A brasileira Taís Magno, de 27 anos, está entre os cerca de 3 milhões de clientes afetados pela crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, que faliu e resultou na reunúncia do presidente Santiago Peña.
Estudante de Medicina Veterinária, ela mora há cinco anos em Assunção, capital do país, com o marido, que é paraguaio. Com o bloqueio das contas, ficou sem acesso ao dinheiro que utilizava para as despesas do dia a dia e aos valores que mantinha investidos.
Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Taís conta que percebeu a dimensão do problema na manhã da terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai anunciou a intervenção na instituição. Naquele dia, precisou faltar à faculdade porque não tinha dinheiro em espécie e não conseguiu acessar os recursos pelo aplicativo do banco.
"Eu tinha dinheiro [no banco] para fazer as compras do mês, para o dia a dia. E devido à quebra do banco, nós não podíamos ingressar ao aplicativo do banco. Nós não podemos sacar o dinheiro. Muitas pessoas entraram em desespero porque às vezes é o dinheiro que tem para aquele dia para comer ou para se locomover", relata.
Cearense escolheu banco pelos benefícios oferecidos
Vista aérea mostra a sede do Ueno Bank, em Assunção, no Paraguai.
A cearense é cliente do banco há cerca de três anos. Ela escolheu a instituição por causa dos benefícios oferecidos, como descontos e reembolsos em compras. Em algumas situações, Taís chegava a receber 50% de reembolso pelos gastos no cartão de crédito.
A dificuldade para acessar o dinheiro também atingiu pessoas próximas. Uma vizinha, segundo a estudante, havia acabado de receber o salário do mês, mas os recursos ficaram retidos na instituição. O valor seria utilizado para pagar despesas como aluguel, água e energia.
Ela também conta que se sentiu culpada por ter recomendado o banco a uma amiga, que investiu 1.000 dólares na instituição na mesma semana da intervenção.
Crise abala confiança em instituições financeiras
Brasileira tem dificuldades após ter dinheiro bloqueado em banco falido no Paraguai
Agora, Taís tenta reorganizar a vida financeira e afirma que a crise abalou sua confiança nas instituições financeiras. Sem acesso aos recursos que mantinha no Ueno Bank, ela precisou recorrer ao cartão de crédito brasileiro, apesar dos custos adicionais de IOF.
A estudante também tentou abrir contas em outras cinco instituições financeiras paraguaias, mas só conseguiu na sexta tentativa. Segundo ela, a procura por novos bancos aumentou após a intervenção, o que tem dificultado a abertura de contas no país.
Sobre a recuperação do dinheiro, Taís relata que recebeu a informação de que os clientes poderiam ter os valores liberados em um prazo de 15 a 30 dias, com a transferência dos recursos para outra instituição bancária. A expectativa, agora, é conseguir recuperar o dinheiro e retomar a normalidade financeira.
A legislação paraguaia prevê que a garantia dos depósitos seja paga em até 15 dias corridos após a aprovação da resolução da instituição financeira, prazo que pode ser prorrogado por mais 15 dias, mediante decisão fundamentada do Banco Central.
Apesar da crise, Taís afirma que continua tendo uma avaliação positiva do Paraguai e das condições de vida que encontrou no país. Ela conta que decidiu se mudar para lá com o marido justamente pelas facilidades para construir uma vida familiar, como a carga tributária reduzida e o acesso mais fácil à compra de imóveis, automóveis e eletrodomésticos.
Para a cearense, o episódio envolvendo o Ueno Bank é uma situação pontual e não representa o funcionamento geral do país.
Todos os países precisam melhorar, óbvio, mas neste caso é um país que é muito bom, que está passando por um momento bem difícil e delicado. Mas tenho confiança de que isso vai passar, esse pesadelo vai passar e que vai tudo melhorar.

