O barro, tradicionalmente associado à produção artesanal de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, ganha novos significados na terceira edição da Bienal do Barro do Brasil. A exposição “Escassez e abundância: rotas de fuga” propõe reflexões em temas como memória, território, desigualdade e transformação social.

A mostra reúne trabalhos de dez artistas brasileiros e portugueses e está aberta à visitação gratuita no antigo galpão da Fábrica Caroá, no complexo do Armazém da Criatividade, até 28 de novembro.

Entre os destaques estão obras de artistas com trajetórias ligadas à região, como Terezinha Gonzaga e Ratinho.

Rafael Costa Pereira (Ratinho) é um escultor e artista plástico nascido em Caruaru. Obras fazem parte da Bienal do Barro

A exposição também apresenta trabalhos inéditos de Tavares da Gaita, artista nascido em Taquaritinga do Norte e radicado em Caruaru, que ficou conhecido pela música e morreu em 2009.

A Bienal reúne ainda Adones Valença, de Belo Jardim, e Edson Atikum, de Carnaubeira da Penha. Participam também Beatriz Albuquerque, de Portugal; Isabela Prado, de Belo Horizonte; Anna Bella Geiger, do Rio de Janeiro; Amanda Nunes, do Distrito Federal; e Toni Graton, de Curitiba.

O que a exposição propõe?

Obra em exposição na Bienal do Barro 2026

Sob curadoria e coordenação geral de Carlos Mélo, a mostra utiliza o barro como ponto de partida para discutir questões sociais e culturais. A proposta questiona a associação histórica do Nordeste à seca, à pobreza e à escassez, destacando também a riqueza da produção artística e dos conhecimentos desenvolvidos no interior.

A exposição está organizada em torno de três estados da matéria: pó, lama e cerâmica. As diferentes formas do barro são relacionadas a temas como desigualdade, memória, estruturas coloniais e resistência coletiva.

A exposição ocupa o antigo galpão da Fábrica Caroá, espaço que faz parte da história de Caruaru. O local, que produzia cordas, foi posteriormente doado ao município para abrigar um centro cultural.

Além da visitação aberta ao público, a Bienal recebe estudantes das redes pública e privada de ensino. As escolas interessadas podem agendar visitas educativas pelos telefones (81) 99997-8979 e (81) 99232-8808.

A iniciativa busca aproximar crianças e adolescentes das artes visuais e estimular discussões sobre identidade cultural, território e transformações da sociedade. A presença de artistas ligados a Caruaru também permite relacionar a arte contemporânea às tradições culturais do município.