Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus com 1.038 mulheres de todo o país revelou que 29% não conhecem os métodos de detecção precoce do câncer de mama.

O problema começa antes mesmo da mamografia , exame considerado padrão-ouro para o rastreamento da doença. Segundo o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama 2025, realizado pelo Instituto Natura e Avon, apenas 29% das brasileiras têm conhecimento suficiente sobre os fatores de risco, sintomas, exames e direitos relacionados à doença.

Veja abaixo os principais mitos sobre esse tipo de câncer.

1. O câncer de mama só atinge mulheres mais velhas

De fato, o risco de desenvolver câncer de mama aumenta com a idade, mas isso não significa que apenas as mulheres mais velhas tenham a doença. Embora seja mais frequente acima dos 50 anos, cerca de 33% dos casos desse tipo de câncer ocorrem em mulheres abaixo dessa idade no Brasil, o que representa 1 caso a cada 3. Os dados são do Painel Oncologia Brasil.

O crescimento da incidência de câncer de mama em mulheres mais jovens é um fenômeno mundial. As causas ainda não estão totalmente claras, mas fatores relacionados ao estilo de vida, mudanças no perfil reprodutivo, maior acesso a exames e predisposição genética estão entre os motivos apontados como responsáveis pelo aumento.

2. Todo nódulo na mama é câncer

A verdade é exatamente o contrário: a maioria dos nódulos na mama não é maligna. Mulheres na idade reprodutiva podem apresentar nódulos relacionados a alterações nas mamas provocadas pelas mudanças hormonais comuns nessa fase.

Ainda assim, médicos recomendam que as mulheres de qualquer idade não ignorem alterações na mama, incluindo a presença de nódulos, e procurem um médico.

“Se for um cisto regular, não há problema algum. Agora, se ele não é redondo, se tem uma borda mais pontuda que a outra ou se apresenta partes sólidas, é um sinal para a gente ficar de olho. O que vai nos dizer é realmente o exame”, destacou Sara Dutra, mastologista pelo Inca, em entrevista ao Portal .

3. Apenas mulheres com histórico familiar da doença devem se preocupar

Quem tem um ou mais parentes com histórico de câncer de mama pode ter um risco maior de desenvolver a doença. Contudo, a causa nem sempre é genética. Além disso, muitas mulheres têm alterações genéticas que aumentam o risco desse tipo de câncer e não sabem.

Existem mais de 12 genes que podem aumentar o risco da doença, mas as alterações nos genes BRCA1 e o BRCA2 são as mais conhecidas. “ A possibilidade de uma mulher sem nenhum fator de risco desenvolver câncer de mama ao longo da vida é de mais ou menos 12% . Se pertencer a uma família portadora de mutação genética [nos genes BRCA1 e BRCA2], o risco de desenvolver a doença até os 70 anos de idade salta para 80%”, explicou Sérgio Simon, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP), em entrevista ao Portal .

Desse modo, fator genético aumenta o risco da doença, mas muitas mulheres que desenvolvem esse tipo de câncer não têm nenhuma alteração genética.

4. O primeiro sinal de câncer de mama é um nódulo

Nódulo ou massa endurecida na mama costumam ser o primeiro sinal de câncer, mas nem sempre isso acontece. Menos frequentemente, a mulher pode detectar outros sintomas, como dor ou inchaço na mama, alterações na pele ou no mamilo, linfonodo (gânglio) na axila, assimetria repentina nas mamas, entre outros. Também é comum a ausência de sintomas no momento do diagnóstico.

5. Apenas mulheres podem desenvolver a doença

Homens também podem desenvolver a doença, pois têm tecido mamário. O câncer de mama em homens é raro , representando 1% de todos os casos da doença, de acordo com o Inca. Por ser pouco conhecido pelo público masculino, costuma ser descoberto em estágio avançado, quando as chances de cura são menores.

A doença é mais comum em homens após os 60 anos, já que o risco aumenta com a idade. O fator genético também é importante. Homens com histórico familiar da doença ou que têm casos de câncer de mama ou de ovário na família podem ter risco aumentado.

Alterações genéticas hereditárias, principalmente no gene BRCA2, estão associadas a um aumento significativo do risco de desenvolver a doença. No entanto, homens sem histórico familiar também podem ter esse tipo de câncer.

6. O médico consegue diagnosticar o câncer de mama apenas pela palpação

Não importa o quão experiente o médico seja, não é possível diagnosticar a doença apenas por meio da palpação de um nódulo ou da mama .

Para o diagnóstico, a avaliação médica, que inclui o exame físico, mas também o levantamento do histórico pessoal e familiar do paciente, é importante, mas são necessários exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia, e em caso de lesão suspeita, a retirada de um fragmento do tecido ( biópsia ) para análise.

7. Mamografia provoca câncer

Embora a mamografia exponha as mamas a pequenas quantidades de radiação, esse é um exame bastante seguro, cujos benefícios superam em muito os riscos.

O objetivo principal do exame é rastrear o câncer de mama. Ele é capaz de detectar nódulos nas mamas antes mesmo de eles serem palpáveis. Geralmente, para confirmar o diagnóstico, é preciso realizar uma biópsia, que identifica se o tumor é maligno ou benigno e outras características mais específicas, mas a mamografia é um exame fundamental para o rastreamento da doença.

8. O autoexame é indicado para o rastreamento do câncer de mama

Embora o autoexame seja importante para que a mulher conheça seu corpo e, assim, possa detectar alterações na mama, quando isso acontece em geral a doença já está em estágio avançado.

Dessa forma, ao contrário do que se pensava algumas décadas atrás, o autoexame não garante a detecção precoce do câncer de mama, que costuma ser assintomático nas fases iniciais .

Rastreio do câncer de mama

O exame indicado para o rastreamento da doença é a mamografia, que deve ser realizada dos 40 aos 74 anos anualmente , de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e diversas sociedades americanas.

De acordo com o Inca e o Ministério da Saúde, o rastreamento deve ser realizado:

40 a 49 anos: sob demanda (compartilhado ou por indicação médica/vontade da paciente);

50 a 74 anos: recomendado a cada 2 anos (bienal);

Acima de 74 anos: Decisão individualizada, considerando as condições de saúde e a expectativa de vida.

A paciente deve conversar com seu médico para analisar histórico pessoal e familiar e avaliar a necessidade de fazer mais exames.

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