Por volta das 12h08 (horário de Brasília), CEAB3 subia 7,93%, a R$ 7,35, enquanto PCAR3 avançava 5,5%, a R$ 2,43. SMFT3 registrava alta de 4,88%, a R$ 17,61. Já CASH3 caía 9,01%, cotada a R$ 3,94.

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A C&A Brasil ( CEAB3 ) reportou resultados melhores do que o esperado no terceiro trimestre de 2026, embora com uma composição mista. O lucro por ação ajustado pelo JPMorgan foi de R$ 0,18, acima da estimativa do banco, de R$ 0,15, e do consenso, de R$ 0,13, apesar de uma queda de 19% na comparação anual.

As tendências do varejo continuaram fracas, como esperado, com vendas mesmas lojas (SSS) consolidadas praticamente estáveis, ante estimativa do JPMorgan de queda de 0,6%. O EBITDA foi pressionado por maiores despesas de marketing e alavancagem operacional negativa.

Por outro lado, a C&A Pay foi a principal fonte de surpresa positiva, apoiada pela continuidade da boa qualidade do crédito. Além disso, a margem bruta do varejo avançou, apesar de um ambiente mais promocional e da fraca demanda dos consumidores.

C&A (CEAB3) tem lucro líquido de R$ 56,5 mi no 3º tri, queda anual de 23,3%

Apesar da queda anual, o desempenho superou as estimativas do mercado

Na avaliação do BBI, o saldo do trimestre é positivo, com a empresa entregando resiliência em métricas operacionais importantes e forte geração de caixa. Embora o valuation atual embuta muito pessimismo e o cenário para 2027 seja desafiador para o setor, a capacidade da C&A de superar seus pares pode sustentar seus múltiplos e reduzir a percepção de risco.

Para Goldman Sachs, a margem bruta voltou a ser o principal destaque positivo, com avanço de 60 pontos-base na margem bruta de vestuário na comparação anual. Por outro lado, as despesas gerais e administrativas (SG&A) foram pressionadas em 140 pontos-base pelos investimentos em marketing.

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SmartFit ( SMFT3 )

A SmartFit reportou alta de 40% no lucro líquido recorrente do terceiro trimestre, para R$248 milhões. O Ebitda ajustado cresceu 30% ano a ano, com a margem passando de 32,1% para 32,5%, enquanto a receita líquida aumentou 29%.

“Uma tese de crescimento que continua entregando”, afirmaram analistas da XP em relatório a clientes, acrescentando que a empresa apresentou resultados fortes no período, com destaque para a receita e a margem bruta, embora a rentabilidade das academias no Brasil continue pressionada.

“Em uma temporada na qual esperamos que a maior parte da nossa cobertura apresente crescimento mais fraco e contração de margens, a Smartfit se destaca tanto em receita quanto em rentabilidade, com expansão recorde e o TotalPass mais do que compensando a pressão nas academias brasileiras.”

Segundo BBI, os resultados sólidos foram impulsionados pela aceleração da receita e pelo desempenho robusto do TotalPass e das operações em ‘Outros Países’, que garantiram a expansão das margens.

Smart Fit (SMFT3) tem alta de 40% no lucro recorrente no 3º tri, a R$ 248 milhões

A empresa apurou receita líquida de R$ 2,35 bilhões, 29% acima de um ano antes. O mercado tinha expectativa de faturamento de R$ 2,28 bilhões

O grande destaque segue sendo a combinação da operação verticalizada no Brasil (academias próprias + TotalPass), que acelerou o crescimento do lucro bruto por unidade, e a resiliência proporcionada pela diversificação geográfica. A operação internacional foi fundamental para compensar pressões de custos e o ambiente macroeconômico mais desafiador no Brasil e no México.

O JPMorgan também considera bons os resultados operacionais no terceiro trimestre. O EBITDA ajustado, antes do IFRS 16, cresceu 30% na comparação anual e 7% na trimestral, para R$ 763 milhões, ficando 7% e 3% acima das estimativas do JPMorgan e do consenso, respectivamente.

Por outro lado, a administração comentou que as unidades maduras da Smart Fit no Brasil apresentaram desempenho mais fraco, com menor receita por academia e custos de manutenção mais elevados contribuindo para a queda da margem bruta de caixa no país. O JPMorgan pretende explorar esse tema na teleconferência de resultados.

Já o Goldman Sachs destaca que o TotalPass foi novamente o principal responsável pelo avanço de 170 pontos-base na margem bruta de caixa consolidada na comparação anual. Esse desempenho foi parcialmente compensado pela pressão no Brasil e pelo aumento de outras despesas.

GPA ( PCAR3 )

O JPMorgan classifica os resultados da GPA como mistos no terceiro trimestre. As vendas brutas recuaram 6% na comparação anual, principalmente devido ao foco em canais de maior rentabilidade e, em parte, à falta de produtos nas lojas (rupturas de estoque) decorrente do processo de recuperação extrajudicial. As vendas mesmas lojas (SSS) avançaram 1,5%, enquanto o formato Pão de Açúcar (PdA) registrou queda de 0,7%.

Ainda assim, o EBITDA ajustado cresceu 17% na comparação anual, ficando 15% acima do consenso, que contava com apenas uma estimativa, impulsionado pela melhora da margem bruta e por ganhos de eficiência nas despesas.

GPA (PCAR3) registra prejuízo líquido de R$ 220 mi nas operações continuadas

GPA já capturou R$ 365 milhões em redução de despesas em 2026, atingindo 88% da meta anual

As elevadas despesas financeiras continuam pressionando o resultado final e levando a companhia a registrar prejuízos, situação que o GPA busca enfrentar por meio do processo de recuperação extrajudicial.

Méliuz ( CASH3 )

A Méliuz ( CASH3 ) apresentou crescimento fraco no terceiro trimestre, como esperado pelo UBS BB, enquanto os resultados foram influenciados por uma série de efeitos não recorrentes. A receita líquida somou R$ 96 milhões, queda de 22% na comparação anual e de 17% ante o trimestre anterior, ficando 9% abaixo da projeção do banco e 21% aquém do consenso.

O desempenho refletiu o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia em agosto e a consequente interrupção da parceria, mudanças no mix de parceiros e uma base de comparação mais difícil, após uma reclassificação positiva de R$ 3,9 milhões na receita do 3T25. Segundo a administração, as comissões que deixaram de ser recebidas da Casas Bahia representaram cerca de R$ 15 milhões em receita na comparação anual.

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Companhias registraram desempenhos distintos

O balanço também foi marcado por itens extraordinários. A companhia reconheceu uma provisão de R$ 14 milhões contra recebíveis da Casas Bahia, parcialmente compensada pela reversão de R$ 3,8 milhões em provisões de cashback. Também houve uma reversão de impairment de Bitcoin de R$ 78,5 milhões, sem efeito caixa, e um benefício fiscal diferido de R$ 25,8 milhões após a incorporação da Alter, em agosto.

O EBITDA reportado alcançou R$ 85 milhões, enquanto o EBITDA ajustado foi de R$ 17 milhões, 42% abaixo do consenso, mas 8% acima das estimativas do UBS BB. O lucro líquido reportado somou R$ 114 milhões, enquanto o resultado ajustado ficou em R$ 19,6 milhões, acima dos R$ 9,5 milhões projetados pelo banco, mas abaixo do consenso de R$ 30 milhões.

Mercado Livre (BDR: MELI34 )

A XP avalia que o Mercado Livre apresentou resultados mistos no terceiro trimestre. A receita mostrou resiliência no Brasil e na Argentina, mas o resultado operacional ficou abaixo do esperado, pressionado pelo aumento dos custos de frete e das despesas de marketing.

O EBIT ficou 7% abaixo da projeção da corretora, com margem de 6,3%, recuo de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. O desempenho interrompeu a estabilização da rentabilidade observada no segundo trimestre e teve dois principais fatores.

O primeiro foi o aumento dos custos de frete, impulsionado pela alta dos combustíveis e pela expansão de aproximadamente 20% na capacidade de centros de distribuição (fulfillment) na comparação trimestral. A administração considera que esses investimentos devem sustentar o crescimento futuro e espera que as novas estruturas ganhem escala a partir do quarto trimestre.

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O segundo foi o avanço das despesas de marketing, especialmente no Brasil, onde a companhia decidiu ampliar os investimentos em marketing de afiliados. O crescimento mais fraco no México também limitou os ganhos de alavancagem operacional.

Apesar da pressão sobre a rentabilidade, os indicadores operacionais seguiram melhorando, com avanços no engajamento dos usuários, no custo por envio e na quantidade de usuários do ecossistema.

A XP mantém uma visão construtiva sobre as perspectivas de longo prazo do Mercado Livre, mas considera que o curto prazo será mais desafiador. A corretora também vê riscos de revisão para baixo das estimativas de EBIT, caso o ciclo de investimentos da companhia continue se estendendo.

Para o Citi, o trimestre manteve as tendências recentes, com o forte crescimento no Brasil mais uma vez superando o consenso do mercado. “No entanto, o resultado de Ebit abaixo do esperado (US$676 milhões, queda de 6% ano a ano) é claramente negativo, dado que o mercado projetava uma margem próxima de 7%. A principal questão agora é quão rapidamente o Mercado Livre conseguirá normalizar seus custos sem comprometer o atual ritmo de reinvestimentos”, disseram.

Eles acrescentaram que a operação de crédito também merece atenção, acrescentando que, embora a carteira total continue se expandindo rapidamente, algumas linhas de crédito estão desacelerando mais do que previam.

“Com os juros no Brasil provavelmente permanecendo elevados, isso pode indicar critérios de concessão mais conservadores, criando potencialmente um equilíbrio delicado entre a qualidade da carteira de crédito e o crescimento do GMV”, afirmaram João Pedro Soares e Felipe Husein, em relatório a clientes.

“Apesar dessas preocupações, acreditamos que a relação risco-retorno continua atraente, considerando o excelente momento de crescimento das receitas do Mercado Livre”, escreveram os analistas, que têm recomendação de compra para os papéis.

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