico e de mistério na tradição de Jorge Luis Borges e Umberto Eco . A vida da erudita filósofa Béatrice Courte se entrelaça com a história (supostamente) real do “cronovisor”, um dispositivo construído na Itália na década de 1950 capaz de fotografar o passado. Uma bricolagem documental de livros, fitas cassete, jornais, revistas e VHS compõe o centro de gravidade do filme. Ao seu redor orbita a trama fictícia de Béatrice , cujas investigações acadêmicas, até então respeitáveis, começam a flertar com as ciências ocultas à medida que o enigmático “cronovisor” passa a dominar todos os seus pensamentos.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Chronovisor transforma o ato de pesquisar e estudar em uma experiência cinematográfica tão fascinante quanto inquietante. Com uma narrativa investigativa bastante que pede paciência e atenção do espectador, o filme faz do conhecimento acadêmico a matéria-prima para um thriller investigativo de ar sobrenatural. Surpreendente, fascinante e exigente no mesmo nível, cada plano é muito bem pensado para provar que até mesmo a pesquisa pode ter impacto visual. Seus dias em uma biblioteca nunca mais serão os mesmos depois desse.

15. O Último Batedor de Carteiras

Harry Lehman ( John Turturro ) é um batedor de carteiras veterano que continua na ativa, mas com rendimentos cada vez menores em uma Nova York profundamente transformada. As carteiras cheias de dinheiro foram substituídas por cartões de crédito fáceis de cancelar, e Harry luta para sobreviver enquanto cuida de Rosie , sua esposa com deficiência. Quando ele inadvertidamente rouba e repassa um valioso pen drive, inicia uma corrida contra o tempo para devolver o objeto, ou terá de enfrentar a fúria de uma vingativa família de criminosos.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

O Último Batedor de Carteiras é simples e direto, encontrando seu grande charme em acompanhar John Turturro sendo nova-iorquino ao extremo. Como um ladrão de carteiras à moda antiga que tenta sobreviver em uma cidade cada vez mais digitalizada, o ator conduz uma história que passeia pelas ruas, pela música e pelos pequenos detalhes de uma Nova York em transformação. O diretor Noah Segan encontra eficiência nessa premissa modesta, usando o protagonista para retratar o choque entre um modo de vida em extinção e um presente que já não parece ter espaço para ele — nem mesmo entre os seus.

Não é um filme que deve ganhar grande relevância na filmografia de Turturro ou levá-lo à temporada de prêmios, mas vale pela competência com que cumpre sua proposta. O conflito geracional, embora interessante à primeira vista, fica aquém do que poderia ser, em parte porque Turturro domina tanto a tela que acaba engolindo os personagens mais jovens e suas perspectivas — fruto também da escolha de tornar o personagem uma espécie de baluarte. Ainda assim, há algo de melancólico nessa história sobre o inevitável fim das coisas.

14. O Filho da Puta

Nas entranhas de Minas Gerais funciona a Casa Rosa, famoso prostíbulo gerenciado pela mãe de Ismael (voz de Gabriel Martins ), conhecido por todos como O Filho da Puta . No intuito de encontrar o pai que nunca conheceu, ele parte de sua pequena cidade na companhia de seu cachorro, Bacalhau . No decorrer do caminho, o jovem se vê diante de situações que insistem em trazê-lo para a realidade da qual ele foge.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Com um traço autoral e um humor sem pudores, O Filho da Puta encontra no sertão mineiro o cenário ideal para a jornada de um filho (da puta) em busca do pai. A inventividade da animação se manifesta tanto na construção visual desse universo quanto nos diálogos debochados, que ganham ainda mais força com as vozes do elenco, especialmente Matheus Nachtergaele como o cachorro de três patas, Bacalhau , cujo sarcasmo estabelece uma dinâmica divertida com Ismael , dublado por Gabriel Martins .

Entre referências à cultura popular brasileira e situações que transitam entre o grotesco e o cômico, o filme abraça sua própria &#8220;filhadaputice&#8221;, embora pudesse levar sua ousadia um pouco mais longe. Ainda assim, diverte pela liberdade com que constrói seus personagens e pela maneira singular como incorpora o imaginário brasileiro à história de um homem em busca das próprias origens. Poderia render uma sucessão de continuações.

13. Ray Gunn

Em Metropia, uma cidade gigantesca em um futuro alternativo visto a partir de 1939, o detetive particular Raymond Gunn é arrastado para um caso envolvendo alienígenas, assassinato e uma estrela multimídia chamada Venus Nova .

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Mais do que reunir referências, porém, Brad Bird ( Os Incríveis ) consegue transformá-las em uma identidade visual própria, aproveitando a liberdade da animação para conceber cenários, personagens e sequências de ação que dificilmente teriam a mesma espontaneidade em uma produção com atores reais. Mesmo quando a estética de Ray Gunn parece um tanto &#8220;datada&#8221; — dado o realismo com que os traços chegaram nos tempos atuais —, a inventividade da direção compensa essas limitações, especialmente pela maneira como cada espaço parece oferecer uma nova oportunidade para o espetáculo. Leia o texto completo clicando aqui .

Os Gheorghiu, um devoto casal romeno-norueguês, se estabelecem em uma vila em um distante fiorde, onde se aproximam de seus vizinhos, os Halberg. Seus filhos logo criam um vínculo, apesar de terem criações muito diferentes. Quando a filha adolescente dos Gheorghiu aparece na escola com marcas pelo corpo, a comunidade passa a se perguntar se a educação tradicional que as crianças recebem dos pais tem algo a ver com isso.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

O grande mérito de Mungiu está em não transformar esse conflito em uma disputa simplista entre uma família conservadora e instituições progressistas. O cineasta também questiona a suposta superioridade moral de uma sociedade que se considera mais esclarecida, mas que nem sempre consegue reconhecer os próprios preconceitos. Ao mesmo tempo, não coloca a religião ou as tradições familiares em uma posição acima de qualquer questionamento. Afinal, respeitar diferenças culturais não significa ignorar possíveis abusos, assim como proteger uma criança não deveria significar desconsiderar sua história, sua fé e seus vínculos familiares. É nesse terreno desconfortável que Fjord encontra suas discussões mais interessantes: até que ponto uma convicção pessoal pode justificar o sofrimento de outra pessoa? E quando a proteção deixa de ser cuidado para se transformar em controle? Leia o texto completo clicando aqui .

11. Se Eu Fosse Vivo&#8230; Vivia

No Brasil dos anos 1970, Contagem ainda é uma cidade em crescimento e o lar de um jovem casal apaixonado. Gilberto pede o perdão de Jacira pouco antes de um encontro inesperado mudar o rumo de suas vidas. Cinquenta anos depois, Gilberto ( Norberto Novais Oliveira ) e Jacira ( Conceição Evaristo ) estão juntos há quase cinco décadas. Casal carismático e gentil, na casa dos setenta anos, eles levam uma vida feliz apesar dos problemas de saúde que acompanham a idade, compartilhando quase todas as atividades do dia a dia lado a lado. Quando Jacira é subitamente internada, Gilberto passa a vivenciar eventos perturbadores – numa espiral através do tempo e do espaço – que o conduzem rumo ao desconhecido.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Ao acompanhar Gilberto e Jacira , casal que atravessa cinco décadas de vida em comum, André Novais Oliveira parte de um terreno familiar para mergulhar como nunca no místico, na fantasia e na ficção científica. A mudança de registro é uma aposta corajosa, que expande as possibilidades de um cinema historicamente associado à observação delicada do cotidiano e encontra no fantástico novas formas de abordar o amor, a passagem do tempo e os mistérios da ausência. Leia o texto completo clicando aqui .

Em 2006, o jornalista Chris Hansen ( Robert Pattinson ) se prepara para fazer história na televisão com To Catch a Predator , um programa polêmico que usa operações secretas e câmeras escondidas para expor, ao vivo, predadores sexuais pegos em flagrante. À medida que a atração se torna um fenômeno nacional e seu apresentador vira um ídolo do público, a linha que separa informação, justiça e espetáculo se torna cada vez mais tênue, e a mistura entre jornalismo, entretenimento e voyeurismo televisivo fica insustentável. Exibido no Festival de Veneza .

Breve comentário, por Gabriela Nangino:

O primeiro longa-metragem de ficção de Lance Oppenheim — que também assina este ano o aguardado documentário sobre Elizabeth Holmes , You Can See Everything — tem uma direção ambiciosa. Oppenheim constrói uma grande sátira da mídia moderna, movida por lucros e audiência, não importando o preço necessário a se pagar.

Sustentado por várias atuações sensacionais, Primetime é visualmente impecável. As cores borradas se misturam como imagens em uma fita cassete, enquanto a edição e a trilha sonora excelentes transmitem a exata sensação de ansiedade proposta pela trama. O filme peca, apenas, ao não ir tão fundo nas nuances dos acontecimentos que o inspiraram. Leia a crítica completa clicando aqui .

9. Pequenas Tragédias

Em 2011, Daniel Nolasco se mudou da pequena cidade que nasceu, no interior do Brasil, para o Rio de Janeiro. Foi fazer faculdade. Era o primeiro de um grupo de amigos queers que deixava a cidade. Dez anos depois, nenhuma das pessoas que formavam esse grupo mora mais lá, alguns morreram e os que estão vivos se mudaram para algum centro urbano. A cidade se chama Catalão, um lugar que todos dizem ser bom demais para viver.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Durante muito tempo, o cinema LGBT+ pareceu condenado a contar histórias em que personagens gays precisavam sofrer para que suas existências fossem reconhecidas. Daniel Nolasco , porém, encontra outra maneira de revisitar essas experiências, sem ignorar as dores, mas recusando-se a fazer delas o único caminho possível. Leia o texto completo clicando aqui .

8. I Love Boosters

Corvette ( Keke Palmer ), Sade ( Naomi Ackie ) e Mariah ( Taylour Paige ) são três amigas que ganham a vida furtando roupas de marcas famosas para revendê-las por por preços mais baixos em São Francisco. Corvette , que sonha em ser estilista, admira a magnata da moda Christie Smith ( Demi Moore ) e decide enviar seus desenhos para um concurso da marca. Após ter a inscrição rejeitada, ela descobre que Christie plagiou o seu design e o colocou à venda. Revoltada, ela se junta às amigas e a uma trabalhadora da fábrica chinesa que produz as roupas da marca para roubar todo o estoque da estilista, espalhando o caos pela indústria.

Breve comentário, por Gabriela Nangino:

Boots Riley transforma uma história aparentemente comum sobre três boosters em uma comédia satírica e surrealista sobre a indústria da moda, a exploração do trabalho e as contradições da sociedade capitalista. A ousadia do diretor não está presente apenas na narrativa do filme, mas na sua própria estrutura, que mistura live-action, stop-motion, CGI e efeitos práticos.

No fim, I Love Boosters é um produto de seu tempo: o retrato de uma modernidade desgastada, desesperançosa e desengajada pelo próprio esgotamento do seu próprio sistema. Mas é também uma fagulha de esperança. É o mesmo sonho antigo da luta de classes, reimaginado pelas lentes de 2026. Apesar de toda a sua fúria, esta é uma obra otimista, que acredita fielmente no poder popular e na força da arte. Leia o texto completo clicando aqui .

7. O Ser Querido

O aclamado cineasta Esteban Martínez ( Javier Bardem , Vicky Cristina Barcelona ) é uma lenda tanto por seus filmes quanto por um passado de violência e excessos. Em seu novo projeto, ele oferece um papel à filha, Emilia ( Victoria Luengo , Natal Amargo ), sob o pretexto de tentar salvar sua carreira estagnada como atriz. A convivência no set os reaproxima após anos de afastamento, mas inevitavelmente reabre velhas feridas que nunca cicatrizaram.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Javier Bardem é fundamental para o efeito de incômodo em O Ser Querido : seu Esteban alterna charme, comicidade e agressividade com uma naturalidade desconcertante, fazendo com que o espectador nunca saiba exatamente em que momento a simpatia dará lugar à hostilidade. A performance encontra um parceiro à altura na direção de Rodrigo Sorogoyen , que explora enquadramentos, ritmo de montagem e disposição dos corpos no espaço para extrair significados de cada gesto e de cada pausa. Leia o texto completo clicando aqui .

6. A Margem do Rio

Izaquiel ( Caíque Copque , Mapas ), um auxiliar de serviços gerais, se arrisca em encontros secretos noturnos nos manguezais do Recife, onde conhece Jeremias ( Ítalo Martins , O Agente Secreto ), um pescador intrigante e magnético. Quando uma ameaça violenta invade o lugar, Jeremias conduz Izaquiel às profundezas do coração do mangue, onde realidade e mito se entrelaçam.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem explorado histórias de homens gays em contextos de marginalização, aproximando sexo, afeto e sobrevivência em filmes como Parque de Diversões , A Rua da Glória , Ato Noturno e Baby . A Margem do Rio dialoga com essa produção, mas amplia seu campo de investigação ao incorporar o misticismo e a religião como forças que disputam o controle sobre a vida dos personagens. Em vez de restringir o conflito à intimidade de um relacionamento, Farias e Carvalho constroem uma narrativa na qual o desejo individual esbarra em estruturas sociais capazes de transformar a diferença em motivo para humilhação e violência. Leia o texto completo clicando aqui .

5. Tigre de Papel

Tigre de Papel acompanha a história de dois irmãos em busca do sonho americano. Enquanto o engenheiro Irwin Pearl ( Miles Teller ) construiu uma família com Hester, Gary ( Adam Driver ) seguiu carreira na polícia. Quando Gary apresenta ao irmão uma oportunidade de negócio boa demais para ser verdade, os dois se envolvem com o perigoso mundo da máfia russa, e os laços familiares começam a se romper, com consequências que mudam suas vidas para sempre.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Embora se aproxime do cinema de gângsteres, Tigre de Papel está muito mais interessado nas consequências emocionais da criminalidade do que propriamente em seus mecanismos. Gray constrói um suspense soturno, de montagem lenta, no qual a violência permanece durante boa parte do tempo como uma ameaça à espreita, capaz de transformar uma conversa aparentemente banal ou um telefonema inesperado em motivo de angústia. Leia o texto completo clicando aqui .

4. A Terra do Meu Pai

Situado n o verão de 1949, no ápice da Guerra Fria, A Terra do meu Pai acompanha o escritor Thomas Mann ( Hanns Zischler ), que retorna à sua Alemanha natal para receber um prêmio e leva consigo sua filha, Erika ( Sandra Hüller ). A viagem dos dois parte de Frankfurt, sob domínio estadunidense, até a Weimar, sob controle soviético. D e volta ao lar após 16 anos de exílio nos EUA, Mann é forçado a confrontar não apenas os destroços de uma nação dividida, mas também as feridas de sua própria família.

Breve comentário, por Gabriela Nangino:

A Terra do Meu Pai se afasta dos padrões mais convencionais dos filmes de época para entregar um estudo melancólico da Alemanha após a Segunda Guerra. A divisão ideológica da Guerra Fria não se manifesta apenas nos discursos políticos, mas também nos longos silêncios do filme. A relação entre pai e filha acrescenta uma dimensão íntima a esse cenário: enquanto atravessam um território marcado pela destruição, os dois também parecem incapazes de superar as distâncias emocionais que os separam. Este drama contido em preto e branco, de apenas 82 minutos, serve como um lembrete de que talvez seja impossível voltar para casa — não porque ela desapareceu do mapa, mas porque as pessoas (e ela) já não são mais os mesmos. Leia o texto completo clicando aqui .

3. Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha

No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa ( Verônica Cavalcanti , Paloma ) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva ( Luciana Souza , Bacurau ), mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

O que começa como uma espécie de Thelma & Louise (1991), com duas mulheres cometendo crimes e fugindo pelas estradas, logo abandona qualquer compromisso com a lógica convencional para mergulhar em uma experiência tão lúdica quanto emocional. Mas, por trás de toda essa inventividade, existe uma história bastante simples e universal em Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha : a de uma filha que encontra na imaginação a possibilidade de viver ao lado da mãe aquilo que a realidade lhe negou. Leia o texto completo clicando aqui .

2. Amor Possível

O filme acompanha a complexa relação entre dois casais que seguem caminhos diferentes e lidam com desejos ocultos. Mi-ok leva uma vida pacata com o marido desempregado, Ho-seok , e o filho pequeno, Cheol , até que um funeral os coloca em contato com Ye-ji , uma documentarista que registra a vida de trabalhadores demitidos, e o marido dela, Sang-woo . O padrão de vida abastado do casal contrasta radicalmente com o de Mi-ok . Quando ela aceita ser filmada, aprofunda sua convivência com Ye-ji e passa a sentir uma atração incômoda pelo enigmático Sang-woo . Conforme o convívio entre os casais se intensifica, surgem tensões que desestruturam suas vidas.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

A comparação com Parasita surge naturalmente. Assim como no filme de Bong Joon-ho , há uma malícia em observar personagens que cobiçam aquilo que pertence a outra classe social. Mas, enquanto Parasita conduz esse desejo a uma escalada de violência e disputa por espaço, Amor Possível prefere acompanhar os movimentos mais ambíguos da cobiça. Seus personagens não querem apenas dinheiro, segurança ou reconhecimento: desejam a vida do outro, ou ao menos a fantasia que construíram sobre ela. A desigualdade cria a distância entre os casais, mas também alimenta a curiosidade, a atração e a insatisfação que os aproximam. Leia o texto completo clicando aqui .

1. O Sentido da Vida

Marie-Lou Fontaine ( Virginie Efira ), diretora de uma casa de repouso nos arredores de Paris, desafia as convenções ao adotar o método “Humanitude”, apesar da resistência de sua equipe. Seu encontro com Mari Morisaki ( Tao Okamoto ), uma dramaturga japonesa em estado terminal, muda a sua vida. Juntas, elas fazem da instituição um símbolo de resistência e humanidade diante das limitações do sistema.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

A escolha do título brasileiro ( O Sentido da Vida ), aliás, acrescenta uma pretensão que não existe no projeto original: em japonês, Soudain ( De Repente, na tradução livre ), nome que também inspirou o título internacional All of a Sudden, carrega uma simplicidade muito mais próxima da proposta de Hamaguchi . O cineasta não pretende oferecer uma grande resposta para uma pergunta tão clichê, tampouco construir uma fábula sobre como devemos viver. Seu interesse está justamente na impossibilidade de encontrar respostas definitivas e na beleza de continuar procurando por elas ao lado de outras pessoas. Leia o texto completo clicando aqui .

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Reportagem completa: https://rollingstone.com.br/cinema/31-filmes-da-50a-mostra-de-sp-do-pior-para-o-melhor/

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